O avanço do êxodo e da desvalorização imobiliária em Porto Velho, os impactos das tarifas aéreas e dos pedágios, além das articulações partidárias para as convenções de 2026, completam a coluna
Prontos para o salto
Se o Brasil aproveitar sabiamente o fato de dispor do segundo maior conjunto de terras raras do mundo, estará definitivamente destinado a conquistar mais rapidamente sua condição sempre adiada de país desenvolvido. Em 1963, quando o então vice-presidente João Goulart esteve em visita diplomática à China, esse país era muito pobre. Por outro lado, o Brasil se equiparava à Coreia do Sul. Infelizmente, uma ditadura de duas décadas e a polarização entre grupos que não param de brigar, fingindo-se de “direita” e “esquerda”, mantiveram o Brasil no atraso, com o freio sempre puxado, enquanto as outras nações se desenvolviam.
Havendo uma política inteligente de aproveitamento das terras raras, unindo os esforços do governo e da sociedade civil e recuperando a diplomacia pragmática responsável por tornar o Brasil respeitado em todo o mundo, o país poderá recuperar o tempo perdido, vencer o atraso relativo e escapar da armadilha da renda média. Isso terá que passar pelo esforço concentrado para qualificar a capacidade nacional de desenvolver tecnologia, refino e processamento industrial da fonte até conquistar parcelas importantes do mercado.
É uma tarefa gigantesca, atualmente prejudicada pela desunião nacional. Contudo, se esta for vencida, os recursos naturais e humanos forem bem aproveitados e a diplomacia assegurar bons contratos externos para a adequada exploração das reservas, o tempo de meramente exportar commodities chegará ao fim.
Tudo à venda
Multiplicam-se as placas de venda de casas, apartamentos, terrenos e pontos comerciais em Porto Velho. Não bastasse, existem muitos prédios abandonados em várias regiões da cidade. Tudo isso desvaloriza ainda mais os imóveis em uma cidade onde segue um processo de êxodo, com migração para municípios de Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Paraíba e outros estados com economias mais pulsantes. Vê-se ainda a migração de médicos para o interior de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em busca de melhores remunerações. É uma situação que já reflete no recuo da arrecadação para os cofres públicos, tanto da Prefeitura de Porto Velho quanto do Governo de Rondônia.
Mais impactos?
O Estado de Rondônia, especialmente Porto Velho, sofre os impactos do brutal reajuste dos preços das tarifas aéreas, que aumentam ainda mais no período de férias. Padece também com os reflexos gerados pela criação de um pedagiamento exponencial na BR-364, ocasionando preços majorados nos supermercados, e agora vem a concessão da Hidrovia do Madeira. É importante que a classe política se posicione desde já sobre a situação, combatendo os possíveis percalços para a população rondoniense. Deixar para depois, como ocorreu com a bancada federal em relação ao pedagiamento, só trouxe prejuízos.
Convenções 2026
Aproximam-se as convenções partidárias que vão homologar as candidaturas ao Governo de Rondônia, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. Os partidos já estão com seus principais pré-candidatos nas ruas. Depois de rumores sobre a substituição dos nomes de Expedito Neto (PT), Samuel Costa (PSB) e Luís Carlos Teodoro (PSOL), nada foi confirmado, e todos eles já se movimentam em visitas aos órgãos de imprensa, aos bairros e aos municípios mais populosos. Alguns contam com mais recursos, caso de Expedito Neto, que será beneficiado com verbas do fundo eleitoral petista, enquanto os nanicos contam as moedinhas do cofrinho.
Plano Cebolinha
No maior Plano Cebolinha de todos os tempos em Rondônia, o ex-senador Expedito Júnior está lançando simultaneamente as candidaturas do ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) e do próprio filho, Expedito Neto (PT), ao Governo de Rondônia. Com um pé em cada candidatura e com todos os familiares do seu clã já se declarando eleitores de Expedito Neto, Expedito pai vê sua estratégia causar prejuízos para ambas as postulações, com um clima de desconfiança instalado. Fala-se que, mais à frente, as duas postulações poderão ser unificadas em uma só, arrepiando petistas da gema.
Campanha de Fúria
O mês de julho vai começar com uma verdadeira ofensiva de campanha do postulante Adailton Fúria (PSD) na capital rondoniense, onde padece com sua péssima aceitação na disputa pelo Palácio Rio Madeira diante do concorrente local, o ex-prefeito Hildon Chaves, da Federação União Progressista. Vão entrar na campanha para reverter a situação a máquina azeitada do Governo do Estado, sob o comando do governador Marcos Rocha, e o vice de Adailton Fúria, o empresário das comunicações Everton Leoni, indicado pelo ex-governador Ivo Cassol. Leoni entra em licença de suas funções para melhorar, nas pesquisas da capital, a situação do candidato da chapa governista.
Via Direta
*** O crime organizado se espraia em Rondônia e se infiltra nos órgãos públicos e até nas comissões de licitação de obras. De funcionários fantasmas à coleta de lixo, às pontes e às estradas de papel. É coisa de louco.
*** Em Porto Velho, existem bairros onde vereadores se apoderam da paternidade de obras do prefeito Léo Moraes. São alguns edis sanguessugas disputando cargos eletivos nas eleições de outubro.
*** Afastados das lides do MDB, o ex-senador Valdir Raupp e a ex-deputada federal Marinha Raupp ainda não assumiram apoio ao pré-candidato a governador do partido, Pedro Abib, que segue patinando nas pesquisas eleitorais ao lado dos postulantes dos partidos nanicos.

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