Estimativa foi apresentada por motorista de Vilhena em entrevista ao Folha do Sul Online após início das cobranças eletrônicas na rodovia
Porto Velho, RO – O impacto direto no custo do transporte passou a ser sentido logo no início da cobrança do pedágio eletrônico na BR-364, segundo relato de um caminhoneiro de Vilhena ouvido com exclusividade pelo Folha do Sul Online. De acordo com o motorista, o valor acumulado das tarifas ao longo do trajeto entre Vilhena e Porto Velho pode ultrapassar R$ 2.600,00 em uma única viagem de ida e volta realizada por carreta com nove eixos.
Segundo o caminhoneiro entrevistado pelo Folha do Sul Online, a elevação dos custos operacionais tende a ser incorporada ao valor final do frete, afetando diretamente a cadeia logística responsável por sustentar parcela relevante da atividade econômica no Cone Sul de Rondônia.
A projeção foi apresentada após a entrada em vigor das cobranças, iniciadas nesta segunda-feira, 12, no trecho da rodovia federal concedido à iniciativa privada. O caminhoneiro, de 40 anos, com aproximadamente duas décadas de atuação no transporte rodoviário e residente em Vilhena, explicou que o montante resulta da soma das tarifas aplicadas em diferentes pontos do percurso, calculadas conforme o número de eixos do veículo.
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Durante a entrevista, foi citado como exemplo o ponto de cobrança localizado no acesso ao município de Cujubim. Nesse local, segundo o relato, a passagem da carreta gera um boleto no valor de R$ 333,00, com prazo de até cinco dias para pagamento. A quitação, conforme detalhado, não ocorre no momento da travessia, sendo realizada posteriormente por meio eletrônico.
O modelo adotado na BR-364 é o Free Flow, sistema que elimina praças físicas e cancelas. Nesse formato, a identificação dos veículos é feita por pórticos equipados com câmeras e sensores, responsáveis pelo reconhecimento da placa ou de dispositivos eletrônicos de pagamento. A cobrança é processada automaticamente, com posterior notificação ao usuário para pagamento em plataformas digitais.
Mesmo com o início da tarifação, o caminhoneiro afirmou ao Folha do Sul Online que não foram observadas melhorias proporcionais na infraestrutura da rodovia. Ele relatou a presença de buracos ao longo da pista e indicou que um dos problemas estaria localizado sob um dos pórticos de cobrança. Também foi mencionado que, apesar do funcionamento de alguns postos do Serviço de Atendimento ao Usuário, ainda não existem áreas estruturadas para descanso de motoristas em todo o trecho concedido.
Em vídeo gravado durante o trajeto e posteriormente compartilhado em grupos de WhatsApp, o caminhoneiro declarou que “o frete vai encarecer, e a economia de Vilhena, cuja base é o transporte, pode ser duramente afetada”. A gravação passou a circular entre profissionais do setor e outros usuários da rodovia, ampliando as discussões sobre os efeitos econômicos da concessão.
O trecho da BR-364 que atravessa Rondônia foi concedido por um período aproximado de 30 anos ao consórcio 4UM-Opportunity, que opera por meio da concessionária Nova 364. O contrato foi formalizado em outubro do ano passado e abrange cerca de 700 quilômetros da rodovia, com pontos de cobrança distribuídos em municípios como Candeias do Jamari, Cujubim, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici e Pimenta Bueno.




