Coluna parte da comemoração de Confúcio Moura pela vitória de Lula para discutir intolerância política, liberdade de expressão, convivência democrática e o possível protagonismo de lideranças de Rondônia na relação com o novo governo federal
O BRINDE
A comemoração do senador Confúcio Moura pela vitória de Lula, neste domingo (25), ultrapassou os limites de uma simples manifestação de alegria. Um vídeo descontraído, com um copo de cachaça e palavras de entusiasmo, tornou-se mais um episódio da profunda divisão política que marca a sociedade brasileira.
A VIRADA
Confúcio não escondeu a satisfação com o resultado das urnas. Chamou de fenomenal a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro durante a apuração. Em sua residência, em Brasília, comemorou de maneira espontânea, utilizando até a expressão popular “trem bão”.
DIREITO DE COMEMORAR
É preciso reconhecer algo elementar: Confúcio tem o mesmo direito de comemorar a vitória de seu candidato que qualquer brasileiro teria de celebrar o resultado contrário. A condição de senador não lhe retira a liberdade de manifestar preferências políticas.
REAÇÃO PREVISÍVEL
Em Rondônia, onde o eleitorado demonstrou ampla preferência por Flávio Bolsonaro, a manifestação naturalmente encontraria resistência. O problema começa quando a discordância deixa de ser uma posição política e passa a representar intolerância pessoal.
COPO DA DISCÓRDIA
O que deveria ser apenas um brinde ganhou dimensão política. Não foi propriamente a bebida que provocou a controvérsia, mas o significado atribuído à comemoração. Para alguns, uma celebração legítima. Para outros, um gesto inconveniente diante da preferência eleitoral da maioria dos rondonienses.
A LIBERDADE
A democracia não exige que um representante político pense exatamente como a maioria dos eleitores de seu estado em todas as questões. Exige, porém, que respeite a população, cumpra suas responsabilidades e compreenda que representa também aqueles que não concordam com suas posições.
DOIS PESOS
Existe uma contradição no comportamento político brasileiro. Muitos defendem apaixonadamente a liberdade de expressão quando ela favorece suas convicções, mas demonstram pouca disposição para reconhecer o mesmo direito a quem pensa diferente.
O ADVERSÁRIO
A radicalização transformou adversários em inimigos. Uma eleição, que deveria representar a escolha democrática de governantes, passou a ser encarada por determinados grupos como uma batalha moral em que somente um lado teria legitimidade para vencer.
MATURIDADE
É perfeitamente possível discordar de Confúcio, criticar seu posicionamento e até considerar exagerada sua comemoração. O que não parece razoável é transformar uma manifestação pessoal em motivo para desqualificar integralmente sua trajetória política.
HISTÓRICO
Confúcio Moura não começou a defender o governo Lula na noite da eleição. O senador já vinha manifestando publicamente apoio a iniciativas federais, inclusive destacando investimentos destinados a Rondônia. Sua comemoração, portanto, não representou uma mudança inesperada de posicionamento.
COERÊNCIA
Pode-se concordar ou discordar de suas escolhas, mas há uma diferença entre assumir publicamente uma posição e tentar escondê-la por conveniência eleitoral. Confúcio fez sua escolha e não procurou disfarçar a satisfação com o resultado.
CONTRASTE
Enquanto grande parte da classe política rondoniense construiu sua identidade eleitoral na oposição ao PT, Confúcio manteve uma relação de diálogo com o governo federal. Essa postura poderá adquirir importância ainda maior no novo cenário político nacional.
NOVO PROTAGONISMO
Com a vitória de Lula, cresce a expectativa de que Confúcio Moura passe a ocupar posição de maior destaque na articulação política do governo. Sua experiência administrativa, passagem pelo Governo de Rondônia e atuação no Senado constituem credenciais importantes. Isso, entretanto, ainda não significa nomeação confirmada.
OUTROS NOMES
Nesse cenário também aparecem Luciana Oliveira e Expedito Neto, duas lideranças que poderão conquistar espaço político na nova administração federal. A dimensão dessa participação dependerá das articulações, dos entendimentos partidários e das escolhas do presidente reeleito.
TRÊS PERSONAGENS
Confúcio, Luciana e Expedito representam possibilidades de interlocução entre Rondônia e o Palácio do Planalto. Caso consigam ocupar posições relevantes, poderão contribuir para ampliar a presença política do estado nas decisões federais.
RESPONSABILIDADE
Entretanto, ocupar cargos ou conquistar prestígio em Brasília não pode ser entendido apenas como recompensa pela fidelidade eleitoral. O verdadeiro significado dessa participação deverá ser medido pela capacidade de produzir resultados concretos para Rondônia.
O ESTADO
Rondônia precisa de investimentos, infraestrutura, hospitais funcionando, estradas em boas condições e políticas públicas capazes de atender às necessidades da população. A preferência partidária dos seus habitantes não pode servir de justificativa para qualquer discriminação na distribuição de recursos federais.
DESAFIO
Se Confúcio conquistar maior influência junto ao presidente Lula, terá também responsabilidade proporcional. Precisará demonstrar que sua proximidade com o governo representa benefícios para todos os rondonienses, inclusive para aqueles que votaram em Flávio Bolsonaro.
OPOSIÇÃO
Da mesma maneira, os políticos de Rondônia que apoiaram o candidato derrotado continuarão tendo legitimidade para exercer oposição. Fiscalizar, cobrar e discordar são funções essenciais numa democracia. O que não se justifica é impedir avanços administrativos por rivalidade partidária.
AS REDES
As redes sociais intensificaram a dificuldade de convivência. Uma comemoração particular, uma frase ou um gesto rapidamente se transformam em combustível para confrontos. Muitas vezes, o debate abandona o conteúdo político e passa a girar exclusivamente em torno de ataques pessoais.
A CONVIVÊNCIA
O brasileiro precisa reaprender algo aparentemente simples: respeitar a alegria de quem venceu e compreender a frustração de quem perdeu. Nenhuma eleição deveria ser capaz de destruir amizades, comprometer relações familiares ou eliminar o respeito entre pessoas.
A DERROTA
Perder uma eleição não significa perder direitos, dignidade ou espaço na sociedade. A alternância de poder e a possibilidade de vitória de diferentes correntes políticas constituem justamente algumas das maiores virtudes do sistema democrático.
A VITÓRIA
Também é importante compreender que vencer não representa autorização para humilhar os derrotados. A comemoração é legítima, mas a responsabilidade de reconstruir pontes deve fazer parte do comportamento daqueles que assumem o poder.
LIÇÃO
O episódio envolvendo Confúcio revela muito mais sobre o comportamento da sociedade do que propriamente sobre o senador. Um copo erguido para celebrar uma vitória eleitoral não deveria ter força suficiente para aprofundar antagonismos entre brasileiros. A intolerância, porém, consegue transformar até gestos cotidianos em disputas ideológicas.
O QUE IMPORTA
Passada a comemoração, a pergunta realmente importante não será o que Confúcio Moura bebeu, o que disse ou como festejou. Será o que ele, Luciana Oliveira e Expedito Neto poderão efetivamente conquistar para Rondônia junto ao novo governo Lula. A política precisa superar a disputa permanente entre vencedores e derrotados e voltar a produzir resultados para a população.
FRASE
Uma sociedade que não consegue respeitar sequer a alegria de quem pensa diferente está perdendo algo muito mais importante do que uma eleição: a capacidade de conviver democraticamente.

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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