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CHUVAS EM MINAS GERAIS
Buscas são encerradas em Juiz de Fora após 72 mortes; Ubá mantém uma pessoa desaparecida

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Corpo de menino de 9 anos é localizado no bairro Paineiras; moradores seguem fora de casa após deslizamento no Morro do Cristo e aguardam liberação para retirada de pertences

Por Yan Simon - segunda-feira, 02/03/2026 - 08h26

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Porto Velho, RO – O número de mortos em decorrência das chuvas em Minas Gerais chegou a 72 na manhã deste domingo (1º), conforme atualização da Polícia Civil do estado. Todos os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo 65 em Juiz de Fora e sete em Ubá. Na cidade de Ubá, uma pessoa continua desaparecida e, segundo a corporação, as buscas serão intensificadas.

Em Juiz de Fora, as operações de procura por vítimas foram encerradas após a localização do corpo do último desaparecido. O menino Pietro, de 9 anos, foi encontrado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais.

No bairro Paineiras, moradores permanecem fora de suas residências desde o deslizamento de terra ocorrido na noite de segunda-feira (23), durante a tempestade que atingiu a cidade. A retirada das famílias foi orientada pela Defesa Civil em razão do risco de novos desmoronamentos, sobretudo pela instabilidade na encosta do Morro do Cristo.

Um dos imóveis atingidos pertence à família do engenheiro civil Guilherme Belini Golver, que vive no local com os pais. Ele não estava em casa no momento do deslizamento. Ao deixar o endereço por volta das 22h10 para buscar a filha na faculdade, já havia grande volume de água na rua. Segundo relatou, a via parecia “igualzinho um rio”, com água de coloração amarronzada. Cerca de 20 minutos depois, recebeu ligação de um vizinho informando que a terra já havia invadido o imóvel, alcançando portão e garagem.

Desde então, a permanência no casarão foi impedida. A saída foi solicitada pela Defesa Civil, que informou não ser possível dimensionar a gravidade da situação nem descartar novos deslizamentos a partir do Morro do Cristo. Guilherme tem retornado apenas para limpar a lama acumulada e vigiar o imóvel, que ficou aberto após a perda da tranca. Ele afirmou que o objetivo é “tentar acabar com esse lamaçal” e observar a estrutura da casa, considerada vulnerável.

O engenheiro recordou que, há cerca de 40 anos, pequenas pedras se desprenderam da encosta, o que resultou na instalação de contenções. Segundo ele, na ocasião, não se tratava de pedras grandes. Apesar disso, admitiu preocupação com a possibilidade de novos episódios e disse que “a cabeça da gente fica meio preocupada”.

Na mesma rua, um policial penal que morava no local havia aproximadamente quatro meses morreu durante o deslizamento. Próximo ao casarão, três prédios residenciais alugados por uma mesma família também foram atingidos.

Em um dos apartamentos vivia o motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos. Ele estava fora quando o desabamento ocorreu, por volta das 22h50, pois havia saído para buscar a irmã no trabalho devido à chuva. Ao retornar e fazer a curva para entrar no prédio, constatou que a estrutura já havia cedido.

De acordo com Paulo, moradores improvisaram uma rota de fuga entre apartamentos para permitir a saída de todos. Ele afirmou que houve pessoas que pularam de um apartamento para outro e que o caminho foi feito por ele e por um policial militar. Segundo relatou, nenhum apoio externo havia chegado naquele momento. Um vizinho, que trabalhava como policial penal, morreu no episódio. “A gente perdeu um policial do nosso prédio”, disse.

O acesso aos imóveis permanece interditado por risco estrutural. Os moradores aguardam autorização para entrar e retirar documentos e pertences. Paulo declarou que o objetivo é recolher itens básicos, como roupas e documentos, pois estão hospedados provisoriamente em casas de terceiros e utilizando roupas emprestadas. Ele relatou ainda dificuldades para se alimentar e dormir desde o ocorrido.

Segundo o morador, até o momento não havia sido apresentado parecer formal sobre a situação dos prédios por parte da Defesa Civil ou do Corpo de Bombeiros. Também foram registradas denúncias de saques durante a madrugada nos imóveis interditados, com relatos de que pessoas estariam aproveitando a interrupção das atividades de resgate para invadir os prédios.

Os deslizamentos no bairro Paineiras atingiram dois pontos distintos em ruas próximas. Em uma delas, onde há casarões antigos e prédios residenciais de classe média, foram registrados danos estruturais e uma morte. Na rua seguinte, equipes de resgate atuaram após registros de vítimas e desaparecimentos, incluindo o caso do menino de 9 anos localizado no sábado.

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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