Candidato a deputado federal diz fazer campanha com poucos recursos, comenta reclamação de Júnior Lopes, explica saída do PL e dispara contra política baseada em redes sociais
Porto Velho, RO – A divisão de recursos eleitorais dentro do PSD colocou Fernando Vilas da Blueray no centro de uma das discussões mais incisivas de sua participação no RD Entrevista. Candidato a deputado federal, o empresário afirmou que também enfrenta uma campanha com pouco dinheiro, rejeitou transformar a situação em reclamação pública e defendeu os valores destinados às candidaturas femininas da legenda.
Entrevistado pelo jornalista Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, Fernando foi questionado sobre a reclamação de Júnior Lopes após o ex-secretário receber R$ 100 mil do fundo eleitoral enquanto Joliane Fúria recebeu R$ 1,5 milhão.
A resposta foi inserida pelo candidato em uma crítica mais ampla à forma como parte da política é feita atualmente.
“Eu tenho saudade da política da década de 80, que a gente não via mimimi em rede social. O candidato ia lá, se não tinha dinheiro, gastava sola de sapato. Eu estou fazendo campanha sem dinheiro, gastando sola de sapato. Não fui em rede social reclamar”, afirmou.
Fernando citou candidatas beneficiadas com recursos e defendeu que o dinheiro permanecesse com elas.
“Deixa o dinheiro para as mulheres. Homem tem mais facilidade de sair pedindo ajuda. Deixa para as mulheres”, declarou.
A resposta sintetizou um discurso repetido em diferentes momentos da entrevista. O candidato criticou o que chamou de excesso de “mimimi”, políticos voltados para redes sociais e produção de conteúdo em detrimento, na avaliação dele, da execução de projetos e busca por resultados.
Fernando utilizou a própria passagem pela Associação Comercial e Industrial de Ariquemes como exemplo. Disse que participou diretamente das articulações para viabilizar o aeroporto do município mesmo sem mandato eletivo.
Segundo ele, as viagens a Brasília representaram um gasto pessoal superior a R$ 70 mil entre passagens, hospedagem e alimentação.
“Eu, como um pequeno empresário, presidente de uma associação comercial do interior, trouxe um aeroporto para a cidade de Ariquemes, sem mandato, sem cota parlamentar. Gastei R$ 70 mil do meu bolso só com passagem aérea, hotel e alimentação de todas as vezes que fui para Brasília buscar esse aeroporto”, afirmou.
Ao longo da conversa, Fernando apresentou a ideia de ação prática como um dos principais argumentos para sua candidatura. Ele relatou também um episódio envolvendo o abastecimento de oxigênio durante a pandemia.
Segundo o candidato, diante da possibilidade de falta de cilindros em Ariquemes, um grupo se mobilizou, arrecadou aproximadamente R$ 300 mil e buscou 150 cilindros no Paraná.
“É assim que se faz. Tem que parar de mimimi. A gente tem que resolver as coisas”, afirmou.
O mesmo discurso apareceu quando Fernando tratou de entidades sociais mantidas com participação direta da sociedade. O Hospital do Amor ocupou parte importante da entrevista.
Fernando disse participar há cerca de 18 anos das mobilizações para arrecadação de recursos à instituição e afirmou que pecuaristas, empresários e moradores contribuem por meio de leilões, rifas, camisetas, doação de animais e trabalho voluntário.
O empresário afirmou que sua própria família doa animais para leilões e disse que um touro entregue por eles pode alcançar aproximadamente R$ 25 mil.
A crítica apareceu quando Fernando falou sobre a associação entre ações realizadas em favor do hospital e figuras políticas. Segundo ele, essa aproximação estaria dificultando o trabalho das pessoas encarregadas de pedir doações.
“Ao começar a misturar o Hospital do Amor com política, nós que estamos lá na ponta, todo leilão pedindo doação de gado, pedindo doação de dinheiro e pedindo doação de prenda, estamos sentindo dificuldade”, afirmou.
O candidato disse que a contribuição de pessoas comuns deveria receber maior reconhecimento. Entre os exemplos apresentados, citou uma mulher que mora na zona rural e, segundo ele, pega ônibus duas ou três vezes por semana para servir café voluntariamente no hospital.
A participação de empresários em ações sociais também foi abordada a partir da Associação das Mães de Autistas de Ariquemes. Fernando afirmou acompanhar a instituição desde a formação e disse que atualmente mais de 700 famílias são atendidas.
Segundo ele, a associação enfrenta dificuldades para manter profissionais e teria uma despesa mensal próxima de R$ 200 mil com mão de obra.
Fernando afirmou que chegou a divulgar um vídeo alertando para o risco de encerramento das atividades. Ao falar sobre a situação, voltou a criticar a forma como alguns agentes políticos se relacionam com entidades sociais.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a liberação pontual de recursos não resolve problemas permanentes de custeio.
“A política vai lá tirar foto, faz vídeozinho, acha que doar R$ 500 mil vai resolver o problema de uma instituição que tem R$ 200 mil de mão de obra por mês, e acha que doou aqueles R$ 500 mil e resolveu todo o problema”, declarou.
Além das críticas internas ao PSD e à atuação política em entidades sociais, Fernando fez uma avaliação dura da bancada federal de Rondônia.
O candidato relacionou a crítica às mudanças provocadas pela reforma tributária. Segundo ele, o estado enfrenta uma desvantagem estrutural por estar distante dos grandes centros e possuir extensas áreas submetidas a proteção ambiental.
“Como que a gente elogia uma bancada federal quando uma reforma tributária está acontecendo e nós não vemos nenhuma lei de incentivo tributário para as empresas que estão no estado de Rondônia?”, questionou.
Fernando afirmou que empresas instaladas em Rondônia poderão enfrentar impostos semelhantes aos de companhias de São Paulo sem dispor das mesmas condições logísticas.
Ele defendeu que as áreas de floresta, reservas e terras indígenas sejam utilizadas na negociação política por incentivos tributários.
“Se o Brasil quer que nós preservemos, nós temos que ter um incentivo tributário, porque nós não vamos poder expandir a nossa produção”, afirmou.
O candidato também relacionou o tema ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e disse acreditar que as exigências ambientais aumentarão. Para ele, essas obrigações deveriam ser utilizadas como argumento para conseguir contrapartidas econômicas para Rondônia.
Fernando chegou a afirmar que sua empresa iniciou movimentos para estabelecer presença no Paraguai.
“Se nós vamos ter os impostos iguais a São Paulo, sem nenhum incentivo tributário, onde é melhor produzir? São Paulo. Melhor levar a empresa para lá, melhor levar a empresa para o Paraguai, porque lá nós vamos ter condições melhores para produzir”, disse.
A situação da saúde pública apareceu dentro do mesmo debate. Fernando afirmou que Rondônia enfrenta dificuldades para continuar sustentando o setor e fez uma previsão de déficit superior a R$ 1 bilhão.
“Rondônia já não sustenta bancar a saúde. Pode anotar: o estado de Rondônia vai fechar com mais de um bilhão de déficit na saúde pública”, declarou.
Segundo ele, diante desse cenário, seria ainda mais difícil exigir que o estado financiasse sozinho políticas de incentivo às indústrias.
“Rondônia não aguenta mais bancar saúde. Imagina bancar incentivos para indústrias permanecerem no estado. Sozinho não vai conseguir. Rondônia precisa de ajuda”, afirmou.
A trajetória política de Fernando também foi detalhada no programa. O candidato confirmou que estava filiado ao PL antes de migrar para o PSD na reta final da janela partidária.
Segundo ele, havia dificuldade de comunicação e acesso dentro da antiga legenda.
“Eu tinha uma dificuldade de acesso dentro do PL. Se eu quero conversar com você, eu preciso sentar com você e acertar como é que vai andar. Isso a gente não tinha, então você andava meio no escuro, num trabalho solo”, declarou.
Fernando disse que, durante a pré-campanha, passou a conhecer melhor candidatos e administrações municipais. Nesse processo, afirmou ter observado o trabalho realizado por Adailton Fúria em Cacoal.
Posteriormente, segundo o candidato, Fúria telefonou e o convidou para ingressar no PSD.
Fernando afirmou estar satisfeito na legenda e disse que a possibilidade de diálogo pesou na decisão. Para ele, governos e partidos não deveriam funcionar em torno de apenas uma pessoa.
“O estado não pode ser governado por uma cabeça só. Grupo se faz assim, com várias ideias. A política é isso, são várias ideias diferentes convergindo e formando uma ideia média que fica melhor para todo mundo”, declarou.
A entrevista também percorreu a história empresarial do candidato. Fernando contou que sua família chegou a Rondônia durante a década de 1970, quando o pai trabalhava como motorista de caminhão.
Ele associou a trajetória familiar à ideia de oportunidade econômica e afirmou que Rondônia precisa construir políticas capazes de permitir crescimento individual.
“Não estou falando de um assistencialismo sem freio. Estou falando de criar oportunidades para a pessoa crescer, para ela ganhar dinheiro, para ela ser rica”, afirmou.
O candidato disse manter uma indústria com atuação em diferentes estados e centenas de colaboradores. Ao falar sobre o setor produtivo, criticou a quantidade de impostos e afirmou não enxergar retorno proporcional em áreas públicas consideradas essenciais.
Outro episódio lembrado foi a chegada da Havan a Ariquemes. Fernando contou que conseguiu o contato de Luciano Hang quando presidia a associação comercial e convidou o empresário para conhecer a cidade.

Segundo ele, inicialmente Hang teria relatado preocupação com as condições do aeroporto para receber sua aeronave. Fernando disse ter assegurado que o pouso poderia ser realizado e posteriormente acompanhou a visita.
O candidato contou que, mais tarde, quando a empresa decidiu abrir uma loja em Ariquemes, voltou a receber Luciano Hang e participou da apresentação do terreno onde o empreendimento acabou instalado.
Fernando também falou sobre sua passagem pelo Conselho da Cidade de Ariquemes. Segundo ele, em 2023 havia loteamentos com processos parados havia anos.
O empresário afirmou ter montado uma comissão de engenheiros e participado da liberação de cinco empreendimentos.
Na avaliação dele, aumentar a oferta de lotes era uma forma de gerar concorrência e reduzir preços.
“Se tem concorrência, tem preço baixo. Se tem preço baixo, a pessoa mais humilde vai conseguir comprar um terreno. Então a gente tem que dar oportunidades”, afirmou.
O candidato abordou ainda ações voltadas a comerciantes que trabalhavam em calçadas e estruturas improvisadas. Fernando disse que o Conselho da Cidade ouviu os vendedores e participou, ao lado da prefeitura e do Ministério Público, de uma iniciativa para oferecer espaços mais estruturados.
Na parte final do programa, Fernando explicou como pretende apresentar a candidatura aos eleitores. Disse que imprimiu um currículo e utiliza o documento durante a campanha.
“Eu falo assim: ‘Olha, eu sou Fernando Vilas da Blueray, candidato a deputado federal, e aqui está meu currículo. Estou pedindo emprego para você’. Porque, quando eu vou contratar alguém, eu pego um currículo. Eu quero saber o que ele fez na vida”, afirmou.
Para Fernando, candidatos não deveriam chegar aos municípios com projetos previamente formatados sem ouvir as necessidades locais. Ele afirmou que prefeitos, moradores e lideranças conhecem melhor as prioridades de suas cidades.
“Eu não posso ir com receita de bolo. Quem sabe o que precisa na cidade são as pessoas da cidade”, declarou.
Ao encerrar a participação no RD Entrevista, Fernando voltou a relacionar a candidatura à experiência acumulada fora de cargos eletivos. Citou o aeroporto, entidades sociais e ações privadas de auxílio à população.
“Eu levantei do sofá da minha casa, cansei de mimimi, cansei de promessa, porque somos nós, o povo de Rondônia, pessoas comuns, que estamos resolvendo os problemas”, afirmou.
O candidato disse que pretende utilizar um eventual mandato para ampliar a capacidade de execução e defendeu a retomada de projetos de infraestrutura de maior porte no estado.
O RD Entrevista é apresentado pelo jornalista Vinícius Canova, realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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