Coluna aborda a influência das lideranças religiosas sobre o voto, a aproximação de Cássio Gois com Marcos Rogério, a disputa pela Assembleia, a nova federação partidária e denúncias envolvendo verbas rescisórias na Câmara de Porto Velho
Prof. Herbert Lins – MTE 1143
O declínio do voto controlado por lideranças evangélicas
CARO LEITOR, o resultado das urnas no primeiro turno revelou mudanças na relação entre religião e política no Brasil. O voto evangélico continua relevante, mas a capacidade de bispos e pastores de transferir votos automaticamente aos candidatos que apadrinham dá sinais de enfraquecimento. As derrotas de nomes ligados a grandes igrejas expõem os limites de um modelo baseado na autoridade religiosa, na mobilização dos fiéis durante os cultos e na expectativa de que a fé se traduza em obediência eleitoral. O eleitor evangélico não desapareceu das urnas, tampouco perdeu sua força política. O que mudou foi sua disposição de seguir ordens vindas do púlpito. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato com seus milhões de votos ilustram essa nova dinâmica. Uma coisa é a força eleitoral dos evangélicos; outra, bem diferente, é o poder dos bispos de controlar seus votos. Fé não é procuração política, e o púlpito já não garante votos nas urnas.
Derrotas
As urnas deram um recado aos bispos R. R. Soares, Samuel Ferreira e Edir Macedo: púlpito não é curral eleitoral. Os candidatos apadrinhados sofreram derrotas, mostrando que a fé do rebanho não significa obediência cega na hora de apertar os botões da urna.
Resultado
R. R. Soares não conseguiu eleger os quatro filhos que disputaram cargos legislativos. O resultado demonstra que sobrenome, estrutura religiosa e visibilidade pública não garantem votos. O fiel pode respeitar o líder espiritual sem apoiar seus familiares nas urnas.
Sermão
Samuel Ferreira também sentiu o peso das urnas. Candidatos ligados ao Ministério de Madureira ficaram pelo caminho, provando que indicação pastoral não é cheque eleitoral em branco. O eleitor pode ouvir o sermão no domingo e mandar o apadrinhado para casa na segunda-feira.
Voto
O grupo de Edir Macedo também amargou derrotas, sobretudo a do sobrinho Marcelo Crivella, mas o Republicanos preservou força política. A lição é clara: o voto evangélico resiste, mas o cabresto religioso perdeu a fivela. O bispo indica; o eleitor decide.
Identidade
Em Rondônia, o voto evangélico também marcou as urnas. O senador Marcos Rogério (PL), eleito governador em primeiro turno, é membro da Assembleia de Deus de Ji-Paraná. Sua fé integra sua identidade pública, mas não explica, isoladamente, sua vitória eleitoral.
Congrega
O senador eleito Fernando Máximo (PL), que ultrapassou meio milhão de votos, também congrega na Assembleia de Deus, em Porto Velho. Seu desempenho mostra a força eleitoral de sua candidatura, sem permitir atribuir toda a votação à identidade religiosa.
Conservador
O senador eleito Bruno Scheid (PL), com quase meio milhão de votos, adota perfil cristão-conservador e se identifica com valores da Igreja Católica Apostólica Romana. Sua trajetória evidencia a presença do discurso religioso no campo político conservador.
Membro
O deputado federal Lúcio Mosquini (PL), campeão de votos para a Câmara dos Deputados, é membro da Igreja Batista. Já a deputada federal reeleita Cristiane Lopes (Podemos) congrega na Igreja Santa Geração, no bairro Nova Porto Velho, na capital.
Presença
A vereadora de Porto Velho Sofia Andrade (PL), eleita deputada federal, é membro da Igreja Batista das Nações. Sua eleição amplia a presença de representantes com vínculos religiosos na bancada rondoniense, embora a fé não seja o único fator de mobilização eleitoral.
Defensores
O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL), reeleito, é membro da Igreja Maranata. Já o delegado Thiago Flores (União), também reeleito, professa a fé cristã e integra a comunidade católica apostólica romana do Setor Dois, em Ariquemes, Rondônia.
Católicos
O deputado federal reeleito Maurício Carvalho (União) e o deputado federal eleito Jaime Gazola (Podemos) declaram-se católicos apostólicos romanos. Em Rondônia, a fé compõe o discurso de diferentes parlamentares, mas a urna continua sendo o espaço da escolha individual.
Garantiu
O voto evangélico não garantiu êxito eleitoral ao Pastor Valadares (Podemos), ao Pastor Evanildo (PSD), à Missionária Mônica (Republicanos) e a Jair Montes Júnior (Avante). A fé mobiliza, mas não assegura votos nem mandato nas urnas.
Fúria
A deputada federal eleita Joliane Fúria (PSD), até o fechamento desta coluna, não havia informado sua religião nem a qual igreja pertence. A informação permanece em aberto, enquanto a composição da bancada federal revela diferentes vínculos religiosos.
Peso
O voto católico e evangélico tem peso na composição da bancada federal de Rondônia, onde parlamentares vinculados a essas comunidades conquistaram mandatos. Contudo, a fé, sozinha, não garante votos: pesam também propostas, alianças e desempenho político.
Escudeiro
O deputado estadual Cássio Gois (PSD), fiel escudeiro do ex-candidato a governador Adailton Fúria (PSD), desfilou em Cacoal ao lado do governador eleito Marcos Rogério (PL), em carreata de apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). O gesto sinaliza mudanças no tabuleiro político.
Bastidores
Cássio Gois (PSD) deverá integrar a base de apoio de Marcos Rogério (PL) e ajudar o governador eleito a articular as duas Mesas Diretoras da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO). Nos bastidores, a movimentação amplia a disputa pelo comando da Casa.
Independência
O ex-deputado estadual Maurão de Carvalho (MDB) confidenciou a amigos que, se Marcos Rogério (PL) controlar a Mesa Diretora da ALERO como o ex-governador Ivo Cassol (sem partido) fez no passado, a independência do Legislativo ficará ameaçada. O alerta reacende o debate sobre independência dos poderes.
Federação
Prego batido, ponta virada! Avante, PRD e Solidariedade (SD) acertaram, em Brasília, a formação de uma nova federação partidária. O anúncio oficial deverá ocorrer em breve, consolidando uma aliança com reflexos no tabuleiro político nacional.
Desempenho
A federação também é uma estratégia para enfrentar as exigências da cláusula de desempenho e preservar espaço político. O acordo deverá repercutir nos estados e municípios, influenciando alianças, candidaturas e negociações para as próximas disputas eleitorais.
Promete
A federação entre Avante, PRD e Solidariedade reunirá 12 deputados federais, fortalecendo as legendas. Em Rondônia, a pergunta é: quem comandará a nova federação? Elias Rezende, Jair Montes ou Carlos Magno? Nos bastidores, a disputa promete.
Denúncias
A coluna recebeu denúncias de que a demissão em massa na Câmara Municipal de Porto Velho (CMPV) estaria sendo usada para subtrair parte das verbas rescisórias de servidores comissionados exonerados. As acusações são graves e exigem apuração.
Rescisão
Segundo os denunciantes, exonerados estariam sendo chamados para negociar a devolução de 50% a 70% da rescisão, sob a promessa de retornar aos cargos caso aceitem a proposta. A prática, se confirmada, pode configurar grave irregularidade.
Esclarecer
Os relatos apontam que os servidores seriam orientados a sacar o dinheiro ou fazer Pix para chefes de gabinete e assessores de confiança, a exemplo do motorista. Denúncias dessa natureza exigem investigação da Draco, do Ministério Público e do Tribunal de Contas de Rondônia para esclarecer os fatos.
Afirmou
A coluna questionou o presidente da CMPV, vereador Gedeão Negreiros (PSDB), sobre as denúncias. Ele afirmou desconhecer qualquer prática dessa natureza, negou que ocorra em seu gabinete e declarou responder exclusivamente pelo próprio CPF.
Sério
Falando sério, em Porto Velho, se a denúncia proceder, o servidor sai pela porta da frente, mas parte da rescisão pode voltar pela porta dos fundos, acompanhada da promessa de recontratação. Seria o cargo comissionado transformado em negócio particular? Na CMPV, transparência não pode ser discurso de tribuna. A denúncia exige investigação, documentos e explicações.
Com informações de: Herbert Lins

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AUTOR: HERBERT LINS





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