Entre o desejo de renovação do eleitor rondoniense e a tentativa de reduzir a política a um duelo simplista
A cerca de um ano das eleições para o Governo de Rondônia, começa a ganhar espaço uma leitura apressada — e conveniente para alguns — que tenta enquadrar o processo eleitoral em uma lógica de polarização antecipada. Trata-se de uma construção que simplifica excessivamente o debate público, reduzindo-o a um confronto binário, como se a escolha do eleitor estivesse limitada a dois polos previamente definidos. Essa abordagem não apenas empobrece a discussão democrática, como também ignora sinais claros vindos da sociedade.
Os dados disponíveis apontam para um cenário distinto. Pesquisas indicam que mais da metade do eleitorado rondoniense manifesta o desejo por um nome novo à frente do Executivo estadual. Não se trata, necessariamente, de novidade etária ou estética, mas de renovação associada à capacidade de entrega, ao equilíbrio político e à disposição para governar além de trincheiras ideológicas. Esse eleitor demonstra cansaço de disputas personalistas e de projetos que se sustentam mais no antagonismo do que em propostas concretas.
A tentativa de impor uma polarização precoce acaba funcionando menos como informação e mais como indução. Ao antecipar um jogo que ainda está longe de se definir, parte da imprensa cria um ambiente artificial de “decisão tomada”, que não corresponde à realidade de um estado plural, diverso e atento a resultados. Rondônia tem histórico recente de escolhas pragmáticas, em que a avaliação da gestão pesa mais do que narrativas apaixonadas ou discursos maniqueístas.
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É nesse contexto que passam a ganhar espaço trajetórias associadas a desempenho administrativo consistente. Hildon Chaves, ao concluir seus mandatos à frente da Prefeitura de Porto Velho, deixou como legado uma capital com contas organizadas, obras estruturantes e reconhecimento que ultrapassou as fronteiras do estado. No interior, Flori Cordeiro, do Podemos, prefeito de Vilhena, também se consolida como referência de gestão, frequentemente citado entre os administradores municipais mais eficientes de Rondônia, com planejamento, foco em soluções práticas e resultados perceptíveis no cotidiano da população. Ambos se conectam diretamente ao sentimento revelado pelas pesquisas: a busca por gestores que entregam, e não por protagonistas de disputas ideológicas vazias.
A política, contudo, resiste a simplificações. Enxergá-la apenas como um embate entre “bem” e “mal” — uma lógica maniqueísta que ignora as inúmeras nuances da vida pública — é negar a complexidade das escolhas coletivas. Governar envolve conciliar interesses, administrar conflitos, tomar decisões técnicas e, sobretudo, entregar resultados. Quando o debate é reduzido a rótulos ideológicos, perde-se a oportunidade de discutir gestão, planejamento e capacidade de execução.
Reduzir o processo eleitoral a dois nomes não fortalece a democracia; ao contrário, silencia alternativas que podem representar equilíbrio, diálogo e eficiência. A pluralidade de candidaturas e ideias é o que permite ao eleitor comparar trajetórias, avaliar desempenhos e escolher com consciência. Atalhos narrativos podem até facilitar manchetes, mas não constroem um debate público saudável.
O eleitor rondoniense tem demonstrado que quer escolher — e escolher bem. Valoriza seriedade administrativa, trabalho entregue e respeito à inteligência coletiva. A polarização forçada revela mais sobre quem tenta controlar o discurso do que sobre o verdadeiro cenário político do estado. Em uma democracia madura, o caminho não é a imposição de narrativas, mas o confronto aberto de ideias, com espaço para todas as alternativas que dialoguem com a vontade popular









