Coluna analisa a pressão de Sofia Andrade sobre Léo Moraes, as especulações para o futuro governo de Marcos Rogério, os obstáculos jurídicos envolvendo Ezequiel Neiva, a possível presença de Patrícia Rigotti na área social e a necessidade de revisar a compra de testes de Covid-19
RESENHA POLITICA
ROBSON OLIVEIRA
ESTRIDENTE
A deputada federal eleita Sofia Andrade parece ter escolhido o caminho mais barulhento para cobrar de Leo Moraes uma posição em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com carro de som, gritos amplificados e uma abordagem ostensiva pelas ruas da capital, transformou a cobrança em um episódio de confronto público. O detalhe que torna a cena politicamente intrigante é que, segundo declarações anteriores atribuídas ao prefeito, seu voto já tem endereço conhecido.
SUBORDINAÇÃO
Ora, se Leo Moraes já manifestou apoio ao filho de Jair Bolsonaro, qual é a necessidade de cobrar, aos berros, uma declaração que, em tese, já foi dada? A política permite divergências, cobranças e pressão. O que merece questionamento é a insistência em exigir uma demonstração pública de lealdade quando o posicionamento do cobrado já seria conhecido. Apoio político não é submissão, e aliança partidária não transforma ninguém em subordinado.
CONVICÇÕES
Leo tem sua própria trajetória e já demonstrou que sabe separar as disputas eleitorais das questões pessoais. Na eleição municipal em que enfrentou Mariana Carvalho, em uma disputa acirrada pela Prefeitura de Porto Velho, Jair Bolsonaro esteve na capital para pedir votos justamente para a adversária. Nem por isso Leo abandonou suas convicções, deixou de atuar no campo bolsonarista ou rompeu automaticamente com o eleitorado identificado com o número 22. Nas disputas posteriores, inclusive ao lado de Marcos Rogério, manteve sua identificação política.
CONFRONTO
Esse histórico torna a cobrança de Sofia ainda mais questionável do ponto de vista estratégico. Leo não precisa provar sua fidelidade a cada nova convocação, muito menos transformar o próprio voto em um ritual público para satisfazer as expectativas de outros integrantes do mesmo campo político. Mas há um aspecto ainda mais interessante nesse episódio: por que tanta disposição para confrontar justamente um aliado cujo apoio a Flávio Bolsonaro já teria sido declarado?
PREFEITURA
É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre a eleição presidencial e passa a tocar nos interesses da política municipal. Sofia está construindo uma posição de protagonismo próprio? Está tentando demarcar território? Ou pretende ocupar um espaço de liderança que hoje tem Leo Moraes como uma de suas principais referências?
DEDUÇÃO
Não há elementos suficientes para afirmar que a deputada eleita esteja de olho na cadeira do prefeito. Seria precipitado transformar uma suspeita em certeza. Entretanto, a forma escolhida para o confronto abre espaço para essa interpretação e torna inevitável o questionamento sobre o alcance político da iniciativa.
PODER
Afinal, quando alguém escolhe expor publicamente um aliado, insistindo em uma cobrança cujo conteúdo já teria sido atendido, é legítimo perguntar se o objetivo é apenas defender uma candidatura ou também ampliar a própria visibilidade e marcar posição na disputa pelo poder.
CONSTRANGIMENTOS
Sofia tem todo o direito de defender Flávio Bolsonaro. O que não se pode exigir de Leo Moraes é que se comporte como se precisasse renovar diariamente um certificado de fidelidade política. O apoio eleitoral não elimina a autonomia de uma liderança, assim como a identidade ideológica comum não obriga aliados a se submeterem a constrangimentos públicos.
PALCO
Na política, o volume do carro de som pode chamar a atenção, mas não substitui a consistência dos argumentos. E gritar mais alto não significa, necessariamente, ter mais razão. No fim das contas, fica uma pergunta incômoda para a deputada eleita: se Leo Moraes já declarou seu voto, o que exatamente ainda precisa ser provado? Talvez a questão não seja convencer o prefeito a apoiar Flávio Bolsonaro. Talvez seja demonstrar quem pretende ocupar o centro do palco político de Porto Velho daqui para a frente. Porque, quando a cobrança por lealdade se torna um espetáculo, vale observar não apenas quem está sendo pressionado, mas também quem está tentando ganhar protagonismo com a pressão.
GOVERNO
As especulações sobre os nomes que poderão integrar um eventual governo de Marcos Rogério já começam a movimentar os bastidores e a ocupar espaço nas manchetes políticas. E a tendência é que esse movimento se intensifique à medida que o calendário avance e se aproxime o momento de definir quem estará ao lado de um possível governador.
BALÃO
Não há nada de anormal nisso. A formação de governos sempre alimentou apostas, conjecturas e articulações antecipadas. Faz parte do jogo político e da rotina dos meios de comunicação. Boa parte dos nomes lançados, entretanto, não passa de balão de ensaio, naquela velha estratégia dos bastidores: joga-se a informação no ar para ver se cola, medir reações e testar resistências.
EXPERIENTE
Mas nem toda especulação nasce do acaso. Há nomes que aparecem nas conversas porque reúnem experiência administrativa, influência política e capacidade de articulação. É o caso de Ezequiel Neiva.
FORÇA
Com passagem por cargos de primeiro escalão no governo, Neiva construiu relações políticas e mantém influência entre parlamentares. Sua força também se evidencia na eleição consistente do filho para deputado estadual, resultado que demonstra a capacidade eleitoral do grupo familiar e sua presença no cenário político de Rondônia.
CREDENCIAIS
Por isso, a possibilidade de seu aproveitamento em uma eventual administração de Marcos Rogério não pode ser tratada como mera conversa de corredor. Politicamente, Ezequiel tem credenciais e interlocução para figurar entre os nomes lembrados na composição de um governo. O problema é que o peso político não resolve, por si só, os obstáculos jurídicos.
CONTA
A situação de Ezequiel Neiva exige atenção justamente por causa dos efeitos de uma decisão relacionada à improbidade administrativa, apontada como fundamento de sua inelegibilidade. A restrição jurídica é um fator que precisa entrar na conta antes que qualquer especulação sobre sua nomeação seja tratada como uma possibilidade concreta.
RESTRIÇÃO
Há, contudo, uma distinção importante: estar inelegível não significa, automaticamente, estar impedido de assumir qualquer cargo público. Para afirmar que Neiva está legalmente impossibilitado de integrar o primeiro escalão de um eventual governo, é necessário verificar o conteúdo da decisão judicial, a duração de seus efeitos e a existência de norma específica que impeça a nomeação. Se a restrição aplicável ao caso efetivamente alcançar o exercício da função pretendida e continuar em vigor, o impedimento poderá inviabilizar sua indicação, independentemente de sua força política ou de sua proximidade com o futuro governante.
REQUISITOS
É justamente aí que a especulação encontra seu limite. Nos bastidores, um nome pode ser lembrado, defendido e até considerado estratégico para determinada composição. Mas a decisão política de nomear alguém precisa respeitar os requisitos legais.
ÓBICE
Se o impedimento estiver efetivamente configurado, o obstáculo será maior do que qualquer articulação de bastidor. E, nesse caso, Ezequiel poderá até aparecer nas listas de possíveis integrantes de um governo Marcos Rogério, mas a realidade jurídica poderá encerrar a discussão antes mesmo de uma eventual nomeação. Na política, os nomes circulam com rapidez. A lei, porém, não se curva às especulações. Embora Neiva seja um bom quadro e um político bem articulado.
CERTEZA
É dado como certo nos bastidores que a primeira-dama Patrícia Rigotti deverá assumir a Secretaria de Ação Social no governo de Marcos Rogério. Advogada de formação, ela tem como marcas a discrição e a simplicidade. Esteve sempre ao lado do esposo durante a campanha, acompanhando de perto sua caminhada política. Quem a conhece destaca a maneira tranquila e atenciosa com que se relaciona com as pessoas, independentemente de posição social. Seu perfil reservado e acolhedor poderá imprimir uma marca própria à área social do futuro governo.
TESTES
A nova gestão de Marcos Rogério precisa incluir na revisão da Saúde os documentos da compra de 100 mil testes de Covid-19 investigada na Operação Polígrafo. O contrato original de R$ 10,5 milhões envolve questionamentos sobre preço, escolha da fornecedora, atraso e qualidade dos produtos. Há perguntas administrativas que o próximo governo pode esclarecer com documentos e uma análise técnica.
PERGUNTAS
O trabalho começa por estabelecer quanto o Estado efetivamente pagou, quais descontos foram aplicados, que multas foram cobradas e se houve recuperação de recursos. Valor contratado, dinheiro desembolsado e prejuízo estimado são coisas diferentes. Uma prestação de contas compreensível precisa apresentar cada número e o documento que o sustenta.
RECONSTRUÇÃO
Um dos episódios que exigem atenção é a resistência de setores técnicos em receber os produtos. A então diretora do Lacen relatou que o laboratório não havia solicitado os testes nem participara da compra. Depois, foi constituída uma comissão específica de recebimento. Cabe reconstruir o procedimento: quem verificou a quantidade, quem avaliou a conformidade e quais informações estavam disponíveis quando os produtos foram aceitos.
GENÉRICOS
O relatório policial menciona resultados insatisfatórios em avaliações do INCQS/Fiocruz. Esse ponto merece exame por profissionais habilitados, com acesso aos laudos completos. É necessário esclarecer quais lotes foram avaliados, quais limitações foram identificadas, quem recebeu os resultados e que providências foram adotadas. Sem essa sequência, o debate fica preso entre a acusação genérica e a justificativa igualmente genérica.
CRONOLOGIA
Os envolvidos apresentam explicações diferentes. Há quem invoque a emergência sanitária, quem delimite sua participação à representação comercial e quem atribua sua atuação apenas à importação ou ao frete. Cada versão deve ser conferida com contratos, mensagens, pagamentos e atribuições funcionais. A revisão será útil se produzir uma cronologia verificável, acompanhada das respostas de quem participou.
DIAGNÓSTICO
Rogério pode determinar que Saúde, Controladoria e Procuradoria consolidem o histórico dos procedimentos já instaurados, das decisões tomadas e das medidas ainda cabíveis. O volume examinado contém, inclusive, uma absolvição administrativa de uma empresa nas imputações ali analisadas. Resultados favoráveis e desfavoráveis precisam integrar o diagnóstico. Reabrir discussão sem conhecer o que já foi decidido seria repetir trabalho e criar ruído.
CUIDADOS
O resultado deve ser divulgado na extensão permitida pelo sigilo e pela proteção dos dados envolvidos. A população precisa compreender o destino do dinheiro e as falhas eventualmente identificadas. Também precisa saber quais controles serão adotados para evitar sua repetição.
TESTES
A revisão desses fatos será uma oportunidade para a nova gestão demonstrar seus critérios de fiscalização. O teste será a disposição de examinar os documentos, acolher as explicações sustentadas por provas e encaminhar as irregularidades que forem confirmadas. Na Saúde, esclarecer uma compra passada também pode melhorar a próxima.
Com informações de: Robson Oliveira

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AUTOR: ROBSON OLIVEIRA





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