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RUMO AOS 111 ANOS
Porto Velho teve cidade dividida entre administrações americana e brasileira durante construção da EFMM

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Divisão em Porto Velho separava administração americana e brasileira durante construção da ferrovia

Por Informa Rondônia - sábado, 30/08/2025 - 09h04

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Porto Velho, RO – A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), construída entre 1907 e 1912, foi a 15ª ferrovia implantada no Brasil. Com 366 quilômetros de extensão, ligava Porto Velho a Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia, e tinha como finalidade transpor as cachoeiras do rio Madeira, permitindo o escoamento da borracha e de outras mercadorias da Bolívia e do Brasil.

A construção mobilizou cerca de 20 mil trabalhadores de 50 nacionalidades. Nesse período, milhares de operários perderam a vida, principalmente em decorrência de doenças como a malária. O médico e pesquisador Oswaldo Cruz esteve na região para realizar ações de saneamento básico e combate às enfermidades tropicais.

A execução da ferrovia foi conduzida pela empresa americana Mamoré Railway Co, do empresário Percival Faquhar. Segundo o professor e historiador Aleks Palitot, a presença norte-americana trouxe alterações aos costumes locais e intensificou a influência estrangeira na Amazônia. “Essa era uma região fortemente influenciada, onde se falava inglês. Só para se ter noção, os jornais eram em inglês. Claro que tinham outras línguas, como a espanhola, portuguesa e muitas outras, mas o fluente era o inglês por conta da presença dos engenheiros americanos”, afirmou.

De acordo com Palitot, empresários dos Estados Unidos decidiram erguer uma cerca para dividir o território e monitorar a segurança do complexo ferroviário. A estrutura foi construída onde hoje está a avenida Presidente Dutra, que por muito tempo recebeu o nome de rua Divisória. De um lado, a administração da ferrovia permanecia sob controle americano; do outro, ficava a cidade organizada pelos brasileiros.

“Havia uma cidade do lado americano extremamente moderna com energia elétrica, lavanderia industrial, clubes, cinema, indústria, farmácia, hospital, telefone, telégrafo sem fio. Do outro lado da cerca, uma cidade pobre, pequena e que se forjava a partir de pessoas que saíram de Santo Antônio e também de outros seringais, na esperança de trabalharem na região da ferrovia”, relatou Palitot.

Segundo o livro Estudos Históricos Amazônicos, do historiador Dante Fonseca, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), a linha divisória se estendia da Praça Marechal Rondon até o Pequeno Deroche, atual poliesportivo da avenida Pinheiro Machado.

O lado brasileiro passou a ser administrado em 24 de janeiro de 1915, com a posse de Fernando Guapindaia de Souza Brejense, o Major Guapindaia, que assumiu o cargo de superintendente. Sua missão era desenvolver a parte da cidade que recebia menos atenção do poder público.

Durante sua gestão, Guapindaia promoveu a urbanização com a abertura de ruas, o alinhamento das casas e a construção do Mercado Municipal, do Cemitério dos Inocentes, da cadeia pública, de pontes e da primeira escola pública, a Escola Mista Municipal. O Mercado foi erguido em 1913, mas inaugurado apenas em 1950, já denominado Mercado Cultural.

A EFMM completa 111 anos em 2 de outubro. A ferrovia só passou a ser oficialmente brasileira em 10 de julho de 1931, quando foi nacionalizada e o governo assumiu sua administração, nomeando Aluízio Pinheiro Ferreira como diretor-geral.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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