Ao ser pressionado no programa A Voz do Povo, da Rádio Caiari FM 103,1, sobre o papel do líder da bancada na condução política do debate sobre a concessão da rodovia, ex-prefeito elevou o tom e rejeitou a responsabilização individual do aliado
Porto Velho, RO – Durante entrevista concedida ao programa A Voz do Povo, da Rádio Caiari FM 103,1, apresentado por Arimar Souza de Sá, o ex-prefeito de Porto Velho e pré-candidato ao governo de Rondônia, Hildon Chaves, concentrou uma das declarações mais sensíveis da conversa na discussão sobre a concessão da BR-364 e a cobrança de pedágio. Ao ser questionado sobre declarações anteriores em que havia afirmado que “a bancada cochilou”, Hildon voltou a sustentar que houve falha de acompanhamento por parte da representação federal do estado, mas reagiu de forma mais incisiva quando o entrevistador colocou o nome do deputado federal Maurício Carvalho, líder da bancada federal de Rondônia, no centro da cobrança.
No terceiro bloco da entrevista, Arimar retomou a fala de Hildon sobre o pedágio e perguntou se ele se sentia representado pela classe política. Em resposta, o ex-prefeito disse que Rondônia tem “bons deputados” e “bons senadores”, mas acrescentou que, no caso específico da concessão da BR-364, seguia com a impressão de que a bancada não agiu a tempo. Segundo ele, diante da estrutura de assessoria de deputados e senadores, seria esperado que houvesse acompanhamento do processo licitatório. Ao falar sobre o procedimento, Hildon declarou que, em situações com um único concorrente, caberia ao responsável pela condução do certame buscar desconto mais expressivo, e classificou o abatimento obtido como insuficiente. Na entrevista, afirmou: “Um desconto de 0,1% no pedágio, isso é um desaforo com a população do nosso estado. Isso é inaceitável. Isso é inaceitável.”
A partir daí, a entrevista passou a girar diretamente em torno do nome de Maurício Carvalho. Arimar perguntou de forma direta se o líder da bancada federal, descrito por ele como “grande aliado” de Hildon, havia sido incompetente ou se teria “levado uma bola nas costas”. Hildon rebateu de imediato, fazendo distinção entre a função formal de líder e a ideia de comando político sobre toda a bancada. Em sua resposta, afirmou que Maurício Carvalho é “líder da bancada”, mas não “chefe da bancada”, e sustentou que a função do posto não alcança a condução das decisões individuais de senadores e deputados.
Ao desenvolver essa resposta, Hildon afirmou que o líder da bancada organiza “as questões das emendas”, especificando ainda que essa atuação se restringe às emendas de bancada. Segundo ele, o cargo não dá ao ocupante autoridade para interferir na atuação parlamentar individual. Na entrevista, disse: “O que o líder da bancada faz? O líder da bancada organiza as questões das emendas.” Em seguida, complementou: “O líder da bancada não puxa a orelha de senador, por exemplo, que não fez o que deveria fazer.” Depois, voltou a insistir na mesma linha: “Ele organiza a questão das emendas de bancada. E só. E cada um responde pelo seu CPF.”
A reação de Hildon endureceu quando Arimar insistiu na ideia de que um líder, ainda que não tivesse poder hierárquico, poderia articular a bancada em torno de um objetivo comum, sobretudo em um tema sensível como a concessão da principal rodovia federal que corta Rondônia. Nesse momento, Hildon interrompeu a linha de raciocínio do apresentador e contestou a formulação da pergunta. Disse: “Então assim, você tá simplificando, você não conhece o funcionamento do Congresso Nacional.” Na mesma sequência, em tom de reprovação à hipótese de que Maurício pudesse controlar a conduta de outros integrantes da bancada, acrescentou: “Então o Maurício Carvalho manda no Marco Rogério. Manda num Bagattoli.”
Ainda assim, o entrevistador continuou sustentando que, mesmo sem poder de mando, seria razoável esperar do líder um esforço de unificação em torno de um assunto de interesse coletivo, como a tentativa de barrar ou rever um pedágio considerado oneroso. Hildon então rechaçou a personalização da responsabilidade em Maurício Carvalho e afirmou não ter “procuração” para defendê-lo, mas ao mesmo tempo rejeitou a tese de culpa individual. Na reta final desse embate, fixou a responsabilidade no colegiado. Disse: “Ah, então a culpa é só do Maurício, então, se tem alguma culpa. Claro que não.” Logo depois, concluiu: “Eu não tenho procuração do Maurício. Mas seja lá quem for o líder da bancada, o fato é que… quer dizer, a culpa é da bancada.” Fechando o raciocínio, afirmou: “Se tem alguém, é a bancada.”
O núcleo mais polêmico da entrevista se formou justamente nesse encadeamento. Primeiro, Hildon reafirmou que a bancada “cochilou” no acompanhamento da concessão da BR-364. Depois, ao ser confrontado com o nome de Maurício Carvalho, retirou do líder da bancada qualquer responsabilidade exclusiva, delimitou a função do cargo às emendas parlamentares e transferiu a eventual falha para o conjunto da representação federal de Rondônia. O apresentador resumiu o momento como “polêmica no ar”, expressão utilizada ao vivo logo após a troca de argumentos.
Antes desse embate, Hildon já havia dito que, embora hoje exista um “fato consumado”, ainda torcia por um “freio de arrumação” na questão do pedágio. Ao mesmo tempo, evitou prometer desfecho à população, afirmando que, na condição de pré-candidato ao governo, não tinha “coragem de criar expectativas” sobre a reversão do caso. A fala expôs uma combinação de crítica política ao processo, cobrança institucional à bancada federal e cautela ao tratar de possíveis soluções futuras.
No terço final da entrevista, o programa avançou para outros temas da pré-campanha. Hildon explicou sua saída do PSDB e entrada no União Brasil, atribuindo a mudança ao desgaste com a direção nacional tucana em razão de uma dívida partidária herdada de administrações anteriores. Disse que o valor inicial era de quase R$ 1 milhão e que, após gestões, restaram cerca de R$ 200 mil, situação que, segundo ele, contribuiu para seu desligamento. Também afirmou que recebeu um “honroso convite” para ingressar no União Brasil, partido ao qual já era ligado politicamente por meio da deputada Ieda Chaves.
Ao falar do cenário eleitoral, declarou que não considera ter entrado tarde na disputa pelo governo, argumentando que suas campanhas anteriores também foram construídas em prazo curto. Citou ainda que, atualmente, dispõe de “quatro meses” até a eleição, o que, segundo ele, seria tempo suficiente para apresentar propostas. Ao longo da conversa, detalhou a composição do arco político de sua pré-candidatura, mencionando União Brasil, PP, Republicanos e possivelmente PSDB, além de afirmar que esse conjunto lhe daria “o maior tempo de televisão”.
Hildon também apresentou o deputado estadual Cirone Deiró como pré-candidato a vice-governador, apontando trajetória empresarial, experiência política e passagem pela vice-prefeitura de Cacoal como fatores considerados na escolha. Em outra frente, afirmou que percorreria todos os municípios e distritos de Rondônia, citando visitas previstas a Cerejeiras, Ji-Paraná e Cacoal. Ao responder perguntas de ouvintes, prometeu que, se eleito, pretende construir um novo Hospital João Paulo II em Porto Velho em “dois anos e meio” ou, no máximo, em “três anos”. Também declarou que aceitaria apoio do atual prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, e disse que, se governador, pretende ser parceiro da prefeitura da capital.
A entrevista terminou com participação intensa de ouvintes por WhatsApp, menções a nomes de apoiadores e perguntas sobre alianças, apoios de prefeitos, avaliação de concorrentes e posicionamento político nacional. Ao ser questionado se seria “Lula ou Flávio Bolsonaro”, Hildon evitou alinhar a resposta à polarização e disse que, “se as eleições fossem hoje”, votaria em Ronaldo Caiado. No encerramento, agradeceu o espaço concedido por Arimar Souza de Sá e se despediu da audiência da Caiari FM após pouco mais de uma hora de programa.
10 FRASES DE HILDON CHAVES NO PROGRAMA “A VOZ DO POVO”
01) “Um desconto de 0,1% no pedágio, isso é um desaforo com a população do nosso estado. Isso é inaceitável. Isso é inaceitável.”
A frase foi dita quando Hildon criticava o resultado do processo ligado à concessão da BR-364 e sustentava que a representação política deveria ter acompanhado melhor o tema.
02) “Eu continuo com a sensação de que realmente a bancada cochilou.”
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
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A declaração foi dada quando o entrevistador retomou a discussão sobre o pedágio e perguntou ao ex-prefeito se ele se sentia representado pela classe política.
03) “Ele é o líder da bancada. Ele não é o chefe da bancada. É diferente.”
A fala surgiu na resposta direta à pergunta de Arimar sobre Maurício Carvalho e o grau de responsabilidade do parlamentar na condução do episódio.
04) “O que o líder da bancada faz? O líder da bancada organiza as questões das emendas.”
Hildon usou essa formulação para delimitar o papel institucional do cargo ocupado por Maurício Carvalho e afastar a ideia de comando político sobre todos os integrantes da bancada.
05) “O líder da bancada não puxa a orelha de senador, por exemplo, que não fez o que deveria fazer.”
A frase foi dita para sustentar que o ocupante da liderança não tem autoridade hierárquica para enquadrar senadores ou deputados em decisões individuais.
06) “Então assim, você tá simplificando, você não conhece o funcionamento do Congresso Nacional.”
A declaração veio quando o entrevistador insistiu que o líder da bancada deveria ter articulado os demais integrantes em torno da discussão sobre a BR-364 e o pedágio.
07) “Então o Maurício Carvalho manda no Marco Rogério. Manda num Bagattoli.”
A frase foi usada por Hildon em tom de contestação à hipótese de que Maurício Carvalho pudesse controlar a atuação de outros parlamentares da bancada federal.
08) “Ele organiza a questão das emendas de bancada. E só. E cada um responde pelo seu CPF.”
A fala reforçou a tese central sustentada pelo entrevistado de que a liderança da bancada não se confunde com chefia política sobre deputados e senadores.
09) “Eu não tenho procuração do Maurício. Mas seja lá quem for o líder da bancada, o fato é que… quer dizer, a culpa é da bancada.”
A declaração sintetizou a posição de Hildon no momento mais sensível da entrevista: ele rejeitou personalizar a cobrança em Maurício Carvalho, mas atribuiu responsabilidade política ao conjunto da bancada.
10) “Se tem alguém, é a bancada.”
A frase encerrou o bloco mais tenso da entrevista e resumiu a conclusão de Hildon sobre quem deve responder politicamente pelo episódio relacionado ao pedágio da BR-364.
