Coluna revisita os dez anos do impeachment de Dilma, coloca a corrupção no centro do debate e analisa candidaturas, nominatas competitivas e decisões judiciais que movimentam o tabuleiro eleitoral de Rondônia
Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
Dez anos do impeachment: Dilma caiu por pedaladas fiscais ou por perder a guerra política contra o Congresso Nacional?
CARO LEITOR, dez anos depois, o impeachment de Dilma Rousseff (PT-MG) continua sendo uma ferida aberta na política brasileira. Em 31 de agosto de 2016, o Senado cassou o mandato da presidente por 61 votos a 20. A justificativa formal foram as chamadas pedaladas fiscais e decretos de crédito suplementar. Mas, passada uma década, é preciso separar o discurso político dos fatos: Dilma não foi cassada por enriquecimento ilícito, não foi condenada por corrupção e o processo não estabeleceu sua participação pessoal em esquemas criminosos de desvio de recursos públicos. O que existia era uma crise econômica profunda, um governo politicamente isolado e uma relação em frangalhos com o Congresso Nacional. Dilma perdeu a capacidade de articulação e, sobretudo, o controle da maioria parlamentar. Seus defensores enxergam retaliação política e reação ao enfrentamento da corrupção; seus adversários, responsabilidade fiscal e perda de governabilidade. Dez anos depois, uma coisa permanece: o impeachment encerrou um mandato, mas não encerrou a controvérsia.
Enriquecimento
É preciso registrar o óbvio: Dilma Rousseff (PT-MG) não foi cassada por enriquecimento ilícito. O processo de impeachment não apontou patrimônio incompatível nem teve enriquecimento pessoal como fundamento. A acusação tratou de crimes de responsabilidade fiscal.
Corrupção
Também não houve condenação de Dilma (PT-MG) por participação pessoal em esquemas de corrupção. A Lava Jato atingiu integrantes de governos do PT, mas responsabilização política não substitui prova individual. Confundir as duas coisas é reescrever a história.
Ceder
Na leitura de seus defensores, Dilma (PT-MG) pagou politicamente por não ceder ao jogo do Congresso Nacional em relação às emendas, distribuição de cargos e por apoiar o combate à corrupção. A tese é controversa, mas há um fato: quando perdeu sustentação parlamentar, perdeu também as condições políticas de permanecer no Planalto.
Aprender
Gabriel Paroca, dono do Restaurante Paroca, sentou comigo durante o almoço de ontem (31/08) e, entre um prato e outro, o papo virou política. Em certo momento, disparou: “Professor, nenhum presidente dará certo no Brasil enquanto o povo não aprender a votar para mudar o Congresso Nacional.”
Responsabilidade
A reflexão de Gabriel Paroca vai além da crítica ao presidente da República: coloca o eleitor diante da própria responsabilidade. Afinal, não adianta trocar o inquilino do Palácio do Planalto se as urnas continuam entregando ao Congresso Nacional os mesmos representantes.
Problema
Quem reclama do governo, mas mantém nas urnas os mesmos políticos no Congresso Nacional, também alimenta o problema que depois critica. A mudança não começa apenas no Planalto: começa na consciência do eleitor e na escolha de quem ocupará o Parlamento brasileiro.
Entrevista
Falando em Parlamento, a vereadora Sofia Andrade (PL), candidata novamente à Câmara dos Deputados, concedeu entrevista a Carlos Caldeira, no quadro “Sem Filtro, Eleições 2026”, da TV Norte SBT, e colocou a corrupção no centro do debate.
Quem
Sofia foi direta: “Por que Porto Velho não avança? Por causa da corrupção!”. A frase é forte e, no mínimo, provoca uma pergunta incômoda: quem, exatamente, a vereadora está acusando ao fazer uma afirmação tão abrangente sobre a política local?
Coragem I
E aí, leitor, você concorda com Sofia Andrade? Ao falar genericamente em corrupção, ela está se referindo ao prefeito Léo Moraes (Podemos), aos vereadores, aos gestores públicos, aos deputados estaduais ou à bancada federal? Crítica política exige coragem, mas também exige responsabilidade.
Coragem II
Falando em coragem, é justo reconhecer que Hildon Chaves (União) conduziu uma gestão austera em Porto Velho. Diante de denúncias, determinava apuração e exigia respeito aos critérios técnicos. Combate à corrupção não pode ser só discurso.
Confiança
Agora candidato a governador, Hildon Chaves (União) repete, em entrevistas e discursos, a promessa de combater a corrupção no Estado e, sobretudo, o desperdício do dinheiro público. Não duvido de sua disposição: sua experiência à frente da Prefeitura de Porto Velho autoriza essa confiança.
Experiência
Hildon Chaves (União) promete transformar os recursos públicos em ações concretas capazes de melhorar a qualidade de vida dos rondonienses, seguindo a experiência de sua gestão em Porto Velho, onde, segundo sua avaliação, os resultados alcançados demonstraram que planejamento e eficiência podem fazer a diferença.
Trajetória
O candidato a governador Marcos Rogério (PL) construiu, ao longo de duas décadas de vida pública, uma trajetória sem envolvimento em escândalos de corrupção. Como parlamentar, na Câmara dos Deputados e no Senado, destacou-se por denúncias e pelo combate a práticas de corrupção e ao mau uso dos recursos públicos.
Endurecimento
A candidata ao Senado Mariana Carvalho (Republicanos) exerceu dois mandatos como deputada federal e construiu sua trajetória política sem envolvimento em escândalos de corrupção. Ao longo da vida pública, defendeu o endurecimento das leis e o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção.
Responder
O candidato ao Senado Fernando Máximo (PL) precisa enfrentar, com transparência, as investigações relacionadas ao período em que esteve à frente da Secretaria de Estado da Saúde, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Mais do que isso, deve manter diálogo franco com os eleitores e responder aos questionamentos da imprensa sempre que o tema voltar ao debate público.
Atuação
A candidata ao Senado Silvia Cristina (PP), com dois mandatos de deputada federal, construiu sua trajetória política sem envolvimento em escândalos de corrupção. Sua atuação parlamentar reforça a imagem de independência, fiscalização e defesa do uso correto dos recursos públicos.
Renovação
Bruno Bolsonaro Scheid (PL) surge na disputa pelo Senado como uma nova promessa de renovação e combate à corrupção. Com discurso de firmeza contra desvios e privilégios, tenta conquistar o eleitor que cobra mais rigor e transparência na política.
Consolidou
Com cinco mandatos na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), o deputado estadual Luizinho Goebel (PL) consolidou uma trajetória de experiência e longevidade política. Em sua carreira, não há registro de envolvimento em escândalos de corrupção.
Consolidar
Em busca do segundo mandato na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), o deputado Cássio Gois (PSD) mantém a estratégia de consolidar uma carreira política pautada pela atuação pública e sem envolvimento em escândalos de corrupção.
Apto
O TRE-RO deferiu ontem (31) o registro de candidatura do deputado Alan Queiroz (PL), afastando o pedido de indeferimento do Ministério Público Eleitoral. Com a decisão, o parlamentar está apto a disputar a reeleição em 2026.
Continuidade
A trajetória de Alan Queiroz (PL) é marcada por sucessivos mandatos no Legislativo. Antes da Assembleia, exerceu quatro mandatos como vereador de Porto Velho. Agora, busca renovar sua cadeira no Parlamento estadual e ampliar sua atuação nas eleições.
Oportunidade
Com registro deferido, Alan Queiroz (PL) entra oficialmente na corrida pela reeleição. O desafio será transformar experiência, presença política e entrega de resultados em votos numa nominata pesada e competitiva.
Foice
A nominata do Avante promete uma verdadeira briga de foice pelas vagas na Assembleia Legislativa. Com Marcelo Cruz como principal nome e candidato à reeleição, Dr. Breno Mendes, Zé Paroca, Dr. Ferrari, Laércio Torres, Clebim Fúria, Roni Irmãozinho e Marcos Combate disputam espaço.
Peso
A tendência é de uma disputa apertada pela segunda e terceira cadeiras. Com 21 candidatos oficialmente registrados, o Avante aposta em uma nominata competitiva, mas cada voto terá peso decisivo para definir quem transformará desempenho individual em mandato na ALERO.
Cassação
A decisão unânime do TRE-RO manteve a cassação dos votos do PSB de Porto Velho por fraude à cota de gênero nas eleições de 2024. A retotalização altera a composição da Câmara Municipal e produz efeitos sobre o resultado eleitoral na capital, segundo a decisão.
Retotalização
O caso reforça o rigor da Justiça Eleitoral contra candidaturas femininas fictícias. Com a anulação dos votos do PSB e a retotalização, os vereadores Everaldo Fogaça (PSD) e Adalto do Bandeirantes (Republicanos) deixam a Câmara, dando lugar a Evaldo da Agricultura (PSDB) e Jamilton Costa (PRTB).
Sério
Falando sério, entre candidaturas deferidas, disputas acirradas, nominatas em ebulição e decisões judiciais que mexem no tabuleiro, a eleição de 2026 mostra que ninguém pode cantar vitória antes da hora. Nas urnas, é o eleitor quem dá a palavra final.

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AUTOR: HERBERT LINS





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