Em carta aberta, a associação que lutou pela criação do batalhão nos anos 1990 pergunta se o desmonte é o projeto do governo eleito e diz que o silêncio gera apreensão
Porto Velho, RO – A Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental divulgou uma carta aberta ao governador eleito de Rondônia, Marcos Rogério (PL), para cobrar um posicionamento oficial sobre as declarações do deputado federal Lúcio Mosquini (PL), responsável por comandar a equipe de transição no governo do estado.
Em entrevista ao jornalista Robson Oliveira, no podcast Resenha Política, reportada pelo portal Rondonotícias, o parlamentar afirmou que o agronegócio seria “perseguido” em Rondônia por questões de “militância ambiental”, declarou que “a Sedam vai ser um órgão do agro” e afirmou que a ideia inicial do governo eleito é acabar com o Batalhão de Polícia Ambiental da Polícia Militar de Rondônia.
A pergunta central da carta é direta: “O desmonte ambiental anunciado pelo deputado é, ou não é, o projeto do senhor para Rondônia?” A associação registra que, até agora, as declarações de quem fala em nome do governador eleito na transição não foram endossadas, desmentidas nem esclarecidas, e afirma que “o silêncio gera legítima apreensão em que dedica a vida à defesa das florestas, dos rios e dos povos da Amazônia”.
Liderada pela ambientalista Neidinha Suruí, que foi candidata ao Senado Federal pelo PSB, a entidade recorre à própria história para sustentar a cobrança. Criada em 1992, diz ter lutado, no tempo do Planafloro, para que fosse criado o Batalhão de Polícia Militar Ambiental. “Somamos mais de três décadas de luta etnoambiental e sabemos, pela própria história, o que significa ter e o que significaria perder uma unidade de polícia dedicada à proteção do patrimônio ambiental do estado”, afirma o texto.
Segundo a carta, o batalhão nasceu da pressão da sociedade organizada contra o avanço do desmatamento e da grilagem nos anos noventa, “e é exatamente ele que hoje é anunciado como alvo pelo deputado”. A associação acrescenta que lutou para que a unidade existisse e continuará lutando para que ela não seja extinta.
Para a Kanindé, defender a Sedam/RO e o batalhão é defender o meio ambiente, o que descreve como uma bandeira histórica da associação. A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental, diz o texto, não pode ser convertida em “órgão do agro”, como anunciou o parlamentar.
A carta apresenta três pedidos públicos ao governador eleito. O primeiro é posicionar-se, antes mesmo da posse, sobre as declarações de Lúcio Mosquini, esclarecendo se elas representam ou não a política ambiental do próximo governo.
O segundo é declarar, de forma inequívoca, o compromisso com a integridade da Sedam/RO e com a manutenção do Batalhão de Polícia Ambiental da PMRO.
O terceiro é assegurar que a política ambiental de Rondônia será construída “com a fiscalização de pé, em diálogo com a ciência, com os povos indígenas e comunidades tradicionais, com a sociedade rondoniense e em consonância com os compromissos assumidos pelo Brasil”.
No fecho, a associação registra que não aceitará o desmonte ambiental anunciado e que estará vigilante. Afirma acompanhar de perto, e em rede com organizações parceiras e movimentos sociais, cada passo da transição e da próxima gestão, “na floresta, nas ruas e nos espaços institucionais da democracia”.
A Kanindé informou que a carta completa pode ser lida na íntegra pelo link disponível no perfil da associação.
Com informações de: Kanindé
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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