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OPERAÇÃO CONTENÇÃO
Relatório da CIDH aponta falhas e condena operação policial que deixou 122 mortos no Rio

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Documento divulgado pelo órgão internacional analisa a Operação Contenção, realizada em 2025 no Rio de Janeiro, e afirma que a ação não reduziu a criminalidade e gerou graves violações de direitos humanos

Por Yan Simon - sexta-feira, 06/03/2026 - 08h27

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Porto Velho, RO – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concluiu que a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 no Rio de Janeiro, não produziu resultados efetivos para a segurança pública e resultou em graves impactos para comunidades da zona norte da cidade. O relatório foi divulgado nesta sexta-feira (6) e aponta que a intervenção terminou com 122 mortes.

Segundo o documento, a ação policial provocou imagens que repercutiram internacionalmente, como corpos alinhados em uma rua do bairro da Penha. Para a comissão, o episódio ampliou a desconfiança da população em relação às instituições e intensificou o sofrimento das comunidades afetadas.

No relatório, o órgão afirma que a estratégia adotada não enfraqueceu o crime organizado. O texto registra que, “longe de enfraquecer estruturalmente o crime organizado, a intervenção aprofundou o sofrimento comunitário, reforçou a desconfiança institucional e elevou padrão histórico de violência estatal a novo patamar de gravidade”.

De acordo com a análise da comissão, o modelo de segurança pública observado repete padrões já identificados no país, caracterizados por operações policiais extensivas, militarização de territórios e maior ênfase em ações letais, mesmo quando há risco elevado para civis.

O documento também aponta que o aumento do número de mortes não se traduz em redução da criminalidade. A CIDH afirma que integrantes de grupos criminosos acabam sendo substituídos e que redes ilícitas são reorganizadas após operações desse tipo, o que mantém a dinâmica da atividade ilegal.

Para a elaboração do relatório, integrantes da comissão estiveram no Rio de Janeiro durante os primeiros dias de dezembro de 2025. Nesse período, foram realizadas reuniões com autoridades de diferentes níveis de governo, representantes de organizações da sociedade civil, especialistas em segurança pública e familiares de pessoas mortas na operação.

Além das entrevistas, foram utilizados dados de instituições públicas e reportagens jornalísticas sobre o tema. Entre os registros citados no documento, aparecem matérias da Agência Brasil relacionadas à operação e a outros episódios ligados à segurança pública.

Durante a análise, a comissão identificou problemas em investigações relacionadas às mortes. Entre as falhas apontadas estão ausência de preservação adequada das cenas de crime, fragilidades na independência das perícias, falhas na cadeia de custódia de provas e índices considerados elevados de arquivamento de casos.

A CIDH também destacou que o Brasil já foi condenado internacionalmente em episódios envolvendo violência policial, como os massacres de Acari, ocorrido em 1990, e de Nova Brasília, registrados em 1994 e 1995.

No relatório, o órgão recomenda mudanças estruturais na forma como o país enfrenta os problemas de segurança pública e desigualdade social. A comissão afirma que políticas baseadas em prevenção, inclusão social e justiça eficaz são necessárias para “romper o ciclo histórico de morte, encarceramento e impunidade que marca a experiência de favelas e periferias urbanas no Brasil”.

Entre as recomendações apresentadas estão o fortalecimento de políticas públicas preventivas nos territórios vulneráveis, ampliação de ações de inteligência para monitoramento de fluxos financeiros e do comércio internacional, e o reforço de mecanismos de controle sobre a circulação ilegal de armas de fogo.

O documento também sugere revisão dos protocolos das forças de segurança para alinhamento com normas internacionais de direitos humanos, autonomia funcional para órgãos periciais e maior atuação do Ministério Público no controle externo da atividade policial.

Outras propostas incluem cooperação permanente entre diferentes níveis de governo, produção de dados estatísticos detalhados e investigações independentes sobre todas as mortes relacionadas à operação. O relatório ainda recomenda reparação integral às vítimas e familiares, com medidas que incluam compensação financeira e assistência médica e psicológica.

A Operação Contenção foi conduzida pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro com a participação de cerca de 2,5 mil agentes. A ação buscava conter o avanço da facção criminosa Comando Vermelho e cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão, sendo 30 expedidos pela Justiça do Pará.

De acordo com o governo estadual, a operação foi considerada um sucesso. As autoridades afirmaram que as pessoas mortas reagiram com violência durante as ações policiais, enquanto suspeitos que se renderam foram presos.

Ao todo, foram registradas 113 prisões, incluindo 33 de pessoas provenientes de outros estados. Também foram apreendidas 118 armas e aproximadamente uma tonelada de drogas.

Considerada a maior e mais letal operação policial realizada no estado do Rio de Janeiro nos últimos 15 anos, a ação gerou confrontos intensos e episódios de retaliação criminosa em diferentes áreas da cidade. Os tiroteios provocaram interrupção de vias importantes e afetaram o funcionamento de escolas, estabelecimentos comerciais e unidades de saúde.

Moradores, familiares das vítimas e organizações da sociedade civil classificaram a operação como uma chacina. Segundo relatos reunidos no relatório, alguns corpos foram encontrados por moradores nas áreas de mata próximas à região, apresentando sinais de execução.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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