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CONGRESSO NACIONAL
73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6×1 sem redução salarial, aponta pesquisa nacional

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Levantamento da Nexus ouviu 2.021 pessoas nas 27 unidades da Federação e indica que maioria defende dois dias de descanso semanal, mas rejeita corte nos salários.

Por Informa Rondônia - sexta-feira, 13/02/2026 - 08h25

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Porto Velho, RO – A maior parte dos brasileiros acredita que a jornada semanal deve garantir ao menos dois dias de descanso. É o que mostra pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, realizada entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro nas 27 unidades da Federação, com 2.021 entrevistados a partir de 16 anos. Segundo o levantamento, 84% defendem a ampliação da folga semanal mínima para dois dias.

Quando questionados especificamente sobre o fim da escala 6×1, 73% manifestaram apoio à medida, desde que não haja redução de salário. De forma mais ampla, 63% se disseram favoráveis ao término do modelo atual. Ao serem informados sobre a possibilidade de diminuição da remuneração, o percentual de apoio cai para 28%, tornando-se minoritário. Outros 40% condicionaram o apoio à manutenção dos vencimentos, enquanto 5% afirmaram ser favoráveis ao fim da jornada, mas ainda não têm posição definida sobre eventual impacto salarial.

Entre os 22% que se declararam contrários ao encerramento da escala 6×1, 11% disseram que manteriam a oposição independentemente das condições. Já 10% admitiram rever a posição caso não haja alteração nos salários, afirmando que “se não mexer no bolso, eu topo”.

O debate é acompanhado por parte significativa da população. De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, 62% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento de que a proposta está em discussão no governo federal e no Congresso Nacional. Ele informou que 35% nunca ouviram falar do tema. Entre os que conhecem a discussão, 12% disseram entender bem a proposta e 50% declararam ter conhecimento parcial.

Tokarski avaliou que a principal controvérsia no Congresso deverá envolver a possibilidade de redução da jornada com ou sem diminuição da remuneração. Segundo ele, a pesquisa evidencia que há concordância quase unânime sobre a necessidade de uma folga adicional. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou. Ele acrescentou que as empresas defendem que eventual redução da jornada venha acompanhada de corte salarial, enquanto os trabalhadores, de modo geral, rejeitam essa hipótese.

Na análise do executivo, o perfil socioeconômico do país influencia a percepção dos entrevistados. Ele observou que, em um contexto de renda média baixa e maior precarização do trabalho, poucos aceitam trocar um dia a mais de descanso por menor remuneração. Para Tokarski, esse dado “joga luz sobre essa discussão”.

O projeto também apresenta diferenças de apoio conforme o voto nas eleições presidenciais de 2022. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, 71% são favoráveis ao fim da escala 6×1, 15% se posicionaram contra e 15% não opinaram. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% apoiam o término das 44 horas semanais, 32% são contrários e 15% não responderam.

A Proposta de Emenda à Constituição 148/2015 foi aprovada em 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O texto ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara dos Deputados, exigindo ao menos 49 votos favoráveis de senadores e 308 de deputados.

Caso seja aprovada, a implementação ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, as regras atuais seriam mantidas. No ano seguinte, o descanso semanal passaria de um para dois dias. A jornada máxima, hoje fixada em 44 horas semanais, poderá ser reduzida para 40 horas a partir de 2027, com teto final de 36 horas semanais a partir de 2031. A possibilidade de impedir a redução salarial como compensação pelo novo período de descanso ainda deverá ser apreciada pelo Congresso Nacional.

Questionados sobre a probabilidade de aprovação da proposta, 52% dos entrevistados acreditam que o Congresso deve aprová-la. Outros 35% avaliam que não haverá aprovação, enquanto 13% não opinaram. Apenas 12% afirmaram compreender bem o conteúdo da PEC.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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