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RD ENTREVISTA
Everton Leoni declara que Fúria é “fenômeno” na política, compara aliado a Cassol e cita absolvição unânime no caso da Folha Paralela

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Fundador do Grupo SIC afirma que voltou à política por acreditar no projeto do prefeito de Cacoal e descarta qualquer chance de deslealdade caso a chapa seja eleita

Por Vinicius Canova - segunda-feira, 08/06/2026 - 16h29

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Porto Velho, RO – Com 20 anos de afastamento das disputas eleitorais, Everton Leoni voltou ao centro do debate político de Rondônia. Pré-candidato a vice-governador na chapa de Adailton Fúria, do PSD, ele participou do RD Entrevista, programa apresentado por Vinícius Canova no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, e falou sobre o retorno à política, o caso da Folha Paralela, a relação com Ivo Cassol e a polarização nacional.

Logo de início, Leoni explicou os motivos que o levaram a aceitar a posição. Disse que já não faz parte do Grupo SIC — empresa que transferiu em vida aos filhos — e que não tem mais nada a acumular materialmente. Para ele, o retorno ao cenário político só faria sentido ao lado de uma liderança específica.

“Fiquei 20 anos fora da política, de só voltar com o Ivo Cassol. Durante as últimas três eleições, contando com essa, o Ivo se preparou para ser candidato e eu era o vice dele. E o Ivo, quando conversava com outros partidos e outros líderes, dizia: ‘Negocio qualquer coisa, menos o meu vice’. Era uma homenagem que ele me fazia”, declarou.

A mudança de planos veio no fim de novembro do ano passado, quando Fúria enviou uma mensagem perguntando se Leoni aceitaria ser seu vice caso Cassol não se candidatasse. Antes de responder, Leoni afirmou ter consultado o próprio Cassol — a quem trata como líder, apesar de ser mais jovem — e só então confirmou a adesão ao projeto.

“Gostei do projeto do Fúria, acredito no projeto do Fúria, vejo ele como um grande potencial para fazer no Estado, guardando-se as proporções do que ele fez em Cacoal, e não tive dúvidas, depois de inteirado, de estar com ele nessa caminhada. E estou orgulhoso disso”, afirmou.

Everton Leoni — RD Entrevista 9ª edição
RD Entrevista · 9ª edição · Informa Rondônia
Everton Leoni
Pré-candidato a vice-governador · Chapa Adailton Fúria / PSD
Fundador do Grupo SIC · Ex-deputado estadual (3 mandatos)
20
anos fora
da política
14
anos de
processo
85%
votos de Fúria
em Cacoal
deputado
estadual
Folha Paralela — custo eleitoral
Antes do processo
~10.000 votos
Após condenação
~3.500
Absolvição unânime · 2ª instância
Aquele que não deve, não teme. Eu sabia que o Judiciário iria tomar uma decisão correta e justa.
Fúria em Cacoal
Reeleição
85%
Média típica
~52%
Os adversários não estão enfrentando um candidato qualquer. Estão enfrentando um fenômeno.
Critério único: o que é bom para Rondônia
Lula
Reeleição 2006
Dilma
Reeleição 2014
Bolsonaro
2018
Critério único
O que é bom para Rondônia
Everton Leoni e Adailton Fúria são pré-candidatos. As convenções partidárias que oficializam as candidaturas ainda não ocorreram.
RD Entrevista · 9ª edição · 08/06/2026

Cassol no horizonte

Questionado se Ivo Cassol estaria mesmo ao lado da chapa, Leoni evitou fazer qualquer convite público ao ex-governador. Disse que, se Cassol quiser aderir, será recebido com todas as honras, mas que constrangê-lo com um pedido direto não faz parte do seu jeito de agir.

“O Ivo, se quiser vir, virá e nós o receberemos com todas as honras pelo potencial que ele tem, pela liderança que ele tem. Mas eu jamais o constrangeria”, disse.

Sobre a comparação entre Fúria e Cassol, Leoni foi enfático. Segundo ele, o próprio prefeito de Cacoal afirmou, no ano passado, que não seria candidato se Cassol entrasse na disputa — por considerar o ex-governador seu espelho político.

“O Fúria tem muito do Ivo Cassol. O mestre na política do Fúria é o Ivo Cassol. Seria uma nova encarnação, evidentemente, que não vai substituir o Ivo, que foi o maior governador desse Estado, mas é alguém que segue os seus passos”, afirmou.

“Estão enfrentando um fenômeno”

Ao falar do desempenho eleitoral do aliado, Leoni não economizou elogios. Citou a reeleição de Fúria em Cacoal com cerca de 85% dos votos e disse que os adversários ainda vão se surpreender com o resultado das eleições estaduais.

“O Fúria é algo que a gente não conhecia ainda. O cara que faz 85% dos votos numa reeleição, isso não é para qualquer um. Então, ele tem alguma coisa de diferente. Os seus adversários não estão enfrentando um candidato qualquer. Estão enfrentando um fenômeno”, declarou.

Leoni também comentou a primeira caminhada que fez ao lado de Fúria no centro de Porto Velho. Admitiu que ficou inseguro antes de ir — com medo de não ser reconhecido e de passar mal ao aliado — mas disse que o resultado foi o oposto: uma recepção que chamou de “apoteótica”. Nessa mesma ocasião, observou o estilo do candidato de perto.

“Eu, às vezes, chegava até um pouco inibido em algum lugar e, quando eu vi, o Fúria já estava lá na cozinha da loja, conversando com todo mundo, tomando cafezinho, abraçando todo mundo, beijando todo mundo. E é por isso que, segundo as boas pesquisas, o Fúria já está na frente”, disse.

Folha Paralela: “Absolvido por unanimidade”

O trecho mais tenso da conversa envolveu o processo da Folha Paralela, episódio que marcou a trajetória de Leoni na Assembleia Legislativa. Ao ser questionado sobre como enfrentaria o tema durante a campanha, ele disse que o uso do caso por adversários só revelaria desespero.

“Quanto mais usarem, vão estar demonstrando que estão perdendo a corrida para a eleição. O cara que usa isso é no desespero, porque todos sabem que eu fui absolvido por unanimidade”, afirmou.

Leoni descreveu o processo como uma experiência de vergonha e tristeza. Segundo ele, a condenação de primeira instância foi injusta — a responsável pelo dinheiro teria declarado que ele não recebeu nada, e ainda assim o juiz o incluiu na sentença. O impacto político foi imediato: de quase 10 mil votos em uma eleição anterior — patamar que equivaleria hoje a cerca de 30 mil —, caiu para aproximadamente 3 mil ou 3,5 mil votos nos pleitos seguintes.

“Eu respondi a esse processo durante longos 14 anos, mas, no final, veio o resultado que eu tinha convicção que viria, que era a minha absolvição, porque aquele que não deve, não teme. E eu sabia que o nosso Judiciário iria tomar uma decisão correta e justa”, declarou.

O entrevistado também disse que já move ação contra uma pessoa que publicou informações que considera falsas sobre o caso. Ao ser informado por terceiros sobre esse tipo de publicação, afirma encaminhar diretamente ao advogado, sem sequer ler o conteúdo.

“Essas pessoas que fazem isso sabem que eu fui absolvido. Elas se fazem de bestas. São canalhas que acham que podem brincar com a honra das outras pessoas”, disse.

Sobre experiências anteriores com pedidos de desculpas na Justiça, Leoni relatou ter passado por três situações semelhantes. Em um dos casos, segundo ele, a pessoa “quase se urinou” diante do juiz ao pedir desculpas. Ele afirmou que não perdoou, exigiu pagamento e reverteu o valor a uma instituição de caridade.

Vice leal — e mais irritado com o vice de Cacoal do que o próprio Fúria

Vinícius Canova trouxe à tona o conflito entre Fúria e seu vice-prefeito em Cacoal para perguntar se Leoni, em eventual governo, poderia pregar uma peça parecida no aliado. A resposta foi direta.

“De jeito nenhum. Eu serei o vice-governador mais leal da história desse Estado. Eu não sei agir de outra forma”, afirmou.

Leoni disse que seu papel seria levar as demandas de Porto Velho ao governador, debater internamente e respeitar a palavra final de quem estiver no comando do Executivo. Sobre o vice de Cacoal, afirmou que Fúria nem se abala com a situação — e que, curiosamente, é ele próprio quem fica mais incomodado com o caso.

“Quem está mais bravo com o vice dele sou eu do que ele”, disse.

Polarização: “Uma grande bobagem”

Na reta final da entrevista, Leoni foi questionado sobre a polarização entre Lula e Bolsonaro. Classificou o fenômeno como prejudicial ao país e defendeu que tanto gestores de esquerda quanto de direita têm obrigação de atender bem à população.

“Eu estou muito mais à direita, o Fúria também. Somos pré-candidatos que representam o sentimento e o pensamento conservador. Agora, com absoluto respeito ao que os progressistas pensam. Tem muita coisa boa que pode e deve ser aproveitada na ideologia progressista”, disse.

Leoni revelou ter votado nas reeleições de Lula e de Dilma — não nos primeiros mandatos — por avaliar que ambos haviam feito muito por Rondônia nos respectivos primeiros governos. Também votou em Bolsonaro. Segundo ele, seu critério sempre foi o Estado, não o espectro ideológico nacional.

“Eu já votei no Lula, já votei na Dilma, não tem nenhum problema com isso. Já votei no Bolsonaro. Eu surfo em todas essas ondas sem me preocupar com aquilo que o pessoal comenta por aí, essa polarização idiota, imbecil”, afirmou.

Rádio e TV — mesmo sendo vice

Ao encerrar, Leoni garantiu que não pretende abandonar o rádio nem a televisão caso seja eleito. Disse que cumprirá horário no governo, ouvirá demandas e tentará interferir nas pautas públicas, mas que deixar sua profissão original seria, nas palavras dele, morrer um pouco.

“Aquilo que eu sempre fiz, eu vou continuar fazendo, porque isso está no meu DNA. E eu morro um pouco se eu deixar de exercer a minha profissão original. Então, eu vou continuar vivo para poder vivo tratar do nosso povo”, concluiu.


Everton Leoni e Adailton Fúria são pré-candidatos. As convenções partidárias que oficializam as candidaturas ainda não ocorreram.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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