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CRIANÇAS E ADOLESCENTES

MPRO debate riscos da internet para crianças e adolescentes e propõe ações de proteção digital

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Evento realizado em Porto Velho reuniu especialistas, representantes da segurança pública e profissionais de diferentes áreas para discutir violência online, inteligência artificial e medidas de prevenção

Por Yan Simon - sábado, 10/10/2026 - 10h22

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Porto Velho, RO – O aumento dos riscos relacionados ao uso da internet por crianças e adolescentes, incluindo aliciamento virtual, exploração sexual e exposição a conteúdos prejudiciais, foi um dos principais assuntos discutidos durante encontro promovido pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO). Especialistas defenderam a ampliação das medidas preventivas, o fortalecimento da educação digital e a integração entre instituições responsáveis pela proteção da infância.

As discussões também abordaram situações envolvendo o uso de inteligência artificial, especialmente a produção de imagens de exploração sexual infantil, a disseminação de discursos de ódio e a utilização de ferramentas que simulam vínculos afetivos. Os temas foram apresentados pela psicóloga Bianca Orrico, da SaferNet Brasil, durante participação virtual no painel dedicado às vulnerabilidades digitais e às respostas institucionais.

A especialista destacou os canais disponibilizados pela organização para orientação e recebimento de denúncias relacionadas a crimes praticados na internet. Também defendeu a inclusão da cidadania digital nas escolas, por meio de materiais pedagógicos e iniciativas gratuitas destinadas à capacitação de professores e à conscientização dos estudantes.

O encontro ocorreu na sexta-feira (9), no auditório do MPRO, em Porto Velho, como parte do projeto Naturalizando a Proteção Digital da Infância – 2026. A programação reuniu profissionais da educação, saúde, assistência social, segurança pública e integrantes do sistema de garantia de direitos, com três painéis temáticos e duas rodas de conversa.

Durante a abertura, a promotora de Justiça Tânia Garcia, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção Integral e Defesa dos Direitos das Vítimas (Gaevit), ressaltou que a segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual depende da participação conjunta das famílias, do poder público, da sociedade e das empresas de tecnologia.

A representante do MPRO também chamou atenção para a necessidade de preservar atividades fundamentais ao desenvolvimento infantil, como brincadeiras, convivência familiar e experiências fora das telas. Segundo ela, os recursos tecnológicos devem contribuir para a formação das novas gerações, sem substituir essas vivências.

“Não se trata de uma demonização da tecnologia; ela está presente nas nossas vidas”, afirmou Tânia Garcia, ao defender a utilização responsável das ferramentas digitais.

A promotora mencionou ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), legislação que estabelece obrigações de segurança para plataformas e reforça mecanismos de proteção de menores de idade na internet.

Entre as apresentações realizadas, a advogada Catarina Fugulin, especialista em proteção digital da infância, examinou os efeitos do uso excessivo de dispositivos eletrônicos sobre o comportamento e o desenvolvimento de crianças e adolescentes. A participação ocorreu de forma virtual e incluiu discussões sobre algoritmos desenvolvidos para prolongar o tempo de permanência nas plataformas.

Conforme a especialista, a exposição contínua a esses mecanismos pode comprometer a atenção, a convivência familiar e aspectos da saúde mental. Também foram abordadas a vulnerabilidade de jovens a estímulos digitais e as dificuldades relacionadas ao aliciamento pela internet.

A primeira roda de conversa, denominada “O que estamos vendo?”, reuniu a psicóloga Bianca Orrico, o delegado da Polícia Federal João Paulo dos Santos, a superintendente executiva da Polícia Rodoviária Federal Letícia Auler e a psiquiatra infantil Thais Campos. A mediação ficou sob responsabilidade da promotora Luciana Ondei Rodrigues Silva, coordenadora do Grupo Especial da Educação (Gaeduc).

Os participantes compartilharam situações identificadas em suas respectivas áreas de atuação e discutiram consequências associadas à utilização inadequada de redes sociais, aplicativos e outras plataformas digitais por menores de idade.

Na etapa seguinte, a discussão foi direcionada às medidas de prevenção, ao acolhimento de vítimas e à orientação de responsáveis. A roda de conversa “O que podemos fazer?” contou com representantes da Defensoria Pública, Polícia Federal, Polícia Civil e Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).

Participaram desse debate o defensor público Daniel Mendes Carvalho, coordenador do Núcleo de Promoção e Defesa da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Nueca IPCD); o delegado federal Rômulo Marchetti; os escrivães da Polícia Civil Afonso Henrique Cardoso de Azevedo e Laisa Aparecida Carvalho; e a delegada adjunta da DEPCA, Regeane Rosa Freitas Ferreira. A atividade foi mediada pela promotora de Justiça Fernanda Alves Pöppl e também teve a participação de Bianca Orrico.

Ao término da programação, os promotores de Justiça Luciana Ondei Rodrigues Silva, Tânia Garcia e Fábio Augusto Negreiros Parente Capela Sampaio participaram do painel “Síntese e Encaminhamentos”.

O encerramento foi dedicado à consolidação dos assuntos apresentados e à discussão de propostas para ampliar a cooperação entre os órgãos envolvidos. A iniciativa buscou fortalecer estratégias de prevenção e enfrentamento às violências digitais, além de incentivar práticas de proteção que possam ser incorporadas ao cotidiano de famílias, escolas e instituições públicas.

Com informações de: Ministério Público de Rondônia

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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