Mesmo com o ex-presidente preso, partido projeta força eleitoral em 2026 ao articular pré-candidatura ao governo e uma chapa robusta ao Senado, ancorada em Marcos Rogério, Fernando Máximo e Bruno Scheid
O passo mais recente dado pelo Partido Liberal em Rondônia extrapola a formalidade de uma reunião interna e aponta para uma estratégia clara de poder com horizonte em 2026. Sob o comando do senador Marcos Rogério, presidente estadual da legenda, o PL sinaliza a intenção de ocupar simultaneamente todos os espaços do jogo político: Governo do Estado, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Esse desenho mantém como eixo simbólico e ideológico a figura de Jair Bolsonaro, presidente de honra do partido, mesmo diante do cenário adverso representado por sua prisão.
O encontro realizado no último sábado, amplamente repercutido nas redes sociais do senador, teve como foco alinhar discurso, estabelecer diretrizes e, principalmente, consolidar nomes. Longe de um evento protocolar, a reunião funcionou como vitrine de um projeto que busca apresentar o PL ao eleitorado rondoniense como uma força organizada, coesa e dotada de quadros experientes, aptos a disputar poder em todos os níveis.
Os números mais recentes da pesquisa Real Time Big Data, divulgada em dezembro a partir de 1.200 entrevistas, oferecem um pano de fundo quantitativo a essa estratégia. Nos cenários testados para o governo estadual, o partido aparece competitivo: Marcos Rogério alcança 19% no cenário 2 e 23% no cenário 4, este último empatado tecnicamente na liderança com Adaílton Fúria (23%), dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Ainda nos cenários de governo, Fernando Máximo aparece com 22% no cenário 1 e lidera isoladamente com 26% no cenário 3, desempenho que o coloca à frente de outros nomes tradicionais do estado.
No campo da disputa ao Senado Federal, os dados também reforçam a presença dos quadros que o PL articula. Em um dos testes, Marcos Rogério atinge 22%, à frente de nomes como Coronel Marcos Rocha (21%) e Silvia Cristina (19%). No mesmo cenário, o pecuarista Bruno Scheid aparece com 12%, um número relevante para um nome ainda em consolidação, porém em franca ascensão. Em outro cenário de Senado, Scheid escala para 15%, ficando atrás apenas de Fernando Máximo (21%) e Rocha (20%), e mantendo Marcos Rogério com 18% entre as opções dos eleitores.
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No núcleo desse movimento está Marcos Rogério. Com trajetória política consolidada no estado e presença recorrente no debate nacional, o senador colocou formalmente seu nome à disposição para a disputa pelo Executivo estadual. Em suas declarações, enfatizou atributos associados à liderança e à capacidade de diálogo, sem abrir mão de uma identidade política bem definida. “Rondônia e o Brasil já conhece o Marcos Rogério, o que pensa, o que defende e como faz”, afirmou, ao associar sua pré-candidatura a um histórico construído no parlamento e na arena pública.
Ao tratar da possibilidade de concorrer ao governo, Rogério destacou a necessidade de escuta e articulação ampla. “Como pré-candidato a governador, eu tenho que ter a capacidade de dialogar com todos para mostrar que Rondônia precisa de um governo que tenha a capacidade de olhar para quem está sofrendo aqui”, declarou, conectando sua disposição eleitoral a temas como segurança pública, desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda. Em outra passagem, defendeu a busca por unidade no campo político que representa, ponderando que divergências não devem se sobrepor ao projeto coletivo.
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Esse discurso foi acompanhado por ações práticas. O senador relatou uma série de encontros com prefeitos e vereadores, apresentados como instrumentos para aferir o sentimento político no interior do estado. “Eu tenho que saber o sentimento de quem está dentro de casa, o que quer, o que pensa, qual é o caminho que a gente deve somar”, disse, ao sustentar que as conversas indicaram convergência em relação ao futuro político de Rondônia.
O projeto do PL, porém, não se limita ao Executivo estadual. Ao detalhar a estratégia para o Senado Federal, Marcos Rogério deixou explícita a intenção de formar uma chapa competitiva e alinhada ao bolsonarismo. O deputado federal Fernando Máximo foi anunciado como um dos nomes da legenda para a disputa de uma das vagas, ao lado de Bruno Scheid, aliado histórico de Jair Bolsonaro. “Hoje é Fernando Máximo e Bruno Scheid a nossa chapa para o Senado”, afirmou o senador, ao lembrar que o próprio Bolsonaro havia assumido o compromisso de apoiar a candidatura de Scheid antes do agravamento de sua situação jurídica. Máximo, cabe registrar, ainda integra formalmente os quadros do União Brasil.
A composição anunciada não ocorre ao acaso. Os dados da pesquisa realçam a competitividade de Máximo tanto no governo quanto no Senado, e mostram Scheid em patamares que, para um nome mais novo no cenário, indicam potencial de votação relevante. Essa pluralidade de performance confere ao PL uma base numérica para sustentar sua tentativa de ocupação de espaços.
Com essa articulação, o Partido Liberal busca se apresentar como uma espécie de superpotência política regional, capaz de capitalizar a herança eleitoral de Jair Bolsonaro e convertê-la em musculatura institucional, mesmo em um contexto político desfavorável. O discurso adotado durante o encontro sugere que, para a legenda, a prisão do ex-presidente não representou o esvaziamento do projeto, mas um elemento adicional na construção de uma narrativa de identidade e resistência.
O cenário que se desenha é o de um PL que aposta simultaneamente na experiência, na fidelidade ideológica e na ocupação estratégica de espaços. Ao lançar Marcos Rogério como pré-candidato ao governo e estruturar uma chapa ao Senado com Fernando Máximo e Bruno Scheid, o partido sinaliza que não pretende atuar de forma defensiva em 2026. Ao contrário, busca se consolidar como força central no debate político rondoniense, testando até que ponto a sombra de Jair Bolsonaro ainda é capaz de projetar influência eleitoral sobre o estado.
Se essa estratégia resultará em hegemonia ou encontrará limites impostos pelo novo ambiente político, a resposta caberá às urnas. Por ora, os dados disponíveis conferem ao PL material objetivo para sustentar sua ambição de disputar — com presença competitiva — todos os espaços relevantes da eleição estadual.









