Informa Rondônia
PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA

Senado acelera votação da PEC da Segurança Pública após aprovação na CCJ

Senado acelera votação da PEC da Segurança Pública após aprovação na CCJ
Pronto
0%Atalhos: Espaço (play/pausa), S (parar), ←/→ (volta/avança)
🛠️ Acessibilidade:

Proposta do governo federal prevê penas mais rígidas para líderes de facções, mudanças nas atribuições das polícias e ampliação dos recursos destinados à segurança pública.

Por Yan Simon - quinta-feira, 15/10/2026 - 10h05

Informa Rondônia Compartilhe esta reportagem
0 ações
Link copiado.

Porto Velho, RO – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública poderá ser votada em dois turnos pelo Senado Federal nesta quinta-feira (15), após receber aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para ser aprovada, a matéria precisa conquistar o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores. O texto, encaminhado pelo Poder Executivo e já aprovado pela Câmara dos Deputados, estabelece mudanças na estrutura de combate à criminalidade e nas responsabilidades dos governos federal, estaduais e municipais.

Entre as principais alterações estão o endurecimento das punições aplicadas a dirigentes de organizações criminosas e milícias, a possibilidade de criação de polícias municipais e a ampliação dos mecanismos de financiamento da segurança pública. Também está prevista a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal.

A tramitação foi acelerada depois que o plenário do Senado aprovou, na noite de quarta-feira (14), um requerimento para estabelecer um calendário especial de votação. A medida permite que os dois turnos sejam realizados sem a necessidade de cumprir os intervalos de sessões deliberativas previstos no Regimento Interno da Casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou que a análise da proposta em plenário está prevista para a sessão deliberativa da tarde desta quinta-feira (15).

Antes da decisão do plenário, a CCJ havia concluído a apreciação da matéria sem modificar o texto aprovado pelos deputados federais. A proposta principal recebeu aprovação no início de setembro, mas três destaques apresentados para possíveis alterações ainda aguardavam deliberação.

Esses requerimentos deixaram de ser analisados porque os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Alessandro Vieira (MDB-SE), responsáveis pelas sugestões, não compareceram à reunião. O presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), considerou os destaques prejudicados com fundamento no artigo 300 do Regimento Interno do Senado.

Uma das mudanças previstas pela PEC é a alteração do artigo 144 da Constituição para estabelecer a atuação coordenada das instituições responsáveis pela segurança pública. O modelo determina que a cooperação entre os entes federativos seja organizada pelo SUSP, com integração das atividades de prevenção, investigação criminal e execução penal.

No enfrentamento às organizações criminosas, a proposta estabelece regras mais restritivas para líderes de facções e milícias. Entre as medidas estão o cumprimento de penas em estabelecimentos de segurança máxima e limitações ou impedimentos à progressão de regime prisional.

O texto também prevê instrumentos para atingir o patrimônio obtido por atividades criminosas, responsabilizar pessoas jurídicas envolvidas em delitos e assegurar proteção a denunciantes e seus familiares.

Outra alteração permite a criação de polícias municipais de natureza civil, com atribuições de policiamento ostensivo e comunitário. Essas instituições ficarão submetidas ao controle externo do Ministério Público. A PEC também amplia as competências da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e estabelece novas regras de organização e atuação dos órgãos de segurança.

Na área orçamentária, está previsto que metade dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) seja transferida pela União a estados e municípios, observadas as exclusões estabelecidas para despesas da polícia penitenciária nacional.

Além disso, a proposta destina 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, vinculado às receitas do pré-sal, aos fundos de segurança pública. O objetivo das alterações é estabelecer fontes permanentes de financiamento para as políticas de prevenção e repressão à criminalidade.

A PEC também prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, voltado à organização do sistema prisional brasileiro. União, estados e municípios poderão compartilhar competências legislativas relacionadas à segurança pública, à estrutura das polícias, às guardas municipais e ao sistema socioeducativo.

A matéria integra as prioridades do governo federal para o setor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia anunciado a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da mudança constitucional.

Com a conclusão da análise na CCJ e a autorização para o rito especial, a proposta segue para deliberação do plenário do Senado, onde dependerá do quórum constitucional exigido para emendas à Constituição.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





COMENTÁRIOS: