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Rugem na tribuna, silenciam na prática: o oportunismo político no debate dos pedágios da BR-364

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Coluna analisa o contraste entre o discurso atual de revolta e o silêncio de lideranças de Rondônia quando o modelo de concessão da rodovia foi estruturado dentro de governos que apoiavam

Por Cícero Moura - quinta-feira, 12/02/2026 - 10h13

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MÁSCARA

Existe um tipo de político que domina como poucos a arte do espetáculo. Alguns parecem até que investiram na carreira errada.

“ARTISTA”

É aquele que sobe à tribuna com voz inflamada, dedo em riste, frases de efeito prontas para viralizar nas redes sociais e um discurso recheado de indignação seletiva.

MANSO

Mas basta o tema tocar em decisões tomadas por governos que ele próprio apoiou para o rugido virar silêncio. Ou pior: para o leão virar cordeiro.

ESTEREÓTIPO

O deputado federal Coronel João Chrisóstomo se encaixa com desconfortável precisão nesse retrato.

PALADINO

Hoje, apresenta-se como defensor do povo contra os pedágios na BR-364, vestindo o figurino da revolta popular.

PASSADO

Mas a memória política não pode ser tratada como algo descartável, muito menos quando os registros mostram que essa pauta não nasceu ontem.

DEPUTADO

Em 2019, Chrisóstomo já ocupava cadeira na Câmara Federal. Era o início de um governo que ele não apenas apoiava, mas exaltava com entusiasmo quase religioso.

PARCEIROS

Jair Bolsonaro assumia a Presidência, Tarcísio de Freitas comandava o Ministério da Infraestrutura e o projeto de concessões e privatizações de rodovias federais avançava como uma das principais bandeiras do governo.

COMPORTAMENTO

E onde estava a indignação do deputado naquele momento? Não há registros de discursos inflamados, gritos na tribuna ou rompantes de revolta contra a possibilidade de concessão da BR-364.

ÍDOLO

Pelo contrário. O parlamentar dedicava seu tempo, com frequência, a enaltecer o governo federal e seu líder político.

SEM PRIORIDADE

A pauta que hoje é tratada como tragédia para a população simplesmente não despertava qualquer urgência em seu mandato. Mas Chrisóstomo não esteve sozinho nesse silêncio conveniente.

OUTROS

O senador Marcos Rogério, outro expoente do bolsonarismo em Rondônia, também passou ao largo do debate quando a concessão da rodovia era gestada dentro do governo que ele defendia.

QUIETO

O discurso firme que hoje aparece nas redes sociais e entrevistas não encontra o mesmo eco quando se revisita o período em que o projeto avançava dentro de um ambiente político amplamente favorável.

TEM MAIS

E a lista segue. O deputado Lúcio Mosquini, que também integrava a bancada alinhada ao governo federal à época, igualmente não protagonizou qualquer enfrentamento relevante contra a proposta.

DEDUÇÃO

A impressão que fica é que, naquele período, a pauta simplesmente não rendia dividendos políticos suficientes para gerar enfrentamento.

AMESTRADOS

Em 2019, praticamente toda a bancada federal de Rondônia orbitava ao redor do Palácio do Planalto.

AMESTRADOS 2

Era um momento em que a fidelidade política parecia falar mais alto que a defesa preventiva dos interesses da população.

DÚVIDA

O silêncio coletivo diante da construção do modelo de concessão da BR-364 levanta uma pergunta inevitável: por que só agora surgiu a revolta?

ESCLARECIMENTO

A resposta pode estar menos na preocupação com o bolso do cidadão e mais no velho cálculo eleitoral.

POSTURA

Criticar medidas quando elas ainda são gestadas dentro de governos aliados exige coragem política e disposição para enfrentar a própria base.

VANTAGEM

Já subir o tom quando o tema ganha impopularidade é muito mais confortável — e rende mais curtidas.

FATO

Esse comportamento revela uma das faces mais desgastantes da política brasileira: a demagogia de ocasião.

LEI DE GERSON

É o parlamentar que se apresenta como guardião do povo apenas quando as circunstâncias permitem capital político fácil, ignorando que decisões estruturais são construídas ao longo de anos e com a participação direta ou indireta de quem ocupa cargos públicos.

ELEIÇÃO CHEGANDO

A população de Rondônia merece representantes que tenham coerência, não apenas performance.

COERÊNCIA

Defender o interesse público exige posicionamento contínuo, inclusive quando isso significa contrariar aliados, partidos ou lideranças nacionais.

REALIDADE

O problema dos pedágios na BR-364 é sério, legítimo e merece debate profundo. Mas esse debate precisa ser conduzido com honestidade política.

FICA REGISTRADO

Transformar um tema complexo em palanque tardio pode até gerar manchetes, mas não apaga o histórico de omissões.

ELEITOR ATENTO

No fim das contas, o eleitor começa a perceber quando a indignação é real e quando ela é apenas um roteiro ensaiado para o próximo ciclo eleitoral.

DANO

E talvez esteja aí o maior risco para quem aposta na memória curta da população: cada vez mais, o público aprende a distinguir o rugido verdadeiro do teatro político.

FRASE

Pregar valores enquanto negocia princípios é a forma mais barata de enganar o povo.

AUTOR: CÍCERO MOURA





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