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RESENHA POLÍTICA
O grande invesitmento da Nova 364 é encher a rodovia de radares; chance de Netto é perto do zero; e Máximo finalmente no PL

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Evento do PL em Ji-Paraná projeta pré-candidaturas para 2026, enquanto debates nacionais sobre STF, Congresso e meio ambiente se misturam às disputas

Por Robson Oliveira - quinta-feira, 12/03/2026 - 16h02

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RESENHA POLITICA

ROBSON OLIVEIRA

PL

A cidade de Ji-Paraná será palco neste fim de semana de um dos maiores atos políticos recentes de Rondônia. O Partido Liberal organiza um grande evento no Clube Vera Cruz para marcar a filiação do deputado federal Fernando Máximo, que chega à legenda como pré-candidato ao Senado.

LANÇAMENTO

Na mesma agenda será oficializado o lançamento da pré-candidatura ao governo do senador Marcos Rogério, consolidando a estratégia eleitoral do partido no estado. A grande atração política do encontro será o senador Flávio Bolsonaro, que participa do ato na condição de pré-candidato à Presidência da República.

MOBILIZAÇÃO

São esperadas milhares de pessoas no evento, mobilizadas por lideranças regionais e apoiadores da direita rondoniense. Embora não seja a primeira vez que Flávio Bolsonaro visita Rondônia, esta será a primeira em que desembarca no estado já projetado como presidenciável.

EMPATE

O momento político é considerado favorável ao senador. Levantamentos recentes indicam um cenário competitivo, com Flávio aparecendo tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em algumas pesquisas nacionais.

DISPUTA

O dado chama atenção sobretudo entre adversários, já que, até pouco tempo atrás, o nome do senador era frequentemente subestimado nos círculos petistas. Agora surge no tabuleiro eleitoral como um candidato capaz de disputar espaço real na corrida presidencial.

HOSTILIDADE

A atuação do deputado federal Lúcio Mosquini (MDB) na Câmara tem sido marcada por um discurso sistematicamente hostil à agenda ambiental. Em diversas ocasiões, o parlamentar trata a legislação de proteção à natureza como se fosse um entrave burocrático criado apenas para “atrasar o agro”, ignorando que tais normas existem justamente para equilibrar produção e preservação. Sua retórica reduz o debate ambiental a um falso dilema entre desenvolvimento e conservação, como se proteger florestas, rios e biodiversidade fosse incompatível com o progresso econômico.

NEGACIONISMO

Mosquini frequentemente adota posições que flertam com o negacionismo ambiental, minimizando os impactos do desmatamento e relativizando a importância das políticas de controle. Ao tratar a fiscalização ambiental como inimiga do produtor rural, o deputado estimula uma narrativa perigosa que deslegitima instituições e enfraquece instrumentos essenciais de proteção do patrimônio natural brasileiro.

VISÃO

Em um estado como Rondônia, onde a pressão sobre a floresta é histórica e intensa, espera-se de um representante público responsabilidade e visão de futuro. No entanto, o que se vê nas posições de Mosquini é uma postura que parece olhar apenas para o curto prazo, como se o avanço econômico pudesse prescindir da preservação ambiental. Essa visão não apenas empobrece o debate público, como também ignora que o próprio agronegócio depende de equilíbrio climático, água e solo saudável para sobreviver.

SENSO

O Supremo Tribunal Federal vive hoje um dos momentos mais delicados de sua relação com a opinião pública. A percepção do homem comum é de crescente desconfiança diante das revelações envolvendo o chamado “caso Master”, o que levou parte da população a defender algum tipo de sanção aos ministros citados nas investigações.

ALVOS

Entre eles está Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que já vinham sendo duramente criticado por setores da direita por sua atuação como relator dos processos ligados aos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023 e também pela condução de decisões envolvendo Jair Bolsonaro. O outro foi obrigado deixar a relatoria do Caso Master.

RECONHECIMENTO

É inegável, contudo, que Moraes teve papel central na resposta institucional aos ataques à ordem democrática. Naquele momento crítico, o Supremo funcionou como um dos principais garantidores da estabilidade institucional do país. Ainda assim, nenhuma autoridade está acima da lei. Como qualquer agente público, ministros da mais alta Corte também devem responder a eventuais irregularidades caso elas se confirmem.

DESGASTE

Pesquisa divulgada nesta semana aponta que o desgaste ultrapassou as bolhas políticas mais radicais. Segundo o levantamento, mais de 60% da população afirmam apoiar a abertura de processo de impeachment contra os ministros citados.

EROSÃO

O dado revela o tamanho da erosão de confiança que se instalou. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que nem todos os fatos vieram plenamente à tona, e qualquer julgamento definitivo exige prudência, investigação completa e respeito ao devido processo legal.

CPI

A proposta de criação de uma CPI para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal no suposto escândalo envolvendo o banco Master ampliou o clima de tensão no Congresso. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que a iniciativa é juridicamente questionável e não encontra amparo nas prerrogativas constitucionais do Parlamento.

TESE

Segundo ele, uma Comissão Parlamentar de Inquérito não pode ser utilizada para investigar, em tese, crimes comuns atribuídos a magistrados, como seria o caso dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

REVELAÇÃO

Apesar de considerar a CPI ilegal sob o ponto de vista jurídico, Flávio revelou que chegou a assinar o requerimento para sua criação, justamente para não ser acusado de omissão ou conivência. A atitude acabou sendo criticada pelo senador Alessandro Vieira, que insinuou que a posição do colega seria contraditória e complacente diante das denúncias.

HIPOCRESIA

A reação de Flávio foi imediata. O senador afirmou que a crítica de Vieira representa um exercício de hipocrisia política. Segundo ele, assinar o pedido foi um gesto para permitir que o debate ocorra no Senado, mas isso não significa concordar com a constitucionalidade da investigação proposta. Para o pré-candidato, insistir em uma CPI com objeto que envolve supostos crimes comuns de ministros do Supremo seria criar um instrumento juridicamente frágil e politicamente contaminado.

TRANSPARÊNCIA

Vieira, por sua vez, sustenta que o Congresso não pode se furtar a investigar fatos graves envolvendo autoridades de qualquer Poder. O senador defende que a CPI é um mecanismo legítimo de apuração política e de transparência institucional.

CAPÍTULO

O embate entre os dois parlamentares expõe mais um capítulo da disputa sobre os limites de atuação do Legislativo diante do Judiciário, num momento em que o ambiente político já começa a ser influenciado pelo cenário pré-eleitoral.

TRAJETÓRIA

Na política rondoniense, certas candidaturas parecem brotar menos da convicção e mais da absoluta falta de opção. É neste cenário que ressurge o nome de Expedito Neto, personagem que já experimentou duas passagens pela Câmara dos Deputados sem jamais conseguir imprimir densidade política à própria trajetória.

MEDIOCRIDADE

No primeiro mandato, Neto até aparentou algum zelo institucional, o suficiente para garantir uma reeleição com votação respeitável. Na essência, tratou-se de um período marcado por discreto anonimato parlamentar, quase sempre orbitando à margem dos grandes debates nacionais. No segundo mandato, a mediocridade tornou-se mais visível, com pouca presença política, raras iniciativas relevantes e eventuais lampejos de agressividade retórica que substituíam, mal disfarçadamente, a ausência de protagonismo.

DERROTA

Foi justamente nesse período que se destacou pela participação estridente na votação do impeachment de Dilma Rousseff durante o Impeachment de Dilma Rousseff. Fora daquele espetáculo parlamentar, contudo, a atuação permaneceu pálida. O eleitor percebeu. Na eleição seguinte, sua votação foi tão modesta quanto o próprio segundo mandato, e o resultado foi o previsível desaparecimento das urnas.

O ESTRANHO

Agora, numa reviravolta que faria corar até os mais flexíveis pragmáticos da política, Neto abandona a presidência do Partido Social Democrático em Rondônia para se apresentar como pré-candidato ao governo pelo Partido dos Trabalhadores. Trata-se de uma conversão política que não se explica por militância, afinidade ideológica ou sequer convivência com as entranhas do partido. Nada indica que compartilhe dos princípios estatutários petistas nem que tenha passado perto deles.

MANTRA

Desde a derrota eleitoral, o ex-deputado fixou residência em Brasília, onde ocupa discretamente uma assessoria no Ministério da Pesca e Aquicultura, posição obtida, ironicamente, por indicação do próprio PSD. Nas redes sociais, quando aparece, o que é raro, limita-se a repetir, quase como um mantra, que é o pré-candidato do PT ao governo de Rondônia. Conteúdo político consistente, até agora, não há.

UTILIDADE

No fundo, a história revela mais sobre o vazio do cenário do que sobre o personagem. Como ninguém parece disposto a vestir a camisa de candidato do PT ao governo de Rondônia, tarefa que muitos consideram eleitoralmente suicida, qualquer voluntário disposto a enfrentar a provável derrota passa a ser útil. Neto, nesse contexto, caiu como uma luva ao combalido PT.

MANCEBO

Ainda assim, entre os próprios petistas, poucos parecem levar o jovem mancebo realmente a sério. O que não deixa de ser sintomático. Quando um partido aceita quase qualquer nome para cumprir tabela eleitoral, o problema talvez não esteja apenas no candidato, mas na própria circunstância política. O ressurgimento político para Expedito Neto é bom, uma vez que estava relegado ao ostracismo. Mesmo que o retorno seja pelo partido que passou toda a vida em combater Neto acertou em retornar a ribalta. Embora as probabilidades eleitorais de uma vitória sejam perto de zero.

RADARES

A concessionária da BR‑364 finalmente anunciou um grande “investimento”. Não, não se trata de duplicação, nem de terceira faixa em larga escala. A novidade que chega em ritmo acelerado são dezenas de radares espalhados pela rodovia. Tudo em nome da segurança, claro – ao menos no discurso oficial.

MAQUETE

Na prática, parece mais um eficiente sistema de arrecadação automática. Enquanto isso, a duplicação segue no campo das promessas e das maquetes imaginárias. O motorista paga pedágio, paga multa e continua pagando paciência. A rodovia permanece com trechos perigosos e infraestrutura aquém do necessário. Mas os radares, esses sim, devem funcionar com precisão suíça. Afinal, arrecadar é bem mais rápido do que duplicar. Na BR-364, a modernização parece ter começado justamente pelo cofre.

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AUTOR: ROBSON OLIVEIRA





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