Único aliado do governo Lula na bancada federal do estado, senador do MDB descreve colapso hídrico, seca de igarapés e risco de desaparecimento de rios em texto publicado neste domingo
Porto Velho, RO – A falta de água potável já deixou de ser um risco abstrato e passou a ameaçar diretamente cidades inteiras de Rondônia. O alerta foi feito pelo senador Confúcio Moura (MDB) em artigo publicado neste domingo (11), no qual descreve um cenário que classifica como “grave” e aponta a escassez hídrica como uma das maiores ameaças atuais ao estado.
De acordo com o parlamentar, pelo menos 16 municípios rondonienses convivem hoje com risco iminente de desabastecimento. O quadro, segundo ele, é resultado do secamento de igarapés, da degradação de nascentes e do avanço de processos que comprometeram a capacidade natural de reposição da água. “A escassez de água potável já ameaça cidades inteiras de Rondônia”, escreveu.
No texto, Confúcio relembra um alerta feito anos atrás pelo promotor de Justiça Adilson, quando este atuava em Jaru. Segundo o senador, o membro do Ministério Público teria afirmado que o Rio Jaru poderia secar em um prazo de 20 anos. À época, a previsão teria soado improvável. Hoje, no entanto, Confúcio afirma que o tempo dirá se o aviso foi exagerado ou uma avaliação precisa baseada na realidade ambiental da região. “Como imaginar o fim de um rio tão carregado de história?”, questiona.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
O senador também cita episódios concretos já vividos por municípios rondonienses. Em Espigão do Oeste, segundo o relato, a população precisou ser abastecida por carros-pipa em diferentes períodos devido à falta de água. Situação semelhante teria ocorrido em Rolim de Moura cerca de uma década atrás, quando o sistema de abastecimento entrou em colapso. Confúcio descreve o episódio como um momento de emergência, marcado por esforços concentrados para garantir água nas torneiras da população.
Ao tratar das causas, o parlamentar associa a crise hídrica à degradação ambiental, especialmente à destruição de nascentes e matas ciliares. Ele afirma que áreas que antes possuíam aguadas correntes e limpas foram substituídas por açudes abertos mecanicamente, utilizados para dessedentação do gado durante o período de estiagem. Segundo o senador, essas estruturas acumulam água parada, quente e turva, alterando a dinâmica natural dos cursos d’água.
Confúcio Moura sustenta que a recuperação ambiental e a preservação das nascentes deveriam ser tratadas como prioridade. Em seu texto, defende o cumprimento da legislação ambiental e a manutenção das matas ciliares como medidas preventivas, ressaltando que o custo da recuperação posterior é mais elevado e, em alguns casos, inviável. “Recuperar depois custa muito mais, quando ainda é possível”, escreveu.
Ao concluir o alerta, o senador afirma que os sinais da crise hídrica são visíveis e mensuráveis no cotidiano de Rondônia. Para ele, o cenário atual não é fruto de hipóteses, mas de evidências observáveis no território. “As evidências são claras, visíveis, incontestáveis”, afirmou no texto publicado.




