Equipamento utilizado na manutenção da ferrovia também fez parte das brincadeiras de crianças da Vila Candelária e permanece como símbolo da história da capital
Porto Velho, RO – A preservação de equipamentos históricos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré mantém vivas as experiências de trabalhadores e moradores que acompanharam o funcionamento da ferrovia em Porto Velho. Entre essas peças está a Cegonha, uma estrutura de madeira e ferro que, além de auxiliar nas atividades ferroviárias, marcou a infância de famílias que viviam nas proximidades dos trilhos.
Um dos relatos sobre o equipamento pertence a Seu Moisés, antigo morador da Vila Candelária. Durante a infância, ele costumava se reunir com cinco ou seis amigos para brincar nas proximidades da ferrovia. Entre as lembranças daquele período estão as travessuras envolvendo a Cegonha utilizada pelo ferroviário Paulo Shockness, conhecido, segundo Moisés, pela habilidade na fabricação dessas estruturas.
O equipamento era movimentado manualmente sobre os trilhos e permitia o deslocamento dos trabalhadores por pequenos trechos da linha férrea. Sua utilização facilitava serviços de manutenção e o acesso a pontos que necessitavam de atendimento, inclusive em situações de emergência.
Apesar da finalidade profissional, a Cegonha também despertava o interesse das crianças que conviviam diariamente com a movimentação ferroviária. Seu Moisés conta que ele e os amigos aproveitavam os momentos em que Paulo Shockness estava ocupado para retirar o equipamento de seu lugar e utilizá-lo nos trilhos até a cidade.
Segundo o morador, quando o ferroviário precisava retornar, frequentemente descobria que a Cegonha havia desaparecido. Em algumas ocasiões, alguém encontrava o equipamento e providenciava sua devolução. Caso contrário, Paulo precisava percorrer o trajeto a pé.
Ao recordar os episódios, Seu Moisés relata com humor as situações vividas pelo grupo. As histórias mostram como a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré estava integrada à rotina dos moradores da Vila Candelária, fazendo parte tanto das atividades profissionais quanto das experiências da infância.
Atualmente, a Cegonha representa um dos elementos da memória ferroviária de Porto Velho. Embora não seja mais utilizada para transportar trabalhadores durante os serviços de manutenção, sua preservação contribui para o registro das atividades desenvolvidas ao longo da ferrovia e das relações estabelecidas entre os ferroviários e as comunidades próximas.
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, destacou a importância de conservar esses equipamentos como parte do patrimônio histórico do município. Segundo ele, a iniciativa permite manter as lembranças dos moradores que participaram desse período e reconhecer a contribuição dessas pessoas para a formação da identidade da capital.
“A Cegonha carrega parte da história de Porto Velho e, junto dela, as lembranças de quem viveu esse período”, afirmou o prefeito.
O professor e historiador Aleks Palitot também ressaltou que o significado histórico da Cegonha ultrapassa sua função como instrumento de transporte ferroviário. Para ele, a conservação da peça possibilita que experiências de antigos trabalhadores e moradores continuem sendo conhecidas pelas próximas gerações.
“Preservá-la é garantir que lembranças como as de Seu Moisés continuem fazendo parte da história de Porto Velho”, declarou Palitot.
A trajetória da Cegonha está diretamente relacionada ao cotidiano da Madeira-Mamoré, empreendimento que marcou o desenvolvimento histórico de Porto Velho. Além das atividades realizadas pelos ferroviários, o equipamento reúne lembranças de famílias que cresceram acompanhando a movimentação dos trabalhadores e a circulação sobre os trilhos.
Com sua função original encerrada, a estrutura permanece como testemunho desse período. Relatos como o de Seu Moisés contribuem para documentar aspectos da vida cotidiana na região da ferrovia e reforçam a importância da conservação do patrimônio histórico e cultural da capital rondoniense.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





