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EMPUIRRA-EMPURRA
Pedágios abusivos na BR-364 detonam guerra política e expõem fuga coletiva de responsabilidades em Rondônia

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Opinião publicada pelo Rondônia Dinâmica analisa reações de senadores, deputados e vereadores após início da cobrança, com trocas de acusações, defesas institucionais e críticas ao modelo da concessão

Por Informa Rondônia - quinta-feira, 29/01/2026 - 09h09

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Porto Velho, RO – Na última quarta-feira, 28, o site de notícias Rondônia Dinâmica publicou opinião intitulada “Pedágios abusivos na BR-364: políticos se aproveitam, bancada empurra a culpa, Confúcio joga no colo de Bolsonaro e Rondônia paga a conta”. Na veiculação, o jornal online debate o jogo de empurra-empurra entre políticos de Rondônia que, de maneira alguma, admitem envolvimento com as tarifas abusivas praticadas ao longo da BR-364 após o início da operação da concessão por meio da Nova 364.

O texto parte do cenário já instalado: a cobrança do pedágio começou antes que usuários percebessem melhorias concretas na rodovia, o que ampliou a insatisfação popular e colocou o tema no centro do debate público. Segundo a análise, a implantação do sistema eletrônico free flow, associada a valores considerados elevados, passou a conviver com buracos, trechos degradados, acidentes recorrentes e mortes, reforçando a percepção de descompasso entre tarifa e serviço entregue.

Diante da pressão social, o senador Confúcio Moura, do MDB, decidiu se posicionar publicamente. Em publicações nas redes sociais, sustentou que a origem do processo de concessão remonta a 2019, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, período em que Tarcísio de Freitas chefiava o Ministério da Infraestrutura. O parlamentar argumentou que o atual governo apenas deu sequência a um procedimento já em curso, analisado por órgãos de controle como a Agência Nacional de Transportes Terrestres e o Tribunal de Contas da União. Em uma das manifestações, afirmou que presidiu a Comissão de Infraestrutura do Senado e que promoveu diversos debates, ressaltando que decisões dessa natureza não dependem da vontade isolada de um senador. Em tom mais direto, reagiu às críticas pessoais ao declarar que há tentativas de transferir exclusivamente a ele a responsabilidade pelo preço do pedágio, o que classificou como “politicalha” e movimento de pré-campanha.

A reação, no entanto, produziu efeitos imediatos no ambiente político. Pouco depois, o deputado federal Maurício Carvalho, do União Brasil, líder da bancada federal de Rondônia, afirmou em entrevista que praticamente todos os parlamentares do estado se posicionaram contra o modelo adotado para a concessão, com exceção de Confúcio. Segundo ele, reuniões foram realizadas com integrantes da bancada e houve resistência ao formato do contrato, declaração que reforçou a narrativa de isolamento do senador do MDB e, ao mesmo tempo, buscou afastar a responsabilidade coletiva dos parlamentares federais.

O texto do Rondônia Dinâmica aponta que essa estratégia de absolvição geral convive com uma contradição. Embora a Câmara dos Deputados não delibere formalmente sobre concessões, a bancada federal acompanhou o processo, teve acesso a informações, participou de discussões e não conseguiu impedir que a cobrança se iniciasse nos moldes atuais. A crítica recai sobre a falta de uma reação efetiva antes que o pedágio começasse a ser cobrado.

Antes mesmo desse embate, o senador Jaime Bagattoli, do PL, já havia cobrado publicamente um posicionamento de Confúcio Moura. Em vídeos divulgados nas redes, questionou a lógica de um contrato de longa duração, com cobrança imediata e impacto significativo no custo do transporte, e relatou conversas anteriores mantidas com o então presidente da Comissão de Infraestrutura enquanto o processo avançava.

Outro senador citado na análise é Marcos Rogério, também do PL, que passou a se manifestar apenas depois do início da cobrança. Ele informou ter procurado a ANTT para pedir diálogo, fiscalização e transparência. Para o jornal, a entrada tardia no debate reforça a percepção de que parte das reações políticas ganhou intensidade somente após o desgaste se tornar evidente e o tema alcançar forte repercussão nas redes sociais.

A discussão extrapolou o âmbito federal e chegou às câmaras municipais. Vereadores de Porto Velho e de outros municípios passaram a abordar o tema sob diferentes recortes. Breno Mendes, do Avante, defendeu isenção de pedágio para pacientes em tratamento oncológico e de hemodiálise. Marcos Combate, do Agir, destacou os efeitos indiretos da tarifa sobre o preço de alimentos e combustíveis, afirmando que o custo acaba sendo repassado à população em geral, inclusive a quem não utiliza veículo próprio. Para o site, essas manifestações dialogam com a realidade econômica, mas também demonstram como o pedágio se tornou um tema de alta visibilidade política.

No centro desse cenário, a postura de Confúcio Moura é tratada como contraditória. Após atribuir a origem do processo ao governo anterior, o senador divulgou nota oficial defendendo a concessão como uma decisão institucional necessária, ainda que reconhecendo a legitimidade das críticas aos valores cobrados. Reiterou que sempre apoiou o modelo por considerar a BR-364 uma rodovia perigosa, com histórico grave de acidentes, tentando dissociar a defesa da concessão do debate específico sobre tarifas.

A análise sustenta que esse posicionamento alimenta a percepção de distanciamento em relação aos efeitos concretos da política implementada, embora também destaque que a responsabilidade não pode ser atribuída a um único agente. Ao mesmo tempo, critica o esforço de setores da bancada em eleger Confúcio como vilão exclusivo de um processo que envolveu diversos atores, omissões e conveniências políticas ao longo dos anos.

Para o Rondônia Dinâmica, o pedágio da BR-364 acabou se transformando em uma plataforma de disputa política e de projeção eleitoral. Enquanto o processo avançava desde 2019, a população não foi mobilizada de forma clara e o impacto das tarifas não foi enfrentado com antecedência. O resultado descrito é a cobrança por uma rodovia ainda marcada por problemas estruturais, sob a promessa de melhorias futuras.

Na avaliação final apresentada pelo site, reduzir o debate a um embate entre culpados e inocentes não contribui para a solução do problema. O texto afirma que Confúcio Moura deve explicações públicas, mas pondera que responsabilizá-lo sozinho é insuficiente para explicar o cenário atual. Enquanto as narrativas se chocam, a BR-364 permanece como símbolo de uma falha coletiva, com pedágio caro, riscos à segurança e um debate político que, até agora, não produziu respostas concretas para os usuários da rodovia.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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