Deputado estadual eleito relata perda de recursos previstos e paralisação da campanha após decisão envolvendo a candidatura do pai, comenta articulações com Marcos Rogério e projeta disputa pela presidência da Assembleia Legislativa
Porto Velho, RO – O deputado estadual eleito Wiveslando Neiva (PL) afirmou que o grupo político liderado pelo governador eleito Marcos Rogério (PL) não terá justificativas para deixar de apresentar resultados à população de Rondônia, revelou os impactos financeiros e eleitorais provocados pela substituição da candidatura de seu pai, Ezequiel Neiva, à Câmara Federal, e confirmou conversas sobre a possibilidade de o atual parlamentar assumir uma função no futuro governo estadual. As declarações foram feitas durante participação no podcast RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova, nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.
Um dos momentos mais sensíveis da entrevista ocorreu quando Wiveslando abordou o indeferimento do registro de candidatura de Ezequiel Neiva e a decisão partidária de substituí-lo antes que a família pudesse obter uma manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o deputado eleito, a expectativa era recorrer da decisão desfavorável do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), embora todos os envolvidos reconhecessem os riscos jurídicos existentes.
O parlamentar eleito afirmou que a família, as lideranças e os integrantes da campanha acreditavam na possibilidade de reverter a situação nas instâncias superiores. Entretanto, o encaminhamento adotado pelo partido teria frustrado essa expectativa.
“E infelizmente houve essa substituição antes do nosso recurso, então nós ficamos sem saber se realmente poderia, se realmente não poderia”, declarou Wiveslando, ao explicar que não houve oportunidade de conhecer o resultado de uma eventual análise do caso pelo TSE antes da mudança na candidatura.
A insatisfação, conforme relatou, aumentou porque a pessoa escolhida para ocupar o lugar de Ezequiel Neiva teria disputado a eleição sub judice. Wiveslando questionou a diferença de tratamento e afirmou que o episódio deixou a família e as lideranças políticas descontentes. Na avaliação apresentada durante a entrevista, houve problemas de comunicação e decisões que não ficaram suficientemente esclarecidas entre os envolvidos.
As consequências ultrapassaram o aspecto político. O deputado eleito revelou que o planejamento eleitoral havia sido estruturado considerando simultaneamente a candidatura de seu pai à Câmara Federal e sua própria disputa pela Assembleia Legislativa. Parte da estratégia financeira, conforme explicou, levava em conta recursos esperados para a campanha federal.
“O primeiro deles, financeiro, porque nós estávamos contando com o fundo eleitoral que vem para o candidato a deputado federal para que a gente pudesse fortalecer essa campanha estadual”, disse Wiveslando, ao identificar o primeiro dos dois grandes impactos provocados pela retirada da candidatura de Ezequiel.

Entre o peso do sobrenome e a cobrança por resultados
Deputado estadual eleito relata o impacto da retirada da candidatura do pai, avalia a força conquistada pelo PL, admite conversas sobre a Mesa Diretora e apresenta as marcas que pretende imprimir ao mandato.
Da campanha interrompida ao primeiro mandato
Wiveslando revisitou a substituição de Ezequiel Neiva na disputa federal, os cinco dias de paralisação da campanha e a retomada que terminou com sua eleição. Também falou sobre saúde, agricultura, despesas públicas, composição da Assembleia, Legendários e a tradição política da família.
Informações, percentuais, valores e avaliações políticas reproduzem dados e declarações atribuídos ao entrevistado durante o programa.
O mandato que ele promete construir
Advogado desde 2012, Wiveslando contou que trabalhou no Tribunal de Contas e na Secretaria de Estado da Agricultura, estudou para concursos da magistratura e passou a acompanhar diretamente o trabalho parlamentar do pai durante a pandemia.
“Então, quero que as pessoas enxerguem em mim um político confiável, com credibilidade; alguém que honra compromissos, honra a palavra e aquilo que tratou e conversou; um político previsível.”
No encerramento, o deputado eleito apresentou a confiabilidade, o cumprimento da palavra e a previsibilidade como marcas que pretende adotar no exercício do mandato.
“Eu não preciso me tornar um personagem nem vestir uma roupagem de ator ou artista para pedir voto e fazer política. Isso já é natural na nossa família.”
A declaração apareceu quando Wiveslando explicou a formação política recebida desde cedo e a convivência familiar com pessoas que exerciam mandatos.
Do Cone Sul à Assembleia
Natural de Colorado do Oeste, foi criado em Cerejeiras e viveu no município até os 17 anos.
Direito e serviço público
Relatou passagens pelo Tribunal de Contas e pela Agricultura, além dos estudos para a magistratura.
Cerejeiras e novas alianças
Afirmou ter recebido pouco mais de 40% dos votos locais e precisado ampliar apoios para outras regiões.
A substituição de Ezequiel e o projeto desmontado
A família pretendia recorrer ao TSE contra a decisão desfavorável ao registro de Ezequiel Neiva. Segundo Wiveslando, o partido promoveu a substituição antes que essa possibilidade fosse examinada, afetando o planejamento político e financeiro das duas candidaturas.
“Infelizmente, houve essa substituição antes do nosso recurso. Então, ficamos sem saber se realmente poderia ou não poderia.”
Wiveslando afirmou que a mudança impediu a família de conhecer o resultado de uma eventual análise do caso pelo Tribunal Superior Eleitoral.
“O primeiro deles foi o financeiro, porque estávamos contando com o fundo eleitoral destinado ao candidato a deputado federal para fortalecer a campanha estadual.”
O planejamento havia sido elaborado em conjunto e considerava recursos da candidatura federal para ampliar a estrutura estadual.
“A nossa campanha chegou a parar por praticamente cinco dias.”
Ele relatou desmobilização de lideranças e a necessidade de reconstruir contatos, visitas e compromissos para retomar a campanha.
O PL venceu — e perdeu a desculpa
A vitória de Marcos Rogério no primeiro turno, as duas cadeiras do Senado e a maior bancada da Assembleia formam, na avaliação de Wiveslando, uma concentração de força que aumenta a obrigação de entregar resultados.
“Agora, o que nós não temos é desculpa. Esse grupo não tem mais desculpas para dar errado, para não conseguir fazer ou para não fazer.”
A frase respondeu à pergunta sobre como o PL transformará o poder conquistado no Executivo e no Legislativo em ações concretas para a população.
Aliança além do partido
Wiveslando projetou atuação conjunta com Novo, Podemos e aliados de Marcos Rogério distribuídos por outras legendas. O desenho, segundo ele, poderá ampliar a sustentação ao futuro governo.
Regionalizar o atendimento
Defendeu serviços mais próximos do Cone Sul para reduzir viagens longas até Porto Velho e aliviar a demanda concentrada na capital.
Alternativa à BR-364
Apoiou a proposta de uma ligação rodoviária alternativa, inclusive diante da cobrança de pedágios na rodovia federal.
Cortar despesas sem elevar tributos
Mencionou restrições fiscais, defendeu redução de gastos administrativos e apoio ao compromisso de não aumentar impostos.
Um quer ficar na Assembleia; o outro é cotado para o Executivo
Wiveslando disse não ter planejado assumir secretaria e reafirmou a intenção de exercer o mandato legislativo. Sobre Ezequiel Neiva, porém, confirmou conversas com Marcos Rogério e integrantes da transição envolvendo a Secretaria de Agricultura.
“Não cogitei, em nenhum momento, assumir uma secretaria. Eu não tinha pensado nem sonhado com isso.”
A resposta foi dada quando Vinícius Canova perguntou se o deputado eleito poderia deixar a Assembleia para ocupar uma função no Executivo.
Possibilidade na Agricultura
O entrevistado confirmou diálogo sobre eventual participação do pai no governo. Citou três mandatos parlamentares, experiência administrativa e atuação em apoio à agricultura familiar.
Máquinas e implementos
Defendeu apoio público a propriedades que não dispõem de recursos para adquirir equipamentos e tecnologia.
Do trabalho manual à mecanização
Relatou ter acompanhado mudanças em associações e propriedades depois da entrega de equipamentos.
Agricultura familiar e grande escala
Sustentou que pequenos produtores dependem mais diretamente do Estado para elevar a capacidade produtiva.
Mesa Diretora, presidência e convivência com a oposição
O deputado eleito confirmou conversas para os dois biênios da próxima legislatura. Avaliou que as presidências tendem a sair do grupo ligado a Marcos Rogério, mas disse que não há nomes definidos — e não excluiu a própria participação.
“O certo é que a presidência, tanto do primeiro quanto do segundo biênio, provavelmente virá desse grupo. Mas ainda não há nenhum nome definido para presidente.”
Wiveslando disse esperar que as negociações cheguem a janeiro com dois nomes capazes de reunir consenso para os respectivos períodos.
“Acima de tudo, penso que deve haver diálogo institucional e respeito às diferenças.”
A declaração tratou da convivência entre parlamentares do PL e do PT. O eleito defendeu que divergências sejam resolvidas por debate e votação.
Construção de consenso
As tratativas buscam nomes para os dois períodos de comando da Assembleia, ainda sem definições públicas.
Conversas abertas
Wiveslando disse esperar uma disputa diferente de práticas antigas marcadas, segundo os relatos mencionados, pela desconfiança entre deputados.
Debate dentro das regras
Ao comentar as duas representantes do PT, sustentou que a finalidade institucional deve permanecer voltada à população.
Espiritualidade, política e uma conexão indireta
Wiveslando explicou que o movimento reúne homens em atividades de 72 horas dedicadas à espiritualidade cristã, à família e ao desenvolvimento pessoal. Negou campanhas ou orientação formal de voto nas reuniões, mas reconheceu possíveis relações indiretas com a política.
“A política realmente acaba ficando de fora, mas, indiretamente, essa relação existe. Existe, não é? Existe.”
A observação ocorreu depois de o entrevistado negar pedidos de voto e indicações de candidatos nas atividades do movimento.
Sem exclusão ideológica
Ele afirmou que pessoas de esquerda não são impedidas de participar e declarou desejar que também frequentem as atividades. Qualquer transformação pessoal, disse, depende da vontade do participante.
O “feudinho” e o argumento da renovação pelo voto
Filho de Ezequiel Neiva e integrante de uma família com passagens por mandatos municipais e estaduais, Wiveslando foi questionado sobre grupos familiares que permanecem no poder por gerações. Defendeu que a continuidade deve ser medida pelo trabalho e pela escolha dos eleitores.
“É um ‘feudinho’, não é? Está começando, mas mantemos uma tradição de trabalho.”
Em tom descontraído, ele usou a expressão para se referir à própria família e sustentou que a permanência eleitoral depende da confiança renovada nas urnas.
Do avô aos mandatos atuais
Wiveslando citou a passagem do avô pela Prefeitura de Cerejeiras, experiências anteriores no Paraná e a presença de tios na administração e no Legislativo municipal.
Trabalho como critério
Para o eleito, uma tradição familiar não é necessariamente negativa se os representantes mantêm atuação efetiva.
A palavra final das urnas
Ele argumentou que a permanência de uma família na política depende da renovação da confiança dos votantes.
Previsibilidade no mandato
Ao concluir, voltou à promessa de cumprir compromissos e preservar os princípios apresentados durante a campanha.
A declaração foi acompanhada de explicações sobre materiais publicitários preparados para as duas candidaturas. Segundo ele, a campanha utilizou durante aproximadamente 30 dias peças produzidas com a participação de seu pai. Com a mudança, parte desse investimento teria sido perdida, ao mesmo tempo em que os recursos esperados para a candidatura federal deixaram de integrar o planejamento do grupo.
Wiveslando também atribuiu ao episódio uma desmobilização temporária das lideranças que participavam do projeto eleitoral. O deputado eleito afirmou que a situação gerou incerteza sobre os próximos passos e chegou a interromper as atividades de campanha.
“A nossa campanha chegou a parar por praticamente cinco dias”, relatou. Segundo ele, foi necessário retomar contatos, realizar visitas e reconstruir a mobilização política para conseguir manter a candidatura competitiva até a votação de 4 de outubro.
Apesar das dificuldades, Wiveslando conquistou 18.610 votos e uma das sete cadeiras obtidas pelo PL na Assembleia Legislativa. O resultado representou, para ele, a continuidade do trabalho político construído por Ezequiel Neiva, embora tenha reconhecido a intensidade da disputa proporcional e a margem estreita em relação a outro candidato que também buscava uma vaga.
A eleição de Marcos Rogério no primeiro turno, a conquista de duas vagas ao Senado por candidatos do PL e a formação da maior bancada partidária da Assembleia foram apresentadas pelo entrevistado como fatores que ampliam a responsabilidade política dos eleitos. Wiveslando reconheceu que a concentração de forças no mesmo campo político reduz a possibilidade de atribuir a outros grupos eventuais dificuldades de gestão.
“Agora, o que nós não temos é desculpa. Esse grupo não tem mais desculpas de dar errado ou de não conseguir fazer coisas, de não fazer”, afirmou o deputado eleito, ao responder a uma pergunta de Vinícius Canova sobre a necessidade de transformar o discurso conservador, liberal e de direita em ações administrativas concretas.
Na avaliação de Wiveslando, a bancada do PL poderá atuar em conjunto com representantes de outras siglas, entre elas Novo e Podemos. Ele também mencionou a presença de aliados políticos de Marcos Rogério distribuídos por diferentes partidos, formando um grupo potencialmente mais amplo de sustentação ao governo.
Entre as prioridades apontadas para o próximo mandato, o deputado eleito destacou a regionalização da saúde pública. Ele defendeu a criação de condições para que pacientes do Cone Sul de Rondônia recebam atendimento sem a necessidade de percorrer longas distâncias até Porto Velho.
“Não faz sentido para os pacientes lá da cidade de Calafrio, de Colorado Oeste, precisar andar 800 quilômetros para buscar saúde aqui em Porto Velho”, declarou, ao exemplificar as dificuldades enfrentadas por moradores do interior. A referência à distância foi apresentada pelo entrevistado como argumento para descentralizar os serviços de saúde.
Wiveslando associou a proposta ao plano de governo de Marcos Rogério e afirmou que a capital acaba absorvendo não apenas a demanda de seus próprios moradores, mas também a de pacientes encaminhados de outras regiões do estado. Ao defender uma estrutura mais próxima das cidades do Cone Sul, mencionou ainda os riscos enfrentados durante os deslocamentos rodoviários para tratamento médico.
Outro compromisso que recebeu apoio do deputado eleito foi a construção de uma ligação rodoviária alternativa à BR-364. Segundo explicou, a proposta integra o planejamento do futuro governador e permitiria estabelecer outra opção de circulação dentro de Rondônia, inclusive diante da cobrança de pedágios na rodovia federal.
A viabilidade dos investimentos, porém, foi tratada por Wiveslando como um desafio. Ele afirmou que a situação fiscal do estado exige atenção, citando discussões conduzidas pelo Tribunal de Contas com candidatos ao governo sobre a aproximação entre receitas e despesas públicas. Na entrevista, mencionou uma margem de aproximadamente R$ 6 milhões como exemplo da limitação financeira que, segundo sua avaliação, comprometeria novos investimentos.
O deputado eleito também defendeu a redução de despesas administrativas e a manutenção do compromisso atribuído a Marcos Rogério de não elevar tributos. Para Wiveslando, a tributação já representa um peso significativo para a atividade econômica, sem que a população necessariamente perceba uma melhoria proporcional na prestação dos serviços públicos.
A formação do futuro governo abriu outro assunto politicamente relevante: o destino de Ezequiel Neiva após o encerramento de seu mandato na Assembleia Legislativa. Questionado sobre a possibilidade de ele próprio assumir uma secretaria, Wiveslando afirmou que pretende exercer o cargo para o qual foi eleito e que não havia considerado anteriormente uma função no Executivo.
“Não tinha cogitado em nenhum momento a secretaria. Eu não tinha nem pensado, nem sonhado”, respondeu, ao explicar que sua intenção é permanecer no Legislativo.
A situação do pai, entretanto, foi apresentada de maneira diferente. Wiveslando confirmou a existência de diálogo com Marcos Rogério e com integrantes da equipe de transição, apontando a Secretaria de Estado da Agricultura como a área considerada para um eventual aproveitamento de Ezequiel Neiva.
Segundo o deputado eleito, a experiência acumulada pelo pai durante três mandatos parlamentares, além de passagens por funções administrativas no governo estadual, permitiria sua participação na próxima gestão. Ele destacou especialmente a atuação de Ezequiel no apoio à agricultura familiar, mencionando a destinação de recursos para tratores, implementos agrícolas, insumos e equipamentos utilizados por pequenos produtores rurais.
Wiveslando argumentou que o suporte público pode transformar a produtividade de propriedades menores, nas quais os agricultores nem sempre dispõem de recursos próprios para adquirir máquinas e tecnologias. Na entrevista, relatou visitas a associações e propriedades rurais nas quais acompanhou trabalhadores utilizando ferramentas manuais e, posteriormente, observou mudanças após a entrega de equipamentos.
O deputado eleito diferenciou as necessidades da agricultura familiar das demandas dos produtores de grande escala. Enquanto os maiores produtores teriam condições de adquirir parte dos equipamentos necessários, segundo ele, os pequenos dependem mais diretamente do apoio estatal para elevar a produtividade. Por isso, apresentou a Agricultura como uma possibilidade de continuidade do trabalho realizado por Ezequiel Neiva.
A composição política da Assembleia Legislativa também foi discutida. Wiveslando afirmou que já existem conversas entre integrantes da bancada do PL e parlamentares de outras legendas sobre a escolha da Mesa Diretora para os dois biênios da próxima legislatura.
Ele disse acreditar que a presidência deverá ficar com integrantes do grupo alinhado a Marcos Rogério, embora tenha ressaltado que nenhuma candidatura havia sido definida e que as negociações ainda estavam em andamento.
“O certo é que a presidência, tanto do primeiro biênio quanto do segundo biênio, provavelmente virá desse grupo, mas ainda não tem nenhum nome certo como sendo o presidente”, declarou, acrescentando que ele próprio não estaria excluído das possibilidades.
Segundo Wiveslando, a expectativa é chegar a janeiro com dois nomes capazes de reunir consenso para os respectivos períodos de comando. Ele reconheceu que a presidência desperta interesse entre os deputados, mas afirmou perceber mudanças na maneira como os parlamentares conduzem as negociações.
Ao ser questionado sobre relatos antigos de deputados que eram levados a resorts e permaneciam afastados de outros grupos durante disputas pela Mesa Diretora, Wiveslando afirmou que essas práticas pertenceriam a um período anterior da política estadual. Ele mencionou a falta de confiança entre os próprios integrantes do Legislativo e disse esperar que as futuras negociações ocorram por meio de conversas abertas.
A relação com a oposição também entrou na entrevista. Wiveslando comentou a presença de duas representantes do PT na Assembleia Legislativa, Cláudia e Fátima Cleide, e estabeleceu diferenças entre os perfis políticos das duas. Enquanto associou Fátima Cleide a uma tradição partidária mais antiga, que descreveu como um PT mais ligado às raízes da legenda, destacou em Cláudia uma postura que considera aberta ao diálogo.
O deputado eleito afirmou que, mesmo diante de divergências ideológicas, o objetivo institucional deve permanecer voltado ao atendimento da população.
“E acima de tudo eu penso que deve haver esse diálogo institucional, esse respeito às diferenças”, declarou, ao defender que as propostas sejam discutidas e decididas por meio das votações dentro da Assembleia.
A entrevista também abordou a continuidade de famílias tradicionais na política rondoniense. Filho de Ezequiel Neiva e integrante de uma família com atuação em mandatos municipais e estaduais, Wiveslando foi questionado sobre a formação de grupos familiares que permanecem no poder por diferentes gerações.
Ele defendeu que a continuidade política não é necessariamente prejudicial, desde que os representantes mantenham trabalho efetivo e sejam renovadamente escolhidos pelo eleitorado. Em contraposição, criticou candidaturas que classificou como aventuras políticas, nas quais pessoas conquistam mandatos sem desenvolver projetos de longo prazo.
Ao mencionar o próprio núcleo familiar, Wiveslando recorreu à expressão “feudinho”, em tom descontraído, para descrever uma tradição política que considera ainda em formação. Ele também citou outras famílias com presença prolongada na política estadual, entre elas Donadon e Oliveira, ao sustentar que a permanência eleitoral depende da confiança dos votantes.
Outro tema foi o movimento Legendários, do qual Wiveslando participa. O deputado eleito explicou que a iniciativa reúne homens em atividades com duração de 72 horas, voltadas à espiritualidade cristã, à reflexão sobre a vida familiar e ao desenvolvimento pessoal.
Ele negou que o movimento realize campanhas eleitorais ou orientações formais de voto. Ao mesmo tempo, reconheceu que seus princípios cristãos apresentam identificação com setores da direita brasileira. Durante a conversa, surgiu a informação de que o número 13 não é utilizado na identificação dos participantes, assunto que levou Vinícius Canova a questionar a participação de pessoas de esquerda.
Wiveslando respondeu que integrantes desse campo político não são impedidos de participar e chegou a manifestar o desejo de que eles também frequentem as atividades. Afirmou ainda que não existe obrigação de mudança pessoal após a experiência e que qualquer transformação depende da vontade de cada participante. Ao comentar os vínculos indiretos entre religião e política, reconheceu que essa relação pode existir, embora tenha reafirmado a ausência de pedidos de voto nas reuniões.
No campo eleitoral, Wiveslando atribuiu parte do desempenho do PL à força da identificação bolsonarista entre os eleitores, especialmente na região do Cone Sul. Disse que esperava uma votação expressiva do partido, mas reconheceu surpresa com a dimensão dos resultados obtidos por alguns colegas de legenda.
Ele também mencionou integrantes dos Legendários eleitos em Rondônia, incluindo Marcos Rogério, Lúcio Mosquini e Lucas Torres, além dele próprio, como exemplo da presença de participantes do movimento na política.
A trajetória pessoal foi apresentada ao longo da conversa. Natural de Colorado do Oeste, Wiveslando tem 37 anos e foi criado em Cerejeiras, onde viveu até os 17 anos. Advogado desde 2012, trabalhou no Tribunal de Contas e na Secretaria de Estado da Agricultura, além de ter dedicado parte de sua vida aos estudos para concursos da magistratura.
Segundo relatou, chegou à fase de sentença em um concurso do Tribunal de Justiça do Acre. Posteriormente, com a interrupção de concursos durante a pandemia, passou a acompanhar mais diretamente o trabalho de Ezequiel Neiva na Assembleia Legislativa. A experiência o levou a considerar a atividade parlamentar uma maneira de alcançar um número maior de pessoas por meio de políticas públicas.
Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, recebendo quase 11 mil votos. Na eleição de 2026, contou com a mobilização do grupo político que acompanhava seu pai e precisou ampliar sua presença eleitoral para além das cidades do Cone Sul.
Wiveslando afirmou que Cerejeiras representou sua principal base de votação, com apoio de pouco mais de 40% do eleitorado local, conforme os números citados por ele. Entretanto, explicou que a população relativamente pequena do município torna necessária a construção de alianças em outras regiões para disputar uma eleição estadual.
Ao detalhar essa estratégia, mencionou atividades políticas em Porto Velho, Nova Mamoré, Machadinho e municípios de outras regiões. Também comentou a influência de prefeitos e lideranças municipais na concentração ou divisão de apoios entre candidatos a deputado.
A história política da família foi lembrada desde o período em que seu avô exerceu o cargo de prefeito de Cerejeiras, após passagens anteriores pela Câmara Municipal de uma cidade do Paraná. Wiveslando também citou a presença de tios na administração e no Legislativo municipal de Cerejeiras como parte dessa continuidade familiar.
No encerramento do RD Entrevista, Vinícius Canova perguntou por que a população deveria confiar no novo deputado estadual. Wiveslando respondeu que pretende construir um mandato marcado pelo cumprimento de compromissos, pela fidelidade aos princípios defendidos durante a campanha e pela previsibilidade de sua atuação política.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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