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RD ENTREVISTA
Ricardo Frota vai para o PDT, faz críticas à condução do Partido Novo e relembra acusação de Euma Tourinho em 2024

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Pré-candidato ao Palácio Rio Madeira diz que declaração da magistrada sobre boletim de ocorrência envolvendo criança causou dano irreparável à sua imagem e ainda repercute negativamente quase dois anos depois

Por Vinicius Canova - segunda-feira, 01/06/2026 - 13h05

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Porto Velho, RO – No ano das eleições estaduais, o advogado e jornalista Ricardo Frota carrega uma ferida aberta da campanha municipal de 2024: a convicção de que uma fala da juíza Euma Tourinho durante um debate televisivo destruiu parte relevante do seu capital eleitoral em Porto Velho. A declaração, que relacionou o nome dele a um boletim de ocorrência envolvendo criança, foi feita publicamente durante a disputa à prefeitura e, segundo Frota, induziu eleitores a acreditar que o candidato tinha envolvido com abuso infantil. A magistrada não citou o contexto do episódio: uma briga de condomínio na qual a esposa de um morador adversário registrou ocorrência após Frota compartilhar imagens de câmera de segurança num grupo de moradores. No vídeo, aparecia a filha do casal, com cerca de 11 ou 12 anos. “Minha família ia votar em ti, mas só não votou por causa daquela situação que envolvia criança, que aquela juíza falou”, disse Frota, reproduzindo relatos que ainda recebe de eleitores.

O episódio foi narrado em entrevista ao programa RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. Frota descreveu como a sequência de fatos se originou numa eleição interna de condomínio: ele havia fixado propostas no elevador do prédio onde mora, o material foi retirado por um casal adversário e o porteiro, percebendo a câmera de segurança no local, gravou a cena e enviou ao então candidato. Frota repassou o vídeo ao grupo de moradores. A mulher, sentindo-se ofendida pela exposição da imagem da filha, registrou boletim de ocorrência. Frota afirmou que desconhecia o registro até ser confrontado pela juíza no debate. Políticos que acompanharam o episódio disseram a ele que também acreditaram na gravidade implícita da acusação. “Eu sou político, cara, mas eu acreditei no que ela falou, porque é uma juíza”, relatou Frota, reproduzindo a fala de um deles. Ele considera a conduta da magistrada incompatível com a função que exerce e afirma que pretende adotar medidas jurídicas, embora diga preferir evitar litígios.

A campanha de 2024 ainda reservou outro obstáculo. Frota foi impedido de participar do principal debate promovido pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo em Rondônia. Após a desistência de uma candidata, a emissora tinha a faculdade de convidá-lo, mas optou por não fazê-lo. Uma liminar judicial garantiu a ele o direito de participar, mas a decisão foi derrubada na reta final. “A emissora não está me atingindo quando faz isso. Ela está atingindo a população que gostaria de conhecer as propostas de um determinado candidato”, declarou.

O resultado nas urnas veio num contexto de extrema adversidade financeira. Com apenas 27 mil reais de fundo eleitoral para dividir com toda a sua nominata de vereadores, sem tempo de televisão nem de rádio e tendo perdido 15 dias de campanha após a renúncia do vice já com material gráfico produzido, Frota participou de apenas um debate e obteve 4.389 votos. Para efeito de comparação, Giovanni Marini, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura na gestão Léo Moraes, recebeu 300 mil reais de fundo eleitoral, teve uma nominata que quase elegeu um vereador e ainda assim ficou em último lugar entre os candidatos à prefeitura. Frota destaca que superou Samuel Costa, hoje no PSB, por 1.030 votos sem qualquer estrutura de campanha.

A migração para o PDT, partido fundado por Leonel Brizola e historicamente associado ao centro-esquerda, é apresentada por Frota como resultado de portas fechadas em todos os partidos de direita que procurou. Um deles alegou que sua votação poderia prejudicar outro candidato no mesmo reduto eleitoral. O pré-candidato ressalta que o líder do PDT em Rondônia, o ex-senador Acir Gurgacz, é empresário, tem fazenda e defende o agronegócio. “Eu troquei de roupa, eu mudei de rótulo, mas não mudei de conteúdo”, afirmou. Ao mesmo tempo, critica o Partido Novo, pelo qual concorreu em 2024, descrevendo acordos que classifica como nefastos e tomados em sala secreta, que teriam bloqueado sua candidatura ao governo apesar de ele ter ajudado a construir a legenda em Rondônia.

O programa de governo gira em torno do que Frota chama de organização da casa: enxugar a máquina pública, reduzir cargos comissionados e substituir contratos emergenciais por concursos públicos. Ele recorre à curva de Laffer para defender redução tributária como estímulo ao consumo e à arrecadação. Na saúde, aponta que quase 60% dos médicos formados em Rondônia deixam o estado por salários baixos e condições precárias. Em saneamento, cita o ranking do Instituto Trata Brasil, que colocou Porto Velho na última posição entre as 100 maiores cidades do país. Na educação, o índice de desenvolvimento da educação básica do estado está abaixo da média nacional, o que compromete a captação de transferências voluntárias federais.

Na condição de representante jurídico da Federação Nacional dos Comunicadores, a Fenacom, Frota também comentou os ataques recentes à imprensa em Rondônia, incluindo tiros contra a sede de um veículo de comunicação. Descreveu a atuação da entidade como mobilização direta junto à Polícia Civil, ao secretário de Segurança Pública e ao diretor-geral da Polícia, além de notas de repúdio. Sobre os embates públicos com Samuel Costa, com quem divide espaço em debates televisivos na REMA, Frota reconheceu que as discussões são genuínas, mas ressaltou que a divergência é saudável em democracia. Reconheceu ainda que Costa foi uma das poucas vozes a se manifestar publicamente contra sua exclusão do debate da Rede Amazônica.

Filho de um pedreiro que passou em concurso da Justiça Federal e se tornou pastor, e neto de uma faxineira que se aposentou como chefe de Correio, Frota afirma ter vendido picolé, din-din, cachorro-quente e trabalhado como servente de pedreiro antes de se tornar advogado e jornalista. Disputou eleição pela primeira vez em 2012, para vereador, e ficou afastado da política até 2024.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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