Luis Eduardo Maiorquin aponta falhas de gestão e elaboração apressada de proposta em conversa no podcast Resenha Política
Porto Velho, RO – O presidente do Sindicato Médico de Rondônia (Simero), Luis Eduardo Maiorquin, participou de entrevista no podcast Resenha Política, conduzido pelo jornalista Robson Oliveira, cuja íntegra vai ao ar nesta terça-feira, 6 de maio. Durante a conversa, Maiorquin fez críticas ao projeto de privatização de serviços médicos do Estado de Rondônia e expôs preocupações com o modelo que está sendo proposto.
Ao ser questionado sobre a situação da saúde pública, Maiorquin afirmou que a crise atual é resultado de má gestão. “A saída da saúde do Estado de Rondônia é privatizada mesmo porque é tão caos. Isso traz uma situação que é ficta em dizer: nada funciona lá, então nós vamos terceirizar. Só que o problema que está acontecendo lá é um problema da gestão”, declarou.
Durante a entrevista, ele destacou que o projeto foi elaborado em um prazo muito curto e sem a participação de profissionais da área. “Isso é um projeto que está em torno de meio bilhão por ano, um pouco mais de meio bilhão por ano, feito em três dias. Detalhe. Em três dias, por profissionais que eu julgo ser inteligentes, mas que não têm conhecimento de causa, não conhecem a porta do João Paulo de forma correta”, criticou. Segundo ele, nem mesmo o diretor clínico do Hospital João Paulo II, principal unidade de urgência e emergência do estado, foi consultado, assim como os sindicatos da área médica. “Nem os sindicatos ainda foram chamados. Isso foi feito em três dias. Fechado por pessoas que são assessores técnicos, dirigida por talvez uma ilação. Por alguém que não tem conhecimento em saúde pública”, acrescentou.
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Maiorquin também explicou que o projeto de privatização abrange não apenas atividades-meio, como limpeza e tratamento de resíduos hospitalares — serviços já terceirizados há anos —, mas também a execução direta de atividades-fim da saúde pública. “Nesse projeto de privatização da atividade-fim, não é aquele negócio de limpeza que é natural, que já tem a terceirização. É atividade médica, atividade de enfermagem, fisioterapia, enfim, nutrição, tudo, tudo. O governo sai de cena e entra uma empresa para fazer o todo, para fazer o todo”, detalhou.
Ao comentar a atuação do atual secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, Maiorquin adotou tom respeitoso, mas expôs limitações técnicas do gestor. “Deixo um abraço a ele, pessoa legal, acessível, acho que tem boas intenções, não enxergo nele maldade, coisas erradas, mas ele infelizmente não tem domínio da pasta de conhecimento técnico do ponto de vista de discutir saúde pública”, afirmou. Segundo o presidente do Simero, o próprio secretário teria reconhecido que sua formação é voltada para a área de infraestrutura. “Ele disse que era um tocador de obras da Secretaria de Obras que foi para lá para tocar obras, mas não conseguia nem fazer hospital”, relatou.
Mesmo admitindo confiar na boa-fé de Jefferson Rocha, Maiorquin ponderou que a responsabilidade sobre o projeto é do titular da pasta. “No entorno dele tem uma equipe técnica, que fez isso daqui, que deve ser a responsável por isso, diretamente. Mas quem responde é o secretário. Ele é o secretário, ele é o ordenador de despesa”, concluiu.
A entrevista completa com Luis Eduardo Maiorquin será disponibilizada nesta terça-feira, dia 6 de maio, no Resenha Política. A entrevista é transmitida paralelamente, de forma exclusiva, pelo Rondônia Dinâmica.
