Com cerca de 60 mil títulos e acervo histórico raro, espaço reforça papel na preservação da memória e no incentivo à leitura na capital
Porto Velho, RO – A preservação da memória de Porto Velho tem na Biblioteca Municipal Francisco Meirelles um de seus principais pilares. Ao completar 50 anos de funcionamento, a instituição reafirma sua condição de centro cultural e de pesquisa, reunindo aproximadamente 60 mil edições de jornais impressos e um acervo estimado em 60 mil títulos, entre obras raras e publicações históricas.
Entre os exemplares históricos disponíveis para consulta pública estão edições datadas de 1829, 1877 e 1882, além de publicações como Biblioteca Nacional, edição de 1888; Madame Bovary, edição de 1825; Dom Quixote de La Mancha, edição de 1877; e História da Expansão Portuguesa no Brasil, edição de 1940. Também integra o acervo o livro “Entre Brancos e Originários – A ferrovia de Deus”, de Paulo Saldanha, que aborda a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a extração da borracha e as relações comerciais entre Brasil e Bolívia.
Frequentada por professores, pesquisadores, estudantes do ensino médio, da graduação e da pós-graduação, além de alunos da rede pública, a biblioteca oferece suporte a pesquisas acadêmicas, especializações e preparação para concursos. Em janeiro, candidatos ao concurso da Assembleia Legislativa de Rondônia utilizaram o espaço para estudos. Segundo o diretor administrativo, Carlos Augusto da Silva, trata-se de um centro cultural local e também de referência estadual.
A gestão administrativa é exercida por Carlos Augusto desde 2021. Sob sua coordenação, foram executadas ações de revitalização, incluindo pintura do prédio, restauração de mobiliário, modernização de equipamentos e fortalecimento de projetos de incentivo à leitura. Em julho de 2022, foi registrado um marco considerado histórico: mais de 12 mil livros foram emprestados no período, além da realização de mais de 36 mil atendimentos e do atendimento a mais de 3 mil crianças da rede municipal por meio de projetos específicos. O diretor afirmou que a biblioteca desempenha papel fundamental na promoção da cultura, na preservação da história e na organização do acervo.
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Criada em 30 de dezembro de 1973 e inaugurada em 24 de janeiro de 1975, a Biblioteca Municipal Francisco Meirelles consolidou-se como espaço de memória, educação e inclusão. A trajetória institucional contou com a contribuição de profissionais como Glória Valadares, que dedicou mais de 25 anos de trabalho à unidade.
Além do empréstimo de livros, são promovidas palestras, exposições sobre bairros de Porto Velho e eventos culturais, como a Cantata Natalina. Projetos como Páscoa Solidária, Gincana Literária, Trilha Sensorial para pessoas com deficiência visual e o Clube Curumim ampliam o acesso às atividades culturais. Há ainda ações de acolhimento e autocuidado voltadas a mulheres em situação de violência doméstica.
Há quatro anos atuando na biblioteca, Soraya Chediak declarou: “Eu amo trabalhar aqui”. Segundo ela, o espaço ultrapassa a função tradicional de empréstimo de livros e se consolida como ambiente de convivência e aprendizado. Já Antônio Marlon Neves, que há dois anos utiliza a sala de informática para estudar para concurso público, relatou que o atendimento é cordial e que o ambiente é calmo e adequado para concentração.
Localizada na Rua José de Patrocínio, nº 200, esquina com a Rua José Bonifácio, em frente à Catedral do Sagrado Coração de Jesus, a biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h, sem intervalo para almoço, com equipes distribuídas nos períodos da manhã, tarde e noite. O espaço também conta com extensão na Praça CEU, na zona Leste, ampliando o acesso da população às atividades culturais e educativas.
