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RD ENTREVISTA
Da “rasteira partidária” ao Senado: Fernando Máximo expõe bastidores de 2024 e celebra apoio de Léo Moraes

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No RD Entrevista, deputado se declarou de direita, afirmou ser contra o aborto e contra o que chamou de ideologia de gênero nas escolas e disse que só revê posições diante de dados mais consistentes

Por Vinicius Canova - segunda-feira, 29/06/2026 - 11h59

Porto Velho, RO – O deputado federal Fernando Máximo afirmou que respeita as escolhas individuais de pessoas maiores de 18 anos, inclusive quanto ao consumo de bebidas, cigarros e drogas, mas defendeu que o poder público não flexibilize a legislação sobre entorpecentes. A declaração foi feita durante participação no podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.

Ao ser questionado sobre sua identidade política e sobre a possibilidade de ampliar o diálogo para além do eleitorado de direita, Máximo apresentou uma distinção entre liberdade individual e formulação de políticas públicas. O parlamentar se definiu expressamente como de direita, disse manter posições e votações firmes e sustentou que o respeito às pessoas não o obriga a concordar com propostas de legalização, descriminalização ou despenalização das drogas.

“Eu sou de direita, definido de direita. Todos os meus posicionamentos são firmes, as minhas votações são firmes. Agora, eu trato as pessoas de uma forma que elas gostam. Eu debato a ideia, coloco o meu posicionamento firme e mostro aquilo que defendo”, declarou.

Na sequência, o deputado afirmou que não pretende interferir nas decisões privadas de adultos, mas considera prejudicial transformar a flexibilização em diretriz estatal. “Eu respeito todas as pessoas. Quem tem acima de 18 anos faz o que quiser: pode beber, pode fumar, pode usar droga. Eu não tenho problema nenhum; cada um faz o que quer da sua vida. Mas, se você vai fazer uma política pública, um projeto de lei para flexibilizar isso, você piora”, disse.

Máximo afirmou que apresenta dados técnicos quando discute o tema na Câmara dos Deputados. Durante a entrevista, mencionou levantamentos e pesquisas que, segundo ele, tratam de dependência, depressão e tentativa de suicídio entre usuários de drogas. Também comparou a política sobre entorpecentes às restrições impostas ao cigarro em ambientes fechados e meios de transporte, argumentando que regras mais rígidas contribuíram para a redução do consumo.

Segundo o parlamentar, a estratégia adotada em plenário consiste em contestar propostas sem transformar a divergência em ataque pessoal. Ele relatou que, mesmo quando se opõe integralmente a ideias defendidas por parlamentares de esquerda, procura sustentar sua posição com números e preservar o tratamento respeitoso.

“Apesar de eu ser completamente contra aquilo que estão pregando, consigo mostrar, com dados e números, que o meu posicionamento está certo e que tenho que defendê-lo. Eu não agrido ninguém, não xingo e não brigo”, afirmou.

No mesmo trecho da conversa, Máximo declarou ser contrário ao aborto e ao que chamou de ideologia de gênero nas escolas. O deputado acrescentou que essas posições podem ser expostas sem humilhações, insultos ou agressões contra quem pensa de forma diferente. Para ele, a maneira de conduzir o debate ajuda a explicar por que consegue manter interlocução com pessoas situadas à direita, ao centro e à esquerda.

“As pessoas da direita entendem o meu perfil, sabem que eu sou de direita e que defendo aquilo veementemente, mas as pessoas da esquerda também me respeitam, o centro me respeita, e eu acho isso bacana, porque eu respeito todas as pessoas. Quando você dá respeito, você recebe respeito; quando você dá carinho, você recebe carinho”, declarou.

O deputado rejeitou a classificação de radical e afirmou que aceita examinar argumentos contrários. Segundo Máximo, uma mudança de posição dependeria da apresentação de pesquisas mais amplas e de dados mais confiáveis do que aqueles que utiliza atualmente. Ainda assim, disse considerar difícil que as evidências mencionadas por ele sejam superadas.

“Você pode até tentar me convencer. Se mostrar outra pesquisa maior, com dados mais fidedignos, pode até ser que eu consiga mudar de ideia. Mas está no meu sangue defender isso. Então vou continuar defendendo até que me provem”, afirmou.

A identificação com a direita apareceu também quando a entrevista avançou para a disputa pelo Senado. Pré-candidato ao cargo, Máximo foi questionado se a presença de Bruno Scheid, apresentado durante a conversa como um nome próximo à família Bolsonaro, poderia levar os dois a disputar o mesmo eleitorado e provocar prejuízo mútuo.

O parlamentar respondeu que não considera Scheid uma ameaça e lembrou que Rondônia terá duas vagas em disputa. Ao mesmo tempo, evitou tratar qualquer resultado como garantido. Máximo disse acompanhar seis ou sete pesquisas e afirmou que os levantamentos registram um momento específico, distante do resultado definitivo das urnas.

“Não, muito pelo contrário, são duas vagas. É muita pretensão a gente falar que as duas vagas são de ambos. O que as pesquisas têm mostrado é que o Bruno cresceu muito. O Bruno teve uma ascensão meteórica e, graças a Deus, a gente vem disputando aqui em cima”, afirmou.

Máximo declarou acreditar na possibilidade de eleição dos dois, mas ressalvou que não seria possível antecipar o desfecho da disputa. “Se eu falar que vai ganhar todo mundo, é pretensioso. Não dá para dizer isso, porque eleição é eleição, e a pesquisa é um ponto fixo agora no mês de junho. Nós ainda temos uma eleição no dia 4 de outubro”, disse.

O deputado afirmou que uma posição favorável nos levantamentos aumenta, em vez de reduzir, seu ritmo de trabalho. De acordo com Máximo, os elogios e os resultados positivos não podem ser transformados em motivo para acomodação. Ele relacionou esse comportamento à rotina de estudos que mantém desde a adolescência e à atuação como professor de cursos médicos.

Fernando Máximo concede entrevista a Vinícius Canova no podcast RD Entrevista

Especial RD Entrevista

Fernando Máximo fala sobre drogas, Senado, Léo Moraes e bastidores da pandemia

Deputado se declarou de direita, defendeu escolhas individuais de adultos sem flexibilização das políticas sobre entorpecentes e detalhou alianças, emendas e ações na saúde.

Entrevista ao podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.

18+

Faixa etária a partir da qual Máximo disse respeitar as escolhas individuais de adultos, inclusive sobre álcool, cigarro e drogas.

2 vagas

Número de cadeiras de Rondônia no Senado em disputa citado pelo deputado ao avaliar a presença de Bruno Scheid.

R$ 27 mi

Valor que Máximo afirmou ter destinado à saúde de Porto Velho por meio de recursos para a capital.

16 anos

Tempo de trabalho médico voluntário relatado pelo parlamentar em comunidades, bairros, municípios e presídios.

“Eu respeito todas as pessoas. Quem tem acima de 18 anos faz o que quiser: pode beber, pode fumar, pode usar droga. Eu não tenho problema nenhum; cada um faz o que quer da sua vida. Mas, se você vai fazer uma política pública, um projeto de lei para flexibilizar isso, você piora.”

Fernando Máximo, ao separar liberdade individual de política pública

Os principais eixos da conversa

Direita sem ruptura de diálogo

Máximo se definiu como de direita, disse manter votações firmes e afirmou que divergências podem ser enfrentadas sem insultos, humilhações ou agressões pessoais.

Drogas, aborto e escola

O deputado rejeitou flexibilizações sobre entorpecentes, declarou-se contrário ao aborto e ao que chamou de ideologia de gênero nas escolas.

Disputa por duas vagas

Ele disse não considerar Bruno Scheid uma ameaça, avaliou que os dois podem ser eleitos e ressaltou que pesquisas registram apenas um momento da corrida ao Senado.

Saúde como marca política

A passagem pela Secretaria de Saúde, a pandemia, as emendas e o atendimento voluntário foram apresentados por Máximo como pontos centrais de sua trajetória pública.

Senado

Bruno Scheid no mesmo campo eleitoral

Máximo afirmou que Scheid teve uma “ascensão meteórica”, mas evitou tratar as duas vagas como garantidas. Segundo ele, a eleição de outubro permanece aberta.

Aliança

Léo Moraes declarou apoio

O deputado relatou que o prefeito agradeceu o apoio recebido no segundo turno de 2024 e anunciou apoio incondicional à sua pré-candidatura ao Senado.

Pandemia

Leitos, transferências e impacto familiar

Máximo disse que o governo criou aproximadamente 400 leitos, visitou os 52 municípios e transferiu pacientes quando faltaram vagas. Ele afirmou ter passado 17 dias na UTI e depois mais 19 dias acompanhando o pai e o irmão.

Mandato

Projetos e recursos citados

O parlamentar mencionou atendimento a 16 mil crianças e adolescentes, recursos para as 38 Apaes e cerca de 60 instituições, além de 1.189 cirurgias de catarata no Cone Sul.

Liderança

Mutirão com 96 cirurgias

Ao contar um episódio em São Francisco do Guaporé, Máximo afirmou que oito cirurgiões concluíram 96 procedimentos em dois dias depois que ele decidiu permanecer no hospital para operar os pacientes restantes.

BR-319

Crítica durante a crise de oxigênio

Segundo o deputado, seis carretas saíram de Porto Velho e levaram cerca de uma semana para chegar ao Amazonas por causa dos atoleiros. Ele disse ser contra novos desmatamentos, mas criticou a impossibilidade de recuperar a rodovia.

Frase de encerramento

“Cada vez que alguém fala para mim: ‘Máximo, está bem na pesquisa’, mais cedo eu acordo, mais visitas eu faço e mais emendas eu levo, porque eu não quero me acomodar jamais. Não faz parte da minha rotina me acomodar. Isso não existe comigo.”

Fernando Máximo, sobre o efeito dos levantamentos eleitorais em sua rotina

Valores, números e avaliações apresentados neste infográfico foram citados por Fernando Máximo durante a entrevista.

“Cada vez que alguém fala para mim: ‘Máximo, está bem na pesquisa’, mais cedo eu acordo, mais visitas eu faço e mais emendas eu levo, porque eu não quero me acomodar jamais. Não faz parte da minha rotina me acomodar. Isso não existe comigo”, declarou.

Ao falar sobre a composição política de sua pré-campanha, Máximo citou o senador Marcos Rogério como pré-candidato ao Governo de Rondônia, o deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo como nome apresentado para a vice e a participação de integrantes do PL, Podemos e Novo. O parlamentar também descreveu a presença de Bruno Scheid no mesmo grupo e encerrou a resposta sobre as vagas do Senado manifestando o desejo de que ambos sejam eleitos.

“Graças ao nosso bom Jesus Cristo e ao nosso bom Pai, a gente está bem na pesquisa, e o Bruno Scheid também saiu de baixo e teve uma ascensão meteórica. Graças a Deus, ele está ali também muito bem na pesquisa, e eu peço a Deus que realmente a gente seja eleito e ele também seja eleito”, afirmou.

A manifestação pública do prefeito Léo Moraes em favor da pré-candidatura de Máximo ao Senado foi apontada pelo deputado como um dos momentos de maior emoção em um evento político realizado em Porto Velho. Segundo ele, o espaço ficou lotado, parte do público não conseguiu entrar e a circulação dos participantes foi dificultada pela quantidade de pessoas que buscavam cumprimentos e fotografias.

Máximo disse que Léo Moraes agradeceu pelo apoio recebido no segundo turno da eleição municipal de 2024 e pelos recursos encaminhados pelo deputado à capital. Conforme o parlamentar, somente para a saúde de Porto Velho foram destinados R$ 27 milhões, com previsão de aplicação em medicamentos, equipamentos, contratação de profissionais, ampliação e reforma de unidades. Ele também citou recursos para agricultura, assistência social e instituições atendidas por emendas.

“Ele agradeceu o apoio que nós demos para ele na campanha eleitoral de 2024 e declarou, ao vivo e em cores, apoio incondicional à nossa pré-candidatura ao Senado. Eu fiquei feliz com a forma como ele verbalizou. Ele falou que a gratidão é algo que não prescreve, é algo que não acaba”, relatou.

Na avaliação apresentada por Máximo, o apoio do prefeito pode aproximar de sua pré-campanha pessoas que participaram da aliança construída no segundo turno de 2024. O deputado elogiou a gestão municipal e disse que Léo Moraes chega para fortalecer o grupo e levar consigo sua base política.

“Ele vem para nos apoiar, para fortalecer o nosso time, para trazer a base dele, para trazer as pessoas que gostam dele e gostam da gente. Se a gente estava junto na campanha eleitoral em 2024, também aquele povo todo, aquelas pessoas, agora estão juntas na nossa pré-campanha ao Senado”, afirmou.

A aproximação com Léo Moraes foi precedida por um impasse partidário. Máximo contou que, em 2024, pesquisas eleitorais colocavam seu nome na primeira posição para a Prefeitura de Porto Velho e que dirigentes nacionais de sua então legenda inicialmente indicavam que ele seria o candidato. Posteriormente, segundo o deputado, o partido trouxe outra pessoa de uma sigla diferente e entregou a ela a candidatura.

Máximo não atribuiu a mudança a uma causa específica. Disse que houve situações que não conseguiu compreender por completo e que parte do eleitorado reagiu com insatisfação. “Naquele momento, as pessoas estavam pedindo para a gente ser candidato a prefeito, mas o partido teve outro entendimento. No início, até o presidente nacional me ligava dizendo que seria eu e que era para manter firme a postura. Depois, por situações que a gente não consegue entender ao certo, o partido lançou outra pessoa no nosso lugar”, declarou.

O deputado afirmou que permaneceu nas campanhas do interior durante o primeiro turno. Com a disputa de Porto Velho restrita aos dois candidatos que avançaram, procurou Léo Moraes e comunicou que o apoiaria por considerá-lo a melhor opção naquele momento. Máximo negou que sua adesão tenha decidido isoladamente a eleição, mas afirmou que participou de forma intensa das atividades de rua.

“Foi o Fernando Máximo que deu a eleição para o Léo? Não. É um conjunto de coisas. O Léo é um candidato forte, tem a história dele. Agora, eu sei que pude contribuir de alguma forma, porque, quando eu entro em alguma causa, não entro para brincar”, afirmou.

Segundo o parlamentar, a rotina começava pela manhã em carro de som, prosseguia durante o dia e terminava à noite, depois de reuniões. Em tom descontraído, ele contou que a repetição do jingle da campanha se tornou tão frequente que sua esposa o teria ouvido reproduzir, durante o sono, o gesto e a letra usados pelos apoiadores.

Antes de tratar das articulações eleitorais, Máximo dedicou uma parte extensa da entrevista à passagem pela Secretaria de Estado da Saúde e à atuação durante a pandemia. Ele apresentou esse período como o ponto que ampliou sua exposição pública e abriu caminho para a candidatura a deputado federal.

O entrevistado afirmou que já realizava trabalho médico voluntário havia 16 anos em comunidades ribeirinhas, indígenas, bairros periféricos, municípios do interior e presídios. Segundo Máximo, o governador o conheceu em um domingo, quando ele fazia atendimento gratuito em uma unidade prisional. Posteriormente, veio o convite para comandar a Secretaria de Saúde, proposta que, conforme contou, recusou durante mais de um mês antes de aceitar.

“Eu faço um trabalho voluntário há 16 anos, atendendo como médico nas comunidades ribeirinhas, nas comunidades indígenas, nas periferias, nos bairros mais distantes, no centro da cidade e até dentro dos presídios. Inclusive, quando o governador me conheceu, eu estava fazendo atendimento voluntário, no fim de semana, em um domingo, no presídio”, relatou.

Máximo disse que assumiu a pasta diante de uma rede hospitalar que já enfrentava falta de leitos clínicos e de terapia intensiva, sobretudo na capital. Com a chegada da Covid-19, afirmou que o governo ampliou unidades, apoiou municípios e criou aproximadamente 400 leitos em Rondônia. O ex-secretário citou ações em Porto Velho e no interior, além de testagem rápida, vacinação em massa quando as doses passaram a estar disponíveis, distribuição de medicamentos e visitas aos 52 municípios.

“Foi um momento de guerra, um momento de dificuldade. Passamos noites e noites sem dormir, percorremos o interior, visitamos os 52 municípios, fizemos testagem rápida, testagem em massa, vacinação em massa quando havia vacina, entregamos medicamentos e aumentamos leitos clínicos e de UTI”, afirmou.

O deputado relatou que, no início da crise sanitária, profissionais ainda buscavam compreender quais exames, medicamentos e condutas seriam mais adequados. Uma das tentativas de obter informações ocorreu em uma videoconferência com médicos chineses. Conforme Máximo, o diálogo foi dificultado pelo fuso horário, pela internet, pelo uso de máscaras e pela comunicação em inglês.

“A gente estava tentando extrair qualquer informação sobre exames de laboratório, quais alterações deveriam ser levadas em consideração, se usava ou não corticoide, se usava ou não anticoagulante, que exame fazia e que exame não fazia. Eles foram os primeiros a terem os casos na China. Olha a dificuldade disso”, declarou.

A experiência também atingiu diretamente sua família. Máximo afirmou que contraiu o coronavírus, foi intubado e permaneceu 17 dias internado em uma unidade de terapia intensiva. Depois de sair da UTI e iniciar a recuperação, seu irmão Kauã, seu pai, João Máximo, e sua mãe, Shirlei Máximo, também foram hospitalizados. Segundo ele, a mãe apresentou tromboembolismo pulmonar associado à Covid-19, enquanto o pai e o irmão ficaram na mesma UTI.

“Eu estava me recuperando, fazendo fisioterapia e ainda com falta de ar, mas já estava fora da UTI quando eles pegaram a doença. Fui cuidar deles e fiquei mais 19 dias dentro da UTI, fazendo a minha fisioterapia e acompanhando os dois. Deus abençoou, e saíram todos vivos e curados”, relatou.

Entre as decisões difíceis daquele período, o ex-secretário citou a transferência de pacientes para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo quando faltavam vagas em Rondônia. Disse ainda que, após a redução da pressão sobre a rede local, o estado recebeu pacientes vindos de outras unidades da Federação, inclusive de locais que haviam cedido leitos anteriormente.

Máximo também relacionou a crise de oxigênio no Amazonas às condições da BR-319. Segundo ele, seis carretas saíram de Porto Velho, mas enfrentaram sucessivos atoleiros e demoraram cerca de uma semana para chegar. O deputado afirmou ser contrário a novos desmatamentos, porém criticou a impossibilidade de recuperar uma estrada que, de acordo com seu relato, já havia sido asfaltada no passado.

“Eu não quero que desmate mais. Mas você proibir asfaltar uma BR que já foi asfaltada no passado, com essa história de que vai prejudicar o meio ambiente, e deixar pessoas morrendo, como morreram na Covid-19 e depois por falta de medicamentos e alimentos, é lamentável”, declarou.

Ao explicar por que permaneceu na política depois da pandemia, Máximo afirmou que o mandato potencializou o alcance do trabalho voluntário. Como exemplo, citou o projeto Enxergando com Amor, que, segundo ele, avaliou 16 mil crianças e adolescentes de seis a 18 anos e forneceu óculos personalizados aos estudantes que precisavam.

O deputado disse ainda ter encaminhado recursos para as 38 Apaes de Rondônia e para aproximadamente 60 instituições que atendem pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista e outras formas de neurodivergência. Também mencionou 1.189 cirurgias de catarata realizadas no Cone Sul, procedimentos eletivos em municípios e a destinação de recursos para a saúde de Vilhena e Porto Velho.

“Quando eu coloco um recurso e atendo 16 mil crianças em um projeto, potencializo aquilo que fazia. Antes, eu ia com meu estetoscópio e alguns medicamentos, atendia 15, 20 ou 30 pessoas. Agora estou atendendo milhares de pessoas”, afirmou.

Um dos episódios usados por Máximo para explicar sua concepção de liderança ocorreu em um mutirão de cirurgias em São Francisco do Guaporé. Segundo ele, oito cirurgiões saíram de Porto Velho durante a madrugada e começaram a operar pela manhã. Depois de um dia inteiro de trabalho, a equipe decidiu interromper os procedimentos, quando ainda havia cinco pacientes na programação.

Máximo afirmou que liberou os colegas para descansar, mas avisou à enfermagem que permaneceria no hospital e realizaria sozinho as operações restantes. “Chamei a enfermeira e falei: ‘Não deixe dar comida para os pacientes, não os tire do jejum, porque eu vou operar todos.’ Ela perguntou: ‘O senhor vai operar sozinho?’ Eu falei: ‘Vou.’ Era sete horas da noite. Ela disse: ‘O senhor vai terminar três horas da manhã.’ Eu respondi: ‘Não tem problema, estou acostumado a operar no João Paulo durante a noite inteira’”, relatou.

De acordo com o deputado, os outros médicos souberam da decisão e retornaram voluntariamente às salas cirúrgicas. O grupo concluiu os cinco procedimentos naquela noite e retomou os trabalhos na manhã seguinte. Ao fim de dois dias, segundo Máximo, foram realizadas 96 cirurgias e a programação foi zerada.

“Se eu desse uma ordem, dizendo que eles tinham que operar mesmo cansados, eles não iriam, e estariam certos. Mas, como eu voltei para operar, eles voltaram, e a gente zerou o mapa. Fizemos 96 cirurgias naquele hospital em dois dias”, declarou.

Na parte final da entrevista, Máximo falou sobre a origem familiar, a formação acadêmica, a religião e as atividades que mantém fora do mandato. O deputado disse ter vindo de uma família pobre, estudado em escola pública durante praticamente toda a vida e sido aprovado aos 17 anos no primeiro vestibular de medicina que prestou, em uma universidade federal.

Ele atribuiu aos pais, João e Shirlei Máximo, participação decisiva em sua formação e afirmou que ambos enfrentaram dificuldades financeiras para garantir os estudos dos filhos. O parlamentar citou especializações e pós-graduações, a atuação como perito médico-legista da Polícia Civil de Rondônia, um MBA em gestão e o doutorado na Universidade do Porto, em Portugal, do qual disse ter concluído 75%.

Máximo também declarou que a Bíblia é seu livro de cabeceira e que realiza palestras motivacionais para crianças e adolescentes. Nessas apresentações, segundo ele, aborda a importância do respeito aos pais e professores, do estudo e da prevenção ao envolvimento com drogas e criminalidade.

O deputado contou ainda que, depois da eleição de 2022, percorreu os 52 municípios de Rondônia para agradecer os votos recebidos. Disse ter mantido os atendimentos médicos voluntários durante o mandato, em distritos, bairros da capital e cidades do interior, levando estetoscópio, receitas e medicamentos recebidos como amostras.

“Eu nunca pensei em eleição para fazer atendimento. Há 16 anos faço isso sem pensar em eleição. Continuei fazendo durante todo o meu mandato, atendendo pessoas, conversando, prescrevendo medicamentos e, quando precisa, tentando conseguir o exame na rede pública ou operando alguns casos”, afirmou.

10 FRASES DE FERNANDO MÁXIMO AO RD ENTREVISTA

01) “Eu sou de direita, definido de direita. Todos os meus posicionamentos são firmes, as minhas votações são firmes.”

A declaração foi feita quando Fernando Máximo respondeu se pretendia conversar com setores do eleitorado que não se identificam com a direita.

02) “Quem tem acima de 18 anos faz o que quiser: pode beber, pode fumar, pode usar droga.”

A frase foi pronunciada ao separar as escolhas individuais de adultos da posição que defende para as políticas públicas sobre drogas.

03) “Mas, se você vai fazer uma política pública, um projeto de lei para flexibilizar isso, você piora.”

Máximo apresentou a avaliação durante a defesa de sua oposição à legalização, à descriminalização e à despenalização dos entorpecentes.

04) “Eu não agrido ninguém, não xingo e não brigo.”

A afirmação surgiu quando o deputado descreveu como se posiciona em debates na Câmara, inclusive diante de parlamentares que defendem propostas opostas às suas.

05) “Quando você dá respeito, você recebe respeito; quando você dá carinho, você recebe carinho.”

O parlamentar usou a frase ao explicar por que acredita manter diálogo com pessoas de direita, centro e esquerda.

06) “Você pode até tentar me convencer.”

A declaração foi feita quando Máximo admitiu avaliar argumentos contrários e afirmou que poderia rever uma posição diante de estudos mais amplos e dados mais confiáveis.

07) “Não, muito pelo contrário, são duas vagas.”

Máximo respondeu dessa forma ao ser questionado se a pré-candidatura de Bruno Scheid ao Senado poderia ameaçar sua própria disputa.

08) “O Bruno teve uma ascensão meteórica.”

A frase foi dita durante a análise dos levantamentos eleitorais que, segundo o deputado, mostram crescimento do aliado na corrida ao Senado.

09) “Cada vez que alguém fala para mim: ‘Máximo, está bem na pesquisa’, mais cedo eu acordo, mais visitas eu faço e mais emendas eu levo.”

O deputado fez a declaração ao afirmar que resultados favoráveis aumentam sua dedicação e não servem como justificativa para acomodação.

10) “Eu peço a Deus que realmente a gente seja eleito e ele também seja eleito.”

Máximo encerrou a resposta sobre Bruno Scheid manifestando o desejo de que os dois conquistem as vagas de Rondônia no Senado.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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