Pré-candidato afirma que criará Capelania no governo e pedirá ao arcebispo militar Dom Marcony Vinícius Ferreira a designação de um padre; na mesma entrevista, faz acusações sobre a saúde, desafia adversários a abrirem sigilos e defende postura firme em conflitos fundiários
Porto Velho, RO – A criação de uma Capelania no âmbito do Poder Executivo estadual e a nomeação de um sacerdote católico para acompanhá-lo seriam, segundo Rodrigo Camargo, as primeiras medidas de sua gestão caso seja eleito governador de Rondônia. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria com o Rondônia Dinâmica, quando o deputado estadual afirmou de forma direta qual seria sua primeira assinatura no cargo.
“O meu primeiro ato, não tenha dúvidas, é um ofício. A Dom Marcony Vinícius Ferreira, arcebispo militar do Brasil, pedindo que disponibilize um sacerdote para que possa me acompanhar nessa jornada”, declarou. Em seguida, sintetizou a intenção ao afirmar: “Vou levar Deus lá pra dentro comigo”.
Camargo vinculou a decisão à convicção pessoal de que o exercício do poder exige orientação espiritual permanente. Ao explicar a medida, afirmou que a presença de um sacerdote serviria para lembrar diariamente o governante de suas responsabilidades. “No momento que Deus se esquece do homem, a vaidade invade o seu coração”, disse durante a entrevista.
Questionado sobre o uso constante de um rosário, o deputado afirmou que não se trata de amuleto nem de símbolo eleitoral. “Isso aqui pra nós católicos não é amuleto, não é símbolo de sorte”, declarou, acrescentando que, enquanto conversava no estúdio, estava rezando: “Eu estava rezando, pedindo que Deus me dê sabedoria”.
Ele também mencionou a trajetória religiosa da família, informando que sua esposa atua há dezesseis anos como ministra da Eucaristia e há vinte e nove anos como catequista, reforçando que a fé faz parte de sua rotina e não apenas do ambiente político.
No campo partidário, Camargo confirmou que está “de malas prontas e passaporte carimbado” para o Podemos, partido liderado pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, a quem classificou como “o maior líder político desse país” e “o prefeito mais bem avaliado entre todas as capitais”. Sobre a pré-candidatura do prefeito de Vilhena, Delegado Flori, afirmou que não há conflito interno e que a decisão caberá à liderança partidária. “A decisão pertence ao Léo”, declarou.
A entrevista também foi marcada por declarações contundentes sobre a saúde pública estadual. Camargo afirmou ter “zero dúvida” de que há irregularidades na gestão do setor. “Eu não tenho dúvida disso. Zero dúvida”, respondeu ao ser questionado se a saúde estaria sendo assaltada. Em outro momento, afirmou: “Existe um ralo onde estão lá os ratos, os mafiosos da saúde”.
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Segundo ele, o problema não seria falta de recursos, mas gestão. “A saúde aqui não é falta de dinheiro. Nunca foi. É falta de gestão”, declarou. Caso chegue ao Executivo, afirmou que investigará contratos e terceirizações. “Eu vou mandar investigar os contratos, os valores das próteses, essa terceirização que estão fazendo”, disse.
No campo eleitoral, lançou um desafio aos adversários. “Vou desafiá-lo a abrir o seu sigilo fiscal, financeiro, porque eu tô disposto a abrir o meu”, afirmou, defendendo que a disputa inclua transparência patrimonial entre os pré-candidatos.
Ao abordar conflitos fundiários, declarou que a propriedade privada deve ser respeitada. “Se você tem título, a propriedade é sua”, afirmou. No mesmo trecho, classificou o MST e a Liga dos Camponeses Pobres como “grupos terroristas, travestidos de movimento social”.
Camargo também tratou da crise na bacia leiteira, criticando a extinção do Proleite e do Funcafé. “Vocês estão fazendo um absurdo”, disse ao relatar alertas feitos na Assembleia. Sobre proposta de incentivo a pequenos laticínios, afirmou: “Com cinco milhões fazem. Pois então eu vou dar”.
Na área de infraestrutura, criticou o pedágio em Rondônia. “Por isso que nós temos o pedágio mais caro do Brasil”, afirmou ao questionar o estudo de tráfego realizado durante a pandemia. Defendeu reorganização dos modais rodoviário, aquaviário, ferroviário, aéreo e dutoviário como estratégia de desenvolvimento econômico.
Na educação, apresentou números para sustentar crítica à gestão atual. “Sabe quantas escolas foram construídas nesses oito anos? Duas. Sabe quantas fecharam? Dezoito”, declarou.
Ao longo da entrevista, Camargo reiterou que sua eventual candidatura ainda depende das definições partidárias, mas deixou claro que, caso eleito, pretende combinar mudanças administrativas com a institucionalização de acompanhamento religioso dentro do governo.
Com informações de: Resenha Política (YouTube)
