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QUARTO MANDATO

Lula é eleito para o quarto mandato com mais de 64 milhões de votos; Flávio Bolsonaro vence em Rondônia com quase 70% do total

Lula durante a campanha do segundo turno das eleições de 2026
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Presidente supera adversário por mais de 4,3 milhões de votos e conquista nova reeleição após decisão do STF que alterou o encerramento da votação; no primeiro turno, Rondônia foi o único estado onde Flávio venceu em todos os 52 municípios

Por Yan Simon - domingo, 25/10/2026 - 20h33

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Porto Velho, RO – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito neste domingo, 25 de outubro de 2026, para exercer seu quarto mandato como presidente da República. O petista derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, revertendo a desvantagem registrada na primeira etapa da disputa. Com 99,77% das seções totalizadas, Lula contabilizava 64.078.503 votos, correspondentes a 51,76% dos válidos, enquanto o adversário alcançava 59.728.246, equivalentes a 48,24%. A diferença chegou a 4.350.257 votos.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou a eleição matematicamente definida antes da conclusão integral da totalização. O resultado assegurou a continuidade de Lula na Presidência e marcou a conquista de um quarto mandato, depois das vitórias obtidas em 2002, 2006 e 2022.

A vitória nacional, entretanto, contrastou com o resultado de Rondônia, onde Flávio Bolsonaro ampliou sua vantagem em relação ao primeiro turno. Com todas as 4.698 seções eleitorais do estado totalizadas, o candidato do PL recebeu 674.382 votos, ou 69,61% dos válidos. Lula terminou com 294.446, correspondentes a 30,39%.

A distância entre os dois candidatos em Rondônia foi de 379.936 votos. Enquanto o presidente conquistava a reeleição nacionalmente, o eleitorado rondoniense mantinha a preferência majoritária pelo adversário.

Essa diferença já havia sido evidenciada em 4 de outubro, quando Rondônia apresentou uma particularidade em relação às demais unidades da Federação: foi o único estado brasileiro em que Flávio Bolsonaro venceu em todos os municípios no primeiro turno da eleição presidencial.

O candidato do PL terminou à frente de Lula nas 52 cidades rondonienses, sem exceção. Nas demais unidades federativas, o presidente conseguiu superar o adversário em pelo menos um município.

A abrangência territorial desse resultado demonstrou que a vantagem de Flávio não estava concentrada somente nos maiores centros urbanos de Rondônia. Ela se estendia a todo o estado, apesar das diferenças populacionais, econômicas e regionais entre os municípios.

Na primeira votação, Flávio Bolsonaro havia recebido 652.988 votos em Rondônia, equivalentes a 67,45% dos válidos. Lula alcançou 250.667, ou 25,89%.

No segundo turno, ambos ampliaram suas votações nominais, mas Flávio também elevou sua participação percentual, passando de 67,45% para 69,61%. Lula saiu de 25,89% para 30,39%.

A diferença percentual entre os dois candidatos, porém, diminuiu de 41,56 para 39,22 pontos percentuais.

Em números absolutos, Flávio ganhou 21.394 votos entre as duas etapas. Lula acrescentou 43.779 votos à votação obtida em 4 de outubro.

Os dados estaduais do segundo turno registraram 968.828 votos válidos, com comparecimento de 988.489 eleitores. Outros 277.437 cidadãos não compareceram às urnas, dentro de um eleitorado apto de 1.265.926 pessoas.

A apuração presidencial em Rondônia ocorreu em meio a uma situação excepcional envolvendo o horário de encerramento da votação em todo o Brasil, provocada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A controvérsia começou no fim da tarde, quando a Coligação Brasil Pronto Pra Mais apresentou uma reclamação contra os municípios de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.

A ação sustentava que a redução da frota de ônibus dificultava o deslocamento de eleitores até os locais de votação. O processo chegou ao Supremo às 16h32min49s, no horário de Brasília, quando faltavam menos de 30 minutos para o encerramento originalmente previsto.

A reclamação foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin aproximadamente um minuto depois. Diante da gravidade das alegações, o magistrado concedeu uma liminar que inicialmente determinava a prorrogação do recebimento dos votos por duas horas, até as 19h de Brasília, em todas as seções eleitorais do país.

A abrangência da decisão ultrapassou os três municípios baianos mencionados na reclamação e provocou alterações no andamento da totalização nacional.

Após a determinação do ministro, o TSE interrompeu a divulgação dos resultados. Naquele momento, o último arquivo disponibilizado apresentava 1.225 das 499.248 seções eleitorais, correspondentes a apenas 0,25% do total.

A apuração permaneceu suspensa por quase duas horas. A divulgação foi retomada às 18h02, no horário de Rondônia.

Posteriormente, Zanin proferiu uma segunda decisão para esclarecer os efeitos da liminar. Informado de que diversas seções já haviam encerrado suas atividades às 17h de Brasília, restringiu a prorrogação àquelas que ainda estavam abertas.

Nas seções em que a votação havia sido regularmente encerrada, os votos poderiam ser computados e totalizados normalmente.

Nesse segundo pronunciamento, o ministro também registrou que as duas candidaturas presidenciais haviam apresentado alegações relacionadas a dificuldades no transporte de eleitores.

Em Rondônia, a situação exigiu uma providência específica da Justiça Eleitoral.

A votação havia sido encerrada às 16h locais, mas o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) ainda não havia recebido comunicação oficial do TSE sobre a aplicação da decisão do Supremo.

Diante desse cenário, o presidente da Corte, desembargador Raduan Miguel Filho, convocou uma sessão extraordinária para deliberar sobre o cumprimento da ordem.

Em aproximadamente meia hora, os integrantes do TRE-RO decidiram, por unanimidade, estender o horário até as 18h locais somente nas seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos.

A solução adotada pelo Tribunal rondoniense foi semelhante àquela posteriormente estabelecida por Zanin no esclarecimento de sua decisão.

Em nota oficial, o TRE-RO informou que “não foram registradas intercorrências relacionadas ao transporte público ou acesso aos locais de votação no estado”.

A reclamação que deu origem à medida permanece em tramitação no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria de Cristiano Zanin. O ministro registrou que a apuração dos fatos apresentados na ação deverá ocorrer oportunamente.

Apesar das circunstâncias excepcionais relacionadas ao encerramento da votação, a totalização avançou durante a noite até permitir ao TSE reconhecer matematicamente a vitória de Lula.

No panorama nacional apresentado com 99,77% das seções contabilizadas, foram registrados 123.806.749 votos válidos.

Outros 1.427.684 votos foram classificados como brancos, equivalentes a 1,12%, enquanto 2.716.823 foram considerados nulos, correspondentes a 2,12%.

O comparecimento informado era de 127.951.256 eleitores, com percentual divulgado de 80,79%. A abstenção aparecia com 30.418.253 pessoas, ou 19,21%. O eleitorado apto apresentado na apuração era de 158.745.502 cidadãos.

O desfecho foi diferente daquele observado no primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro liderou a votação nacional.

Em 4 de outubro, o candidato do PL recebeu 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula terminou em segundo lugar, com 53.879.538 votos, correspondentes a 45,16%.

A vantagem inicial de Flávio foi de 2.224.965 votos. Naquela etapa, foram contabilizados 119.300.788 votos válidos no país.

Nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta exigida para vencer no primeiro turno, levando a decisão para 25 de outubro.

A nova votação inverteu a classificação dos concorrentes e assegurou a reeleição do presidente.

Em Rondônia, o cenário político estadual já estava definido desde 4 de outubro. Por isso, os eleitores retornaram às urnas no domingo exclusivamente para decidir a Presidência da República.

O senador Marcos Rogério (PL) havia sido eleito governador ainda no primeiro turno, com 56,86% dos votos válidos.

Seus principais adversários foram Adailton Fúria (PSD), que recebeu 20,06%, Hildon Chaves (União Brasil), com 14,22%, e Expedito Netto (PT), que terminou com 7,71%.

As duas vagas de Rondônia no Senado Federal também foram preenchidas na primeira etapa. Dr. Fernando Máximo (PL) foi eleito com 31,97% dos votos válidos para o cargo, enquanto Bruno Scheid (PL) conquistou a segunda cadeira, com 26,56%.

Dessa forma, a eleição de outubro terminou com a Presidência da República permanecendo sob comando de Lula e com o Governo de Rondônia e as duas vagas disputadas para o Senado conquistados por candidatos do PL.

A chegada de Lula ao quarto mandato representa outro capítulo de uma trajetória política iniciada no movimento sindical do ABC paulista.

Nascido em Pernambuco e criado na região industrial de São Paulo, ele trabalhou como metalúrgico e se tornou presidente do sindicato da categoria. Sua projeção nacional ocorreu durante as greves operárias do fim da década de 1970, período em que movimentos sindicais desempenharam papel importante na oposição ao regime militar.

Em 1980, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores.

A primeira candidatura presidencial veio em 1989, quando disputou o segundo turno contra Fernando Collor de Mello. Lula recebeu 46,97% dos votos válidos e foi derrotado pelo adversário, que alcançou 53,03%.

Voltou a concorrer em 1994 e 1998, mas perdeu as duas eleições para Fernando Henrique Cardoso, ambas decididas no primeiro turno.

A primeira vitória ocorreu em 2002, quando derrotou José Serra no segundo turno, com 61,27% dos votos válidos. Quatro anos depois, conquistou a reeleição diante de Geraldo Alckmin, recebendo 60,83%.

Lula deixou a Presidência em 2010, após dois mandatos consecutivos.

Em 2018, permaneceu fora da disputa presidencial porque estava preso e teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Retornou à corrida pelo Palácio do Planalto em 2022 e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10%. Aquela foi a disputa presidencial mais apertada da série histórica mencionada na apuração.

Quatro anos depois, Lula voltou a enfrentar um integrante da família Bolsonaro, desta vez o senador Flávio Bolsonaro.

O resultado de 25 de outubro de 2026 garantiu ao petista sua quarta eleição para a Presidência da República, depois de ter exercido os mandatos de 2003 a 2006, 2007 a 2010 e 2023 a 2026.

A vitória nacional ocorreu apesar da ampla rejeição eleitoral enfrentada pelo presidente em Rondônia, onde o adversário já havia vencido em todos os 52 municípios no primeiro turno e terminou a segunda votação com 69,61% dos votos válidos.

O contraste entre os resultados evidencia a diferença de comportamento do eleitorado rondoniense em relação à soma dos votos de todo o país. Enquanto Flávio Bolsonaro ampliou sua votação no estado, Lula conseguiu reverter a vantagem nacional construída pelo adversário na primeira etapa e assegurou mais quatro anos à frente do Executivo federal.

Fotos: @ricardostuckert

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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