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QUEIMADAS NO AMAZONAS

Governo investiga possível ação organizada em incêndios no Amazonas e abre 120 procedimentos

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Força-tarefa apura suspeitas de crimes ambientais, enquanto operações federais já extinguiram 292 incêndios e mobilizam aeronaves e brigadistas no estado

Por Yan Simon - quinta-feira, 15/10/2026 - 10h06

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Porto Velho, RO – A suspensão de aulas presenciais e a piora na qualidade do ar estão entre as consequências da fumaça provocada pelos incêndios florestais no Amazonas. Em Manaus, as atividades foram interrompidas na rede municipal de ensino, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam). Diante da situação, o governo federal intensificou as operações de combate ao fogo e a identificação dos responsáveis pelas queimadas.

Desde o início da temporada de incêndios, 292 ocorrências foram extintas no estado, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Outros oito incêndios permaneciam ativos, conforme o balanço divulgado nesta quarta-feira (14). Apesar da redução registrada nos focos, a fumaça continua atingindo a capital amazonense e outras localidades.

Para conter as chamas, foram disponibilizadas 11 aeronaves federais, incluindo seis equipamentos empregados diretamente no combate aos incêndios, com capacidade de lançamento rápido de água. A estrutura também conta com um avião KC-390, utilizado para despejar grandes volumes de água, três helicópteros destinados ao transporte de brigadistas, equipamentos e operações aéreas, além de uma aeronave Caravan para suporte logístico.

As equipes terrestres são formadas por 290 brigadistas que já trabalham nas áreas afetadas. Outros 40 profissionais federais estão em deslocamento para ampliar a capacidade de resposta, principalmente em regiões florestais de difícil acesso.

Durante um sobrevoo realizado no domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, identificaram incêndios em pontos isolados da floresta, onde o acesso terrestre apresenta dificuldades operacionais.

Em entrevista coletiva realizada em Manaus, Capobianco informou que os esforços de combate começaram a apresentar resultados, embora a situação ambiental ainda exija atenção. Segundo ele, houve diminuição no número de queimadas e sinais de redução no surgimento de novos focos.

O ministro ressaltou, entretanto, que a persistência da fumaça impede considerar a situação controlada. A expectativa do governo é de melhora gradual na qualidade do ar, mas as condições meteorológicas continuam influenciando a concentração de poluentes sobre Manaus.

De acordo com Capobianco, parte dos incêndios próximos à capital já foi reduzida. Entretanto, o deslocamento da fumaça produzida em áreas mais distantes permanece associado à direção dos ventos, fator que não pode ser controlado pelas equipes responsáveis pelas operações.

Paralelamente ao enfrentamento das chamas, uma força-tarefa de segurança pública conduz investigações para identificar possíveis crimes ambientais. Até o momento, foram registrados 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), destinados à apuração de condutas relacionadas aos incêndios.

A investigação envolve a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil do Amazonas, com apoio de outras instituições de segurança. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também participa das atividades para verificar a possibilidade de atuação coordenada na provocação dos incêndios.

Capobianco afirmou que os focos tiveram origem em ações humanas e declarou que o governo pretende identificar os envolvidos, inclusive para esclarecer se existe alguma estrutura organizada responsável pelas ocorrências.

“Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso”, declarou o ministro.

Uma das hipóteses examinadas pelas autoridades é a eventual repetição de episódios de incêndios provocados de maneira articulada. Como referência, Capobianco mencionou ocorrências registradas em 2024, associadas ao chamado “Dia do Fogo”, quando, segundo o ministro, mais de dois mil incêndios simultâneos foram contabilizados em São Paulo e no Pará.

A participação da Abin, conforme explicou, busca reunir informações que permitam identificar possíveis conexões entre os episódios atuais e situações anteriores. Até o momento, a existência de uma organização por trás dos incêndios no Amazonas permanece sob investigação.

Além das medidas criminais, a legislação prevê sanções administrativas aos responsáveis pela provocação de incêndios florestais. As multas podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, dependendo da infração identificada. Também podem ser determinados o embargo das áreas atingidas e a apreensão de equipamentos, além de eventual responsabilização criminal, com possibilidade de prisão.

O ministro destacou que os danos provocados pelas queimadas não se limitam às áreas de vegetação destruídas, uma vez que a fumaça interfere diretamente na rotina da população e no funcionamento de serviços essenciais.

“A população de Manaus foi tremendamente prejudicada e está sendo tremendamente prejudicada”, afirmou Capobianco, ao defender a responsabilização dos autores dos incêndios.

As operações de combate e as investigações permanecem em andamento. O governo federal acompanha a evolução dos focos ativos e as condições atmosféricas, enquanto as forças de segurança buscam esclarecer a origem das queimadas e determinar se houve participação de grupos organizados.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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