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ESPAÇO ABERTO
Do hospital ao necrotério, da cela ao além: o endereço que nunca dormiu

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Relatos de bastidores, memórias institucionais e a reconstrução de um espaço marcado por décadas de usos e histórias se cruzam no terreno onde surgirá a nova Central de Flagrantes

Por Cícero Moura - segunda-feira, 02/03/2026 - 15h33

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SOBRENATURAL

O terreno onde vai nascer a nova Central de Flagrantes não é apenas um endereço. É praticamente um condomínio histórico — com moradores que talvez nunca tenham pedido baixa.

DELEGACIAS

Ali já funcionou a Delegacia de Homicídios, a especializada em Roubo e Furto de Veículos, a Delegacia de Patrimônio.

CADÁVERES

Antes disso, foi hospital para pessoas com hanseníase. Em outro período, necrotério.

SEPULTURAS?

E como se o currículo não fosse suficientemente denso, ainda abrigou um verdadeiro cemitério de carros e motos apreendidos pela polícia — carcaças empilhadas, ferrugem tomando conta, motores calados para sempre.

HISTÓRICO

Se prédio tivesse prontuário, esse precisaria de mais de um volume.

VULTOS

Antigos servidores que trabalharam no local garantem que, durante os plantões, o ambiente ficava… digamos… movimentado.

VULTOS 2

Portas de ferro das celas batiam sozinhas. Passos ecoavam pelos corredores vazios. Havia quem jurasse ouvir correntes sendo arrastadas e gemidos atravessando a madrugada.

NO CARRO

Um ex-agente contou que, por mais de uma vez, preferiu cumprir o plantão dentro da viatura. Banco reclinado, rádio ligado baixinho e o olhar atento para o prédio.

INVISÍVEIS

Ele relatava que ouvia passos e sons estranhos, fazia a ronda para averiguar e nunca encontrava ninguém. Resultado: melhor enfrentar pernilongo do que fantasma.

INVISÍVEIS 2

Outra servidora também confirmou que já escutou vozes e gemidos. Nunca conseguiu descobrir a origem.

INVISÍVEIS 3

Não havia preso, não havia movimentação, não havia explicação. Apenas o eco insistente de algo que parecia não querer ir embora.

CARCAÇAS

E no meio desse cenário ainda existia o tal “cemitério automotivo”: carros e motos apreendidos, esquecidos ao tempo, formando um cenário pós-apocalíptico digno de filme.

CARCAÇAS 2

O curioso é que, ao que parece, é mais fácil alguém jurar que viu um fantasma vagando pelo terreno do que localizar hoje as carcaças daqueles veículos que sumiram, viraram sucata ou simplesmente evaporaram na burocracia do tempo.

SEM COMPARAÇÃO

Os espíritos, ao menos, deixaram relatos consistentes. Já os carros… esses desapareceram de maneira muito mais misteriosa.

OBRA

Com a demolição do prédio velho e insalubre, o governo resolveu começar do zero. Estrutura nova, tecnologia, iluminação adequada, ambientes planejados.

OBRA 2

Finalmente um espaço digno para servidores e para quem, eventualmente, for parar ali em situação de flagrante.

DESALOJADOS?

Mas fica a dúvida urbanística-espiritual: para onde foram os antigos “moradores” depois que o prédio veio abaixo?

DESALOJADOS 2

Estariam provisoriamente desalojados? Teriam pedido transferência? Ou apenas aguardam a conclusão da obra para retornar, agora em instalações mais confortáveis?

FATO

Porque se tem uma coisa que aquele terreno nunca foi, é vazio de história.

FLAGRANTE

E quando a nova Central de Flagrantes for inaugurada, resta saber: quem será o primeiro a ser flagrado?

DO ALÉM?

Um suspeito de carne e osso… ou algum velho conhecido do além que resolveu conferir se a obra ficou mesmo à altura da assombração?

CUSTO

Falando em obra, a nova Central de Flagrantes vai custar aos cofres públicos o valor de quase 6 milhões e duzentos mil reais. Dinheiro repartido entre os governos federal e estadual.

FRASE

Fantasma puxa o pé de madrugada; traidor puxa o tapete em pleno expediente.

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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