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Nadadora tricampeã estadual treinava 18 horas por semana e ficou fora dos Jogos da Juventude; Cerejeiras, Guajará-Mirim e Cacoal relatam o mesmo; e Seduc responde falando em critério técnico

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Coluna cobra da Secretaria de Estado da Educação um relatório com cronologia, critérios e responsáveis por cada etapa das inscrições, e lembra que a administração refaz formulário, mas a competição perdida não volta

Por Cícero Moura - terça-feira, 03/11/2026 - 08h43

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SONHOS INTERROMPIDOS Existe uma diferença enorme entre perder uma competição e ser impedido de disputá-la. A derrota faz parte do esporte. A exclusão provocada por eventuais falhas administrativas, não.

VACILO Em Rondônia, relatos envolvendo estudantes que ficaram fora dos Jogos da Juventude CAIXA 2026 expõem uma situação que merece explicações públicas, documentos e identificação de responsabilidades.

BUROCRACIA SEM ROSTO Quando um estudante treina durante meses, conquista resultados e se prepara para representar seu estado, espera encontrar na administração pública uma estrutura capaz de organizar sua participação.

NAS SOMBRAS O que não pode acontecer é a burocracia transformar-se em um obstáculo sem responsáveis identificados e sem explicações compreensíveis.

RESPONSABILIDADE PÚBLICA A Secretaria de Estado da Educação tem o dever de esclarecer os procedimentos sob sua responsabilidade. Não basta informar que existem regras, prazos e critérios técnicos. É necessário demonstrar como foram aplicados, quem realizou cada etapa e quais providências foram adotadas diante das reclamações.

O CASO DE ISADORA Em Porto Velho, a nadadora Isadora Nobre, tricampeã estadual dos Jogos Escolares de Rondônia, ficou fora da competição. Segundo familiares e treinador, houve problema relacionado à inscrição. A adolescente relatou uma rotina de aproximadamente 18 horas semanais de treinamento. É uma dedicação que exige respeito e uma explicação detalhada sobre o que aconteceu.

DEZOITO HORAS DE ESFORÇO Dezoito horas semanais de treinamento representam sacrifícios pessoais, disciplina e renúncias. Significam menos tempo para lazer, encontros com amigos e outras atividades.

FOCO Quando uma atleta com essa dedicação fica fora de uma competição por uma questão administrativa ainda não suficientemente esclarecida, o poder público precisa demonstrar que tratou sua situação com o devido cuidado.

QUESTIONAMENTOS EM CEREJEIRAS Em Cerejeiras, Thaila Nayara questionou os critérios e a comunicação relacionados à sua exclusão da delegação. O episódio exige esclarecimentos objetivos. Quais eram os critérios? Quando foram divulgados? Quem comunicou a decisão? Houve possibilidade de contestação? São perguntas administrativas que precisam de respostas documentadas.

OUTRO CASO EM GUAJARÁ Em Guajará-Mirim, Katharina Emilia Bragado de Lima Pontes também relatou ter ficado fora da competição. As circunstâncias podem ser diferentes das registradas em outros municípios, mas o caso reforça a necessidade de examinar como foram conduzidas as inscrições, as convocações e a comunicação com estudantes e responsáveis.

HANDEBOL DE CACOAL O relato envolvendo uma equipe de handebol de Cacoal amplia as preocupações sobre a organização da participação estudantil. A situação precisa ser esclarecida em seus detalhes, inclusive quanto aos procedimentos de deslocamento e às providências adotadas. Uma delegação escolar não pode depender de improvisações de última hora.

PROBLEMAS RECORRENTES? Os episódios relatados em diferentes municípios levantam uma questão: estamos diante de situações isoladas ou de fragilidades no sistema de organização do esporte escolar? A resposta exige uma apuração administrativa abrangente. Sem ela, o debate continuará limitado a justificativas individuais, sem enfrentar possíveis problemas estruturais.

PLANEJAMENTO ELEMENTAR Organizar a participação de estudantes em competições nacionais exige calendário, conferência de documentos, comunicação com treinadores, confirmação de inscrições e logística de transporte. Nada disso deveria surpreender uma estrutura pública responsável por delegações escolares. São tarefas previsíveis que precisam ser executadas com antecedência e mecanismos de controle.

O PREÇO DA DESORGANIZAÇÃO Quando um procedimento falha, o prejuízo não se resume a uma inscrição ou passagem. Pode significar a perda de uma oportunidade esportiva importante para um adolescente. A administração consegue refazer formulários e reorganizar processos futuros. Já a experiência perdida em determinada edição de uma competição pode ser irrecuperável.

DESCULPAS NÃO BASTAM Explicações genéricas sobre regras e dificuldades operacionais não substituem uma prestação de contas. Se houve falha, é necessário reconhecê-la e corrigi-la. Se a exclusão decorreu da aplicação regular de critérios técnicos, a decisão deve ser demonstrada com transparência. Em ambos os casos, estudantes e famílias merecem respostas claras.

A VERSÃO DA SEDUC A Secretaria de Estado da Educação informou que o impedimento de uma atleta do atletismo estaria relacionado a critérios técnicos e regras do Comitê Olímpico do Brasil. A pasta também informou que listas preliminares são encaminhadas aos técnicos para conferência e destacou a participação dos responsáveis legais na verificação dos dados.

REGRAS E RESPONSABILIDADES A existência de critérios técnicos não encerra a discussão. É preciso verificar se foram divulgados adequadamente, aplicados de maneira uniforme e comunicados em tempo hábil. Também é importante distinguir aquilo que compete ao Comitê Olímpico do Brasil, à Secretaria, às escolas, aos treinadores e aos responsáveis legais. Cada instituição deve responder pelos atos que efetivamente lhe cabem.

TRANSFERÊNCIA DE CULPA Um dos riscos desse tipo de situação é a responsabilidade se perder entre diferentes participantes do processo. A Secretaria aponta regras, técnicos conferem listas e famílias verificam documentos. Mas quem coordena o sistema? Quem identifica inconsistências antes do encerramento dos prazos?

O SILÊNCIO TAMBÉM PREJUDICA A ausência de respostas individualizadas alimenta dúvidas, insegurança e desconfiança. Quando uma família não compreende por que seu filho ficou fora de uma competição, a administração deve oferecer acesso às informações pertinentes. Transparência não pode ser um favor concedido depois de insistentes reclamações.

NÃO SÃO NÚMEROS É fácil tratar esses episódios como estatísticas de inscrições, documentos e vagas. Mas cada caso envolve uma pessoa, uma família e uma história de dedicação.

A FRUSTRAÇÃO DOS JOVENS O adolescente aprende no esporte a enfrentar adversários, aceitar resultados e superar dificuldades. Entretanto, é diferente lidar com uma derrota dentro da competição e enfrentar uma exclusão cuja justificativa não compreende. A segunda experiência pode produzir frustração e desconfiança que merecem atenção de professores, familiares e gestores.

MOTIVAÇÃO EM RISCO Pesquisas sobre abandono esportivo na adolescência mostram a importância da motivação, da satisfação e do apoio social para a permanência dos jovens nas modalidades.

O PAPEL DA ESCOLA O esporte escolar integra o processo educativo. Ensina convivência, responsabilidade, disciplina e respeito às regras. Quando há dificuldades na organização das competições, também existe uma oportunidade pedagógica: demonstrar aos alunos que instituições públicas devem prestar contas, corrigir procedimentos e tratar as pessoas com justiça.

DINHEIRO E PRIORIDADES A sociedade tem o direito de conhecer os recursos destinados à participação das delegações escolares, os contratos de transporte, as despesas com hospedagem e os procedimentos de inscrição. Não se trata de presumir irregularidades financeiras, mas de assegurar transparência sobre a aplicação do dinheiro público e a qualidade dos serviços oferecidos.

QUEM FISCALIZA? Cabe aos órgãos de controle e às instâncias competentes avaliar eventuais irregularidades quando houver elementos que justifiquem sua atuação. Também compete à própria administração instaurar procedimentos de apuração, caso identifique falhas. Fiscalização não deve começar apenas quando a repercussão pública se torna desconfortável.

GESTÃO NÃO É PROPAGANDA Divulgar medalhas, fotografar delegações e celebrar conquistas é a parte mais visível de uma política esportiva. O verdadeiro teste da gestão, entretanto, também está nos bastidores: inscrições corretas, comunicação eficiente, logística adequada e solução de problemas. A qualidade da administração precisa ser medida pelo funcionamento desses processos, não apenas pelas cerimônias.

O DEVER DO GOVERNO O governo estadual responde politicamente pela qualidade das políticas públicas executadas por suas secretarias.

PROVIDÊNCIAS CONCRETAS A resposta institucional deveria incluir a revisão dos procedimentos de inscrição, a definição de responsáveis por cada etapa, a criação de mecanismos de conferência e a divulgação antecipada de critérios e prazos.

FAMÍLIAS MERECEM RESPEITO Pais e responsáveis acompanham treinamentos, reorganizam rotinas e investem tempo no desenvolvimento esportivo dos filhos. Quando surgem problemas administrativos, não podem ser tratados como inconvenientes.

OPORTUNIDADE NÃO ESPERA Uma competição nacional pode representar uma experiência decisiva para um jovem atleta. Pode abrir horizontes, ampliar contatos e fortalecer a confiança. Não existe garantia de medalha ou carreira profissional, mas existe o direito de que as regras sejam aplicadas corretamente e de que as oportunidades sejam administradas com responsabilidade.

EXPLICAÇÕES PÚBLICAS A Seduc deveria apresentar um relatório específico sobre os casos questionados, preservando os dados pessoais dos adolescentes. O documento poderia esclarecer cronologias, critérios, inscrições, comunicações e providências adotadas.

O FUTURO EM DISPUTA Enquanto o país discute eleições, projetos de governo e perspectivas para as próximas gerações, os problemas enfrentados por estudantes de Rondônia lembram que o futuro também depende de decisões administrativas cotidianas. Educação e esporte não podem ficar restritos aos discursos.

RESPEITO O ponto central não é antecipar culpados, mas impedir que falhas evitáveis continuem prejudicando estudantes. Se houve erro de gestão, é necessário identificá-lo, responsabilizar quem lhe deu causa e corrigir o sistema.

FRASE O jovem atleta pode até perder uma medalha dentro da competição. O que não pode é perder a oportunidade de disputá-la por um erro que a administração pública tinha o dever de evitar.

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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