Pará registra 321 incêndios ativos em 76 municípios; avanço das queimadas provoca decretos de emergência e mobilização de recursos federais
Porto Velho, RO – A situação de emergência provocada pela estiagem e pelos incêndios florestais já atinge 16 municípios do Pará. Em Altamira, no sudoeste do estado, a prefeitura decretou a medida para áreas urbanas, rurais e ribeirinhas. Outros sete pedidos de reconhecimento federal permanecem em análise, enquanto as autoridades ampliam as operações de combate às queimadas.
Para atender às regiões afetadas, o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, na quarta-feira (21), a Medida Provisória 1398/26, que prevê a abertura de crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento de 2026. Os recursos serão destinados a ações da Defesa Civil em diferentes regiões do país, especialmente ao enfrentamento dos incêndios na Amazônia.
A liberação de recursos foi justificada pelo governo diante da redução das chuvas associada ao fenômeno El Niño. Segundo a avaliação federal, o cenário contribuiu para o crescimento do número de municípios em condições de seca moderada a severa. A capacidade limitada de resposta das administrações municipais também foi apontada como motivo para acelerar o apoio financeiro.
No Pará, dados apresentados nesta quinta-feira (22) indicam a existência de 321 eventos de fogo ativos, distribuídos por 76 municípios. Entre os dias 14 e 20 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 2.991 focos de calor no território paraense, número que representa um acréscimo de 610 registros em relação ao período de comparação informado.
O estado lidera as ocorrências de incêndios florestais no Brasil, conforme os levantamentos da plataforma Queimadas, mantida pelo Inpe. Parte significativa das operações está concentrada na região do Chapadão, situada entre os municípios de Santarém e Uruará, no oeste paraense.
Nessa área, foram contabilizados 62 incêndios florestais. A região fica próxima à rodovia estadual PA-370, possui ligação com a Transamazônica (BR-230) e abrange também áreas do município de São Félix do Xingu.
Diante da situação, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima anunciou o reforço das equipes e dos equipamentos utilizados no enfrentamento às chamas. A estrutura mobilizada reúne 522 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Também estão disponíveis 41 veículos terrestres e 13 aeronaves. Desse total, seis aviões do modelo Air Tractor serão utilizados no lançamento de água sobre os incêndios, com bases operacionais instaladas na região de Santarém.
Durante entrevista coletiva realizada na quinta-feira, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, explicou que a atuação federal também envolve órgãos de segurança pública. A mobilização ocorre diante de dificuldades enfrentadas pelos brigadistas em determinadas localidades.
Segundo o ministério, parte das queimadas está concentrada em áreas ocupadas irregularmente dentro de assentamentos da reforma agrária e reservas legais. Nesses pontos, foram identificadas práticas inadequadas de manejo, incluindo a utilização intencional do fogo.
Para reforçar a segurança das equipes, a Força Nacional foi acionada. Capobianco informou que a medida busca garantir condições de trabalho aos profissionais envolvidos no combate aos incêndios, diante de episódios que teriam dificultado a atuação em campo.
A possível participação de grupos ou indivíduos na provocação criminosa dos incêndios também está sendo apurada pelas forças policiais. O ministro ressaltou, entretanto, que ainda não existe confirmação de responsabilidade criminal pelos episódios investigados.
“Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”, declarou Capobianco.
O ministro também destacou a necessidade de colaboração da população, principalmente para evitar a utilização inadequada do fogo e comunicar às autoridades eventuais práticas criminosas relacionadas às queimadas.
Além das medidas emergenciais, o governo federal informou que mantém ações preventivas para reduzir os impactos das condições climáticas sobre a vegetação. Segundo Capobianco, essas iniciativas consideram o aumento da vulnerabilidade das florestas aos incêndios observado desde 2024.
“Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”, afirmou o ministro.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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