Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

CUIDADOS COM ANIMAIS
Fogos de artifício causam estresse, acidentes e risco de morte em cães e gatos

🛠️ Acessibilidade:

Especialistas alertam que barulho intenso pode provocar pânico, fugas, crises clínicas e exigem preparo dos tutores durante festas

Por Informa Rondônia - quinta-feira, 01/01/2026 - 11h01

Facebook Instagram WhatsApp X
Conteúdo compartilhado 162 vezes

Porto Velho, RO – O período de festas marcado por fogos de artifício expõe cães e gatos a situações de alto risco, que vão além do desconforto auditivo e podem resultar em acidentes graves e até morte. Reações como pânico, tentativas de fuga e crises clínicas são frequentes devido à extrema sensibilidade auditiva dos animais, que supera em muito a capacidade humana.

Enquanto pessoas percebem sons de até 20 mil hertz, cães conseguem captar frequências de até 40 mil hertz e gatos chegam a 65 mil hertz. Essa diferença faz com que explosões sonoras sejam interpretadas como ameaças iminentes. Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, o estímulo repentino desencadeia estresse intenso, associado a fatores sensoriais, emocionais e comportamentais, favorecendo o desenvolvimento de fobias sonoras.

A amplificação do som percebido pelos animais agrava o quadro. De acordo com Alves, cães ouvem aproximadamente o dobro do que um ser humano escuta, enquanto nos gatos essa sensibilidade é ainda maior. Por essa razão, a orientação é que os tutores iniciem uma preparação prévia, não restrita ao Natal e ao Ano Novo, mas também a períodos como o carnaval.

A rotina doméstica, segundo o veterinário, deve ser mantida de forma harmoniosa. Brinquedos podem funcionar como ferramentas emocionais, auxiliando na canalização da energia e desviando o foco dos estímulos externos. A criação de ambientes mais protegidos, com portas e janelas fechadas, cortinas cerradas e isolamento acústico improvisado, ajuda a reduzir o impacto do barulho. Sons contínuos, como televisão ou música em volume moderado, podem servir como barreira sonora.

As reações ao barulho incluem tremores, salivação excessiva, automutilação e tentativas desesperadas de fuga. Nessas situações, quedas de janelas e muros são registradas, além de atropelamentos quando os animais escapam para a rua. O estresse também provoca alterações fisiológicas, como taquicardia, aumento da pressão arterial, desorientação e crises convulsivas, que, em casos extremos, podem levar ao óbito. Alves explicou que a liberação intensa de adrenalina pode resultar em parada cardíaca após convulsões e choque.

O uso de coleiras para conter animais assustados não é recomendado. Conforme alertou o presidente do CRMV-RJ, o medo faz com que o animal tente pular ou correr, o que pode resultar em enforcamento. Para gatos, uma alternativa citada é a utilização de feromônios em spray, substâncias que simulam sinais de bem-estar e ajudam a reduzir estresse e ansiedade. O controle rigoroso das portas da residência também é considerado essencial, especialmente em ambientes com convidados circulando.

O contato físico com os tutores é apontado como fator de conforto. Envolver o animal em mantas ou mantê-lo próximo ao corpo humano contribui para a sensação de segurança e auxilia na liberação de hormônios relacionados à redução do estresse, prática conhecida popularmente como “tail in touch”.

Quanto ao uso de medicamentos, Alves ressaltou que ansiolíticos e sedativos só devem ser administrados com prescrição veterinária, já que cada caso exige avaliação específica. O uso inadequado pode provocar efeitos colaterais graves, sendo a dose um fator determinante entre benefício e prejuízo. Também é orientado evitar oferecer alimento próximo ao horário dos fogos, reduzindo o risco de engasgos durante momentos de agitação.

A hidratação ganha importância adicional em períodos de calor intenso. O veterinário recomenda alternativas como cubos de gelo ou frutas com alto teor hídrico, como melancia e melão, congeladas para distração dos animais. O uso contínuo de ar-condicionado requer atenção, pois pode ressecar as vias aéreas; para minimizar o problema, é sugerido aumentar a umidade do ambiente. Passeios devem ser evitados nos horários de maior incidência solar, priorizando o início da manhã ou o fim da tarde.

O CRMV-RJ destaca que comemorações não devem colocar vidas em risco e que a responsabilidade com os animais precisa integrar o planejamento das festas. Além do barulho, outro fator de atenção são os alimentos típicos das ceias. O professor de Medicina Veterinária da Universidade Guarulhos (UNG), Diego de Mattos, alertou para riscos de intoxicação causados por chocolate, uva passa, cebola, alho, nozes, massas cruas, bebidas alcoólicas, carnes gordurosas e ossos cozidos, que podem provocar desde distúrbios metabólicos até perfurações no trato digestivo.

Segundo Mattos, oferecer carnes magras cozidas sem tempero, legumes adequados e petiscos próprios para pets é a forma mais segura de incluir os animais nas festividades. A busca por atendimento veterinário é indicada quando o medo e a ansiedade se tornam intensos ou persistentes, especialmente diante de sinais como tremores contínuos, vômitos, dificuldade respiratória, convulsões, tentativas de fuga ou recusa em se alimentar. O acompanhamento profissional é considerado fundamental para evitar que o estresse evolua para um problema crônico.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





COMENTÁRIOS: