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ELEIÇÕES 2026
Hildon Chaves aponta falhas de gestão em Rondônia, critica pedágio da BR-364 e confirma que se afastou do governador

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Em entrevista ao podcast Resenha Política, ex-prefeito de Porto Velho evita cravar candidatura em 2026, nega articulações partidárias e afirma que cobrança na rodovia começou de forma “esquisita”, enquanto avalia que “a bancada dormiu”

Por Informa Rondônia - terça-feira, 03/02/2026 - 11h24

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Porto Velho, RO – A avaliação de que Rondônia enfrenta dificuldades profundas marcou a entrevista concedida pelo ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria com o Rondônia Dinâmica. O diagnóstico apresentado foi de que os problemas do Estado não se limitam ao campo financeiro, mas decorrem, sobretudo, de falhas administrativas, o que, segundo ele, resultou em um cenário político fragilizado. Ao tratar da concessão da BR-364, a forma como a cobrança do pedágio foi iniciada também foi questionada, com a afirmação de que o processo começou de maneira “esquisita” e com críticas à atuação da representação parlamentar.

Ao longo da conversa, foi sustentado que Rondônia, apesar do potencial econômico, atravessa um momento que não condiz com suas condições estruturais. A existência de uma crise política foi apontada como elemento central, associada a episódios recentes envolvendo o núcleo do governo estadual. Segundo o ex-prefeito, o contexto é amplamente conhecido por quem acompanha a política local, embora detalhes não tenham sido individualizados. A conclusão apresentada foi de que, em algum ponto da condução administrativa, decisões equivocadas foram tomadas.

Quando provocado a ser mais direto sobre o significado de “errar a mão”, a interpretação foi delimitada ao campo da gestão. Foi feita uma diferenciação entre debates nacionais sobre arrecadação e fenômenos fiscais e a realidade local, considerada distinta. Nesse sentido, foi afirmado que o problema não estaria ligado a teorias econômicas abstratas, mas ao comando administrativo do Estado. A convicção foi reafirmada mesmo diante da ponderação de que críticas pessoais poderiam ser atribuídas ao discurso, sendo destacado que a intenção seria corrigir distorções sem apontar nomes ou responsabilidades individuais.

O afastamento político em relação ao governador também foi confirmado durante a entrevista. Questionado sobre a relação após a última eleição, Hildon afirmou que não houve mais diálogo, relatando que não voltou a ser procurado desde então. A declaração evidenciou um distanciamento consolidado, sem que os motivos tenham sido detalhados, mas indicando a ruptura de uma aliança construída no pleito anterior.

As especulações sobre articulações partidárias e possíveis convites para mudança de legenda foram rebatidas de forma direta. A existência de reuniões envolvendo dirigentes de partidos maiores foi mencionada pelo apresentador, mas Hildon negou participação ou convite. Ele disse ter tomado conhecimento de encontros realizados por outras lideranças, mas afirmou não ter comparecido nem demonstrado interesse. Segundo relatou, hipóteses chegaram a ser levantadas por terceiros, porém não houve conversa formal ou negociação com ele.

Ao abordar o cenário eleitoral de 2026, a indefinição foi mantida. Embora tenha lembrado que lançou uma pré-candidatura ao governo, Hildon afirmou que o ambiente político segue instável, com surgimento frequente de novos nomes e rumores. Disse aguardar maior clareza do quadro e evitou confirmar qualquer projeto específico, reiterando que diferentes desfechos são possíveis, inclusive a ausência de candidatura. A ideia de ambição pessoal foi minimizada, com a afirmação de que não existe vaidade em ocupar o cargo de governador e que a trajetória política já seria considerada satisfatória após dois mandatos à frente da capital.

No debate sobre políticas públicas, a área da saúde foi tratada como um dos principais desafios. O modelo atual foi apontado como inviável para a entrega de um serviço de qualidade, avaliação que, segundo ele, não se restringiria à sua visão pessoal. Foi relatado que tentativas de alteração do formato enfrentaram forte resistência de órgãos de controle, corporações médicas e setores políticos. Como alternativa, foram defendidas parcerias com a iniciativa privada, inclusive por meio de parcerias público-privadas, sob o argumento de redução de custos, ainda que tenha sido reconhecida a necessidade de fiscalização e a possibilidade de substituição de empresas em caso de falhas.

A concessão da BR-364 foi outro ponto de tensão. Mesmo afirmando não dominar todos os detalhes contratuais, Hildon considerou estranho o início da cobrança com reajuste. A avaliação foi de que, uma vez iniciada a cobrança, medidas imediatas não resolveriam a situação. Nesse contexto, foi afirmado que a reação tardia do Parlamento contribuiu para o desfecho, sendo resumida na frase “a bancada dormiu”, acompanhada da observação de que, naquele momento, o problema já estaria consumado.

No trecho final da entrevista, experiências de gestão à frente da Prefeitura de Porto Velho foram usadas como referência. Hildon afirmou que ajustes fiscais rigorosos seriam uma das primeiras medidas em um eventual governo estadual, com foco na redução de desperdícios. Ele citou a melhora da classificação de risco da capital durante sua gestão e defendeu operações de crédito voltadas a investimentos. Exemplos de obras executadas com custos inferiores aos praticados pelo mercado e a substituição da iluminação pública por lâmpadas de LED foram apresentados como ilustrações de eficiência administrativa.

Aspectos pessoais também atravessaram a conversa. O ex-prefeito relatou ter retomado a atividade empresarial após deixar o cargo e descreveu o desgaste acumulado ao longo dos anos à frente da prefeitura. No encerramento, manteve o discurso de cautela quanto ao futuro político, reafirmando que, no momento, se coloca como pré-candidato, mas sem descartar outras possibilidades, inclusive a de não disputar cargo algum.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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