Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante de grupo ligado a ataques cibernéticos e monitoramento ilegal, foi deportado ao Brasil e detido em Guarulhos.
Porto Velho, RO – Uma operação articulada entre a Polícia Federal, a Interpol e autoridades dos Emirados Árabes Unidos resultou na captura do hacker Victor Lima Sedlmaier, investigado no escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. O investigado foi localizado em Dubai e, após determinação de deportação, acabou preso ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Contra Sedlmaier havia um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, o investigado era considerado foragido da Justiça brasileira. Em nota, a corporação informou que mecanismos de cooperação policial internacional foram acionados assim que ele tentou ingressar nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com a PF, a atuação conjunta permitiu impedir a entrada do hacker no país árabe. “A partir da atuação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e sua imediata deportação ao Brasil”, informou a instituição.
Victor Lima Sedlmaier é investigado na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira (14). A ofensiva também levou à prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Conforme apontam as investigações, Henrique exerceria papel de comando no grupo conhecido como A Turma, descrito pela PF como uma espécie de milícia privada ligada ao ex-banqueiro.
Os investigadores identificaram ainda outro núcleo chamado Os Meninos. Conforme relatório encaminhado ao STF, os integrantes seriam responsáveis por ações de monitoramento, intimidação e perseguição de desafetos de Henrique e Daniel Vorcaro.
No caso de Sedlmaier, a suspeita é de que ele integrasse o grupo Os Meninos, apontado como especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em plataformas digitais e monitoramento ilegal em benefício de Daniel Vorcaro.
Ao autorizar a prisão, o ministro do STF André Mendonça afirmou que Henrique Moura Vorcaro mantinha relação direta com as atividades do grupo. Segundo o magistrado, o investigado não apenas se beneficiava das ações ilícitas, mas também financiava e mantinha contato constante com os operadores, mesmo após o avanço das investigações.
As apurações sobre a atuação dos grupos ganharam força após a análise de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Novos elementos também foram obtidos a partir do aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, preso em março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, em Belo Horizonte.
Por decisão da Justiça, Marilson foi transferido do sistema prisional mineiro para uma penitenciária federal de segurança máxima. A medida considerou o suposto protagonismo e influência do investigado sobre o grupo A Turma.
Com informações de: Agência Brasil, Polícia Federal
