Candidato a vice de Samuel Costa pelo PSB afirma que equipe foi desfeita sem ter cometido crime, diz que montaria a cúpula da segurança em eventual governo e rejeita rótulos de esquerda e direita
Porto Velho, RO – Candidato a vice-governador na chapa de Samuel Costa, do PSB, Anderson Souza Machado, Sargento Machado afirmou, durante entrevista ao podcast Resenha Política, que sua forma de atuar na Polícia Militar combina disposição para o confronto com a obrigação de respeitar a lei. Ao descrever a postura da equipe em ocorrências de risco, usou uma das frases mais duras da conversa: “Só para se a gente tombar. E a gente tem certeza que a gente é preparado pra não tombar. E se tombar, é de levar pelo menos dois ou três conosco. Então é desse jeito.”
A declaração surgiu enquanto Machado explicava por que se identifica com o símbolo do pitbull. Segundo ele, medo existe, mas a missão policial exige atitude. Em seguida, fez questão de estabelecer um limite para essa atuação. Disse que um suspeito que se entrega deve ser algemado, conduzido à Central de Polícia e apresentado à Justiça. Quando questionado sobre execução, respondeu que isso não deve ocorrer. Para ele, reação armada ou com arma branca muda o cenário e autoriza a neutralização da ameaça. Durante a discussão sobre excessos policiais, concordou ainda que a extrapolação das funções pode levar à formação de milícias e definiu essa situação como “um bandido combatendo bandido”.
Machado abre o jogo sobre quem levaria para a Segurança
Quem apareceu no mapa de Machado
Cinco postos sob a responsabilidade do vice
Armas, idade e a metáfora do “vira-lata”
O barraco, os tiros e a água da cacimba
O que contou sobre ocorrências recentes
A sequência narrada sobre o cabo da guarnição
Dois convites, uma definição e um aliado
Seis frases que ampliam o retrato
O sargento também falou sobre o desmonte da guarnição da qual fazia parte. Segundo seu relato, o grupo foi separado sem que tivesse cometido crime: os integrantes foram distribuídos em turnos diferentes e ele próprio ficou impedido de comandar a equipe. Machado disse ter recorrido ao representante associativo Jesuíno e a um advogado para saber a razão da medida. Conforme a versão apresentada na entrevista, comandantes ouvidos teriam informado inicialmente que a ordem vinha “de cima”, até que o comandante-geral, coronel Glauber Souto, teria assumido a autoria da determinação, sem explicar o motivo.
Machado afirmou ter sofrido retaliação profissional, mas evitou acusar diretamente qualquer agente político de ter ordenado a mudança. Disse acreditar que a política poderia estar relacionada ao episódio e citou a exposição pública da equipe e sua candidatura, mas ressalvou que não sabia o que ocorria nos bastidores e que não poderia fazer afirmações sobre conversas entre superiores e políticos.
Na área eleitoral, contou que não planejava disputar cargo público. Segundo Machado, Samuel Costa o convidou pessoalmente para ser vice depois de os dois conversarem sobre a formação da chapa. Ele disse que recusou num primeiro momento e que a própria família, incluindo a esposa, também resistiu à ideia. Depois, aceitou. Conforme seu relato, Samuel teria deixado claro que não queria um vice restrito ao gabinete, mas alguém encarregado da segurança pública.
Machado afirmou que, numa eventual vitória, teria participação direta na escolha do comandante-geral e do subcomandante da PM, do secretário de Segurança, da direção da Polícia Civil e de outros postos do setor. Disse já ter nomes em mente e declarou que não pretende montar apenas um “time”, mas uma “seleção”. Para a Secretaria de Segurança, mencionou uma advogada, mulher, descrita por ele como atuante na defesa das forças de segurança.
A filiação ao PSB também foi questionada por Robson Oliveira, diante do perfil conservador de parte do eleitorado e de muitos candidatos oriundos das forças de segurança. Machado rejeitou a tentativa de enquadrá-lo ideologicamente. “Eu não me rotulo de nada, irmão. De esquerda, de direita, de centro. Eu não gosto de rótulos. Eu detesto rótulos.” Em seguida, definiu-se como nacionalista, criticou interferências estrangeiras no Brasil e disse não concordar com o sequestro de presidente de outro país, sem especificar na entrevista a qual caso se referia.
Apesar de dizer que não é de esquerda, Machado também afirmou que a extrema direita tenta atingir povos originários e reservas e declarou que, em sua avaliação, a direita foi a corrente que mais incomodou o país historicamente. Sobre Samuel Costa, disse que o aliado já foi “radical da esquerda”, mas que amadureceu e mudou.
Outro tema polêmico foi um episódio tratado no programa como possível disparo contra um político. Machado disse considerar quase certa a hipótese de o barulho ter sido provocado pelo escapamento de um veículo. Afirmou que um familiar do proprietário teria explicado que o carro produzia ruído semelhante a tiro e criticou a postura da segurança que aparecia nas imagens, dizendo que, diante de um disparo real, a reação automática de policiais preparados seria levar a mão à arma e tentar localizar o autor.
Na parte final da entrevista, Machado voltou-se à estrutura da Polícia Militar. Disse que a corporação trabalha com efetivo reduzido, criticou o longo período sem concurso e afirmou que a tropa está envelhecida. Também reclamou das viaturas locadas, citando carros pequenos como inadequados para equipes com três ou quatro policiais, e disse que o armamento disponível existe, mas não é suficiente para todas as necessidades. Chegou a afirmar que considera a PM de Rondônia a “segunda ou terceira mais honesta do país”, apresentando a avaliação como opinião pessoal.
Como proposta, afirmou que a chapa pretende realizar um concurso inicial para 1.500 integrantes das forças de segurança e mencionou 300 vagas para delegados e oficiais. Disse ainda que, do segundo ou terceiro ano em diante, a intenção seria abrir mais 1.500 vagas. Defendeu o fim da locação de viaturas, maior uso de recursos federais e diálogo com qualquer governo que esteja no Palácio do Planalto, independentemente do nome do presidente.
Machado também questionou a discussão sobre dificuldades financeiras do Estado em período eleitoral, mas Robson Oliveira registrou durante a conversa que a avaliação citada no programa era de risco de quebra caso não fossem adotados cuidados, e não de que Rondônia já estivesse quebrado.
A trajetória pessoal apareceu no terço final. Machado disse ter nascido em Porto Velho e crescido no bairro Mucambo, em uma época marcada por gangues, tiros e precariedade. Relatou ser filho de mãe solo, ter começado a praticar esporte ainda criança e atribuiu ao esporte, ao estudo e à orientação da mãe parte da razão de não ter sido recrutado pelo crime. Defendeu, a partir dessa experiência, investimentos em esporte, cultura e lazer como complemento à repressão policial.
Ele contou que um irmão traficava drogas, ajudava a sustentar a casa e foi morto em 1998. Machado relacionou esse episódio à própria rejeição ao tráfico e ao desejo de entrar para a Polícia Militar. Disse que passou em concurso em 2005, ficou 12 anos como soldado, depois foi cabo e, ao se tornar sargento, passou a comandar equipes e a imprimir o estilo de atuação que defendia.
No encerramento, relatou ocorrências em que presos teriam reconhecido a atuação de sua equipe e mencionou um confronto envolvendo um cabo de sua guarnição que, segundo ele, impediu um feminicídio e trocou tiros com um homem armado. Machado disse esperar que o policial receba promoção por bravura após a apuração administrativa. A entrevista foi concedida ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.
DEZ FRASES DE SARGENTO MACHADO
01. “E se tombar, é de levar pelo menos dois ou três conosco.”
Machado usou a frase ao explicar sua postura em confrontos e a comparação da equipe com um pitbull, dizendo que o policial deve agir diante de risco.
02. “Eu não me rotulo de nada, irmão. De esquerda, de direita, de centro.”
A declaração foi dada ao responder por que aceitou disputar pelo PSB, partido colocado por Robson Oliveira no campo da esquerda.
03. “Determinaram o término da nossa guarnição, sem ter cometido crime algum.”
Machado afirmou que a equipe foi desfeita, seus integrantes foram distribuídos em turnos diferentes e ele deixou de comandar a guarnição.
04. “Eu não sei o que está acontecendo nos bastidores, não posso afirmar nada.”
Depois de levantar a possibilidade de influência política no episódio envolvendo a guarnição, Machado fez a ressalva e evitou atribuir a decisão a políticos específicos.
05. “Não vou formar um time, vou formar uma seleção.”
Machado disse que recebeu de Samuel Costa a missão de cuidar da segurança pública numa eventual vitória e afirmou já pensar em nomes para postos de comando.
06. “A corrupção, como o Samuel Costa sempre costuma falar, ela é… Ela é ambidestra. E ela é daltônica.”
Ele usou a metáfora para sustentar que corrupção não pertence a um único campo ideológico e não distingue as cores associadas à polarização política.
07. “A polícia não existe pra fazer da terra um paraíso, mas ela existe para impedir que o inferno se estalhe nessa terra.”
Machado utilizou a frase ao defender apoio da sociedade às forças policiais e explicar qual considera ser a função da polícia na segurança pública.
08. “A Polícia Militar tá doente, tá velha.”
A afirmação resumiu sua crítica ao déficit de efetivo, ao envelhecimento da tropa e ao período prolongado sem concurso.
09. “Eu sou totalmente contra essa locação de viatura.”
Machado criticou o custo e o porte dos veículos usados pela PM e defendeu a substituição do modelo de locação.
10. “Basta ter vontade de querer e basta ser honesto.”
A frase foi usada na defesa de que é possível melhorar a segurança pública com concursos, viaturas adequadas e busca de recursos federais.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





