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TRADIÇÃO E HISTÓRIA
Rádio Falante transforma vidas em Porto Velho e revela talentos da comunicação após 16 anos

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Projeto da Escola Orlando Freire, destacado em reportagem de Márcia Chaves no Jornal de Rondônia 1ª Edição, consolida trajetória de impacto na formação de alunos e no incentivo à leitura

Por Vinicius Canova - sexta-feira, 10/04/2026 - 18h16

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Porto Velho, RO – A Rádio Falante da Escola Orlando Freire, em Porto Velho, alcançou 16 anos consolidada como uma iniciativa educacional que ultrapassa os limites da sala de aula e influencia diretamente o futuro de estudantes da rede pública. O projeto foi tema de reportagem exibida no Jornal de Rondônia 1ª Edição, da Rede Amazônica, assinada pela repórter Márcia Chaves, que reuniu histórias de ex-alunos e participantes impactados pela experiência.

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Criada em 2010 de forma simples, ainda no pátio da escola, a rádio começou com “uma caixa de som, um microsistema e um microfone”, conforme relatou o coordenador Reinaldo Ramos. Ao longo dos anos, a estrutura evoluiu até alcançar um estúdio próprio, acompanhando o crescimento da proposta pedagógica, que hoje envolve produção, apresentação e operação de conteúdo pelos próprios alunos.

Reinaldo Ramos, idealizador e coordenador da Rádio Falante, é o responsável por transformar uma iniciativa simples em um projeto consolidado que há 16 anos impacta a formação e o futuro de alunos em Porto Velho / Reprodução

Mais do que transmitir música e informação pelos corredores da escola, a Rádio Falante passou a influenciar escolhas profissionais. A trajetória de Annita Ferreira exemplifica essa transformação. “Acho que eu tinha 13 anos e mudou completamente, porque quando eu entrei no projeto, eu pensava em fazer direito, sendo bem sincera. Eu sempre achei bonito as pessoas do direito, que usam tudo preto, principalmente os juízes, os promotores. Então, na minha cabeça, eu ia ser uma juíza, uma promotora, quem sabe futuramente, não sei. Mas o audiovisual, a rádio, a comunicação tá presente até hoje”, afirmou. Segundo ela, mesmo fora de veículos tradicionais, a comunicação permaneceu como elemento central de sua vida profissional.

Annita também destacou o papel decisivo da experiência prática. “Se eu não tivesse coragem de entrar numa redação, de fazer um texto, de ligar um microfone, de mexer numa mesa, eu não teria nada hoje. Então, assim, fomenta muito a educação e também a autonomia ali do aluno dele pensar que ele é capaz sim de conseguir fazer algo”, declarou.

Outra trajetória destacada é a de Kimberlly Crivi, que encontrou na rádio o direcionamento que não possuía. “Eu não tinha um norte, eu não sabia o que eu queria fazer da vida e isso me preocupava muito, porque existe uma pressão tanto da sociedade quanto de nós mesmos a que carreira seguir. E eu tinha duas certezas, que eu não seria de exatas e eu não iria para a saúde. Mas eu não tinha um norte. Ah, beleza, mas o que eu faço? Eu não sabia”, relatou. Segundo ela, o projeto foi determinante para sua consolidação profissional: “O projeto da Rádio Falante foi o que me norteou para a carreira que eu tenho hoje, já consolidada, graças a Deus. Foi um divisor de águas, eu digo, e eu digo que foi a comunicação que me escolheu. Não fui eu que escolhi a comunicação e eu não sei fazer outra coisa”.

Kimberlly Crivi também atribuiu sua trajetória à continuidade da experiência iniciada na escola. “Desde lá, até hoje, eu nunca parei de trabalhar com comunicação. Nunca passei por nenhuma outra área de trabalho. Então, é isso que eu sei fazer e eu faço com muito amor. E o que me proporcionou estar aqui hoje foi o projeto da Rádio Falante. Então, eu sou eternamente grata ao Reinaldo e a todas as pessoas que viabilizaram essa oportunidade para mim e para tantos outros alunos também”, afirmou. Ao final, deixou uma mensagem aos estudantes: “Que continuem, que busquem cada vez mais aprendizado, que busquem cada vez mais poder se encontrar dentro disso, porque pra mim foi muito benéfico e eu acredito que pra vocês também”.

Entre abraços e conquistas, Kimberlly Crivi e Crive Moura representam uma trajetória construída com apoio, incentivo e transformação através da educação e da comunicação / Reprodução

O impacto do projeto também foi observado dentro da própria família. Crive Moura, mãe de Kimberlly Crivi, acompanhou de perto o desenvolvimento da filha. “Ela sempre foi muito comunicativa. O que acontece é assim, a trajetória toda que ela percorreu até aqui só melhorou, né? A comunicação dela, a apresentação. Hoje ela trabalha com isso. Com comunicação, né? Na área de publicidade, propaganda, marketing”, relatou. Ela acrescentou que o incentivo é fundamental para o crescimento profissional: “Se é essa área que ele gosta, não tem como fugir disso, né? Tem que incentivar pra que ele cresça na profissão, né? No meio. E seja um profissional de excelência, como a Kimberley tá se tornando, graças a Deus”.

Dentro da escola, o aprendizado ocorre de forma prática. Os alunos participam diretamente de todas as etapas da produção, o que contribui para o desenvolvimento da confiança e da capacidade de expressão. Para estudantes atuais, como Gabriely Vitória, a experiência representa descoberta e oportunidade. “Eu conheci esse projeto no sexto ano. Eu me interessei bastante sobre a rádio. Aí agora no primeiro ano eu vim participar desse projeto. Eu percebi como que é legal e faz a gente ser bem mais comunicativo com as pessoas”, afirmou, ao relatar também o interesse pela fotografia.

O professor e fotógrafo Marcos Fabrício também destacou o vínculo duradouro com a rádio. “A rádio ficou bastante tempo latente em minha mente, até quando eu fui voltar a fazer estágio aqui no Orlando Freire”, disse, ao recordar a influência do projeto durante sua formação.

Um dos pilares da Rádio Falante é o incentivo à leitura, apontado como projeto central da iniciativa. A ação ganhou repercussão ao alcançar o escritor Paulo Coelho, que compartilhou o trabalho da rádio em suas redes sociais e realizou doação de livros à escola.

Reinaldo Ramos definiu o estágio atual da iniciativa ao afirmar que ela ultrapassou o conceito inicial. “Eu diria que a rádio falante é um projeto que… Não é um projeto, né? É uma realidade já. Existe há 16 anos, então não é mais um projeto”, declarou. Ele também reforçou a importância da educação no processo: “Estudem. Estudem, estudem e estudem. Isso é que vai fazer a diferença em vocês”.

Ao longo de sua trajetória, a Rádio Falante se tornou referência em Educomunicação em Rondônia, sendo destacada em veículos nacionais, citada em pesquisas acadêmicas e reconhecida pelo Ministério da Educação. A iniciativa segue formando alunos, ampliando perspectivas e consolidando a comunicação como ferramenta de transformação social dentro da escola pública.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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