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ENTREVISTA
Gedeão destaca ajuste fiscal, corte de privilégios e gestão sob responsabilidade legal na Câmara de Porto Velho

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Gedeão Negreiros rebate acusação de ser controlado por Edwilson, admite orientação política familiar, mas diz que decisões administrativas são próprias e vincula desgaste a redução de benefícios e ajuste fiscal na Casa

Por Vinicius Canova - terça-feira, 24/03/2026 - 11h15

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Porto Velho, RO – O presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, Gedeão Negreiros, reagiu diretamente às acusações de que não exerce comando próprio sobre o Legislativo e afirmou que sua atuação está vinculada à responsabilidade pessoal na gestão, especialmente diante de medidas que reduziram gastos e provocaram insatisfação interna. Em entrevista ao podcast Resenha Política, feito em parceria com o Rondônia Dinâmica, ele negou subordinação ao irmão, o ex-vereador Edwilson Negreiros, e afirmou que as decisões partem de sua função como ordenador de despesas. “Sou eu, como sempre”, declarou ao ser questionado sobre quem conduz a Câmara.

A controvérsia ganhou força após relatos de bastidores e declarações de parlamentares indicando que Edwilson teria influência direta nas decisões. Gedeão refutou a tese de comando externo e sustentou que a narrativa surgiu como reação às mudanças administrativas implementadas no início de sua gestão. Segundo ele, o ambiente político se deteriorou após cortes que atingiram benefícios e estruturas internas. “Ninguém é feliz quando você tira algum benefício”, afirmou ao associar a crise ao pacote de contenção.

Ao detalhar sua atuação, o presidente vinculou as medidas à necessidade de adequação fiscal e ao cumprimento de orientações de órgãos de controle. Ele citou recomendações do Tribunal de Contas e do Ministério Público como base para as decisões, ressaltando o risco de responsabilização individual. “Quando você recebe uma recomendação… o presidente que está com o CPF em jogo, você tem que atender”, disse, ao justificar a redução da verba indenizatória, a diminuição de comissões e o corte de cargos comissionados.

Entre os pontos mais sensíveis, Gedeão mencionou a revisão da verba indenizatória, que segundo ele era de R$ 60 mil por vereador, e passou por reavaliação após auditoria do Tribunal de Contas. Ele afirmou que, embora não tenham sido identificadas ilegalidades, houve orientação para ajuste de valores e reforço de controle. Também relatou redução de estruturas internas, com corte de 30 comissões, e destacou impacto orçamentário com perda de R$ 6 milhões e tentativa de diminuição do duodécimo, posteriormente revertida judicialmente.

O presidente também utilizou um episódio envolvendo gratificação recebida no início do mandato para reforçar sua defesa. Disse que identificou o pagamento como indevido, devolveu os valores e determinou desconto parcelado, relacionando o caso a consequências jurídicas enfrentadas pelo irmão no passado. A partir disso, afirmou que busca adotar uma condução administrativa distinta. “Eu quero fazer o que é certo dentro da lei”, declarou, ao mencionar a intenção de evitar erros que resultaram em inelegibilidade de Edwilson.

Apesar de negar interferência administrativa, Gedeão reconheceu que o irmão exerce influência política. Ele afirmou que Edwilson não frequenta a Câmara há meses e não possui autonomia dentro da Casa, mas admitiu que recebe orientações. “Meu irmão… não tem nenhuma autonomia. Mas tem uma força de me orientar politicamente”, disse, ao explicar a relação. Também mencionou a esposa como uma das pessoas que o auxiliam nas decisões.

Ao comentar a origem das críticas, o presidente reiterou que o desgaste está ligado diretamente às mudanças promovidas. Ele afirmou que a tentativa de associá-lo a um comando externo seria uma forma de deslegitimar sua gestão no momento em que promove ajustes considerados impopulares. Em outra fala, sintetizou sua preocupação com a condução administrativa: “Me ajudem a salvar o meu CPF”, frase que disse dirigir a auxiliares técnicos da Câmara.

No campo administrativo, Gedeão afirmou ter corrigido a ausência de controlador interno oriundo do quadro da Casa e destacou que concede autonomia técnica à controladoria e à procuradoria. Também mencionou a necessidade de contenção de despesas para viabilizar a posse de concursados ainda em 2026.

A entrevista abordou ainda temas municipais, como a relação com o prefeito Léo Moraes, que classificou como alinhada, e discussões sobre IPTU. Ele defendeu revisão de critérios para diferenciar cobrança conforme infraestrutura dos bairros, apontando desigualdade entre áreas periféricas e regiões estruturadas. Também citou a necessidade de atualização do código de postura do município e medidas para enfrentar problemas como imóveis abandonados e queimadas.

Ao final, Gedeão afirmou que deseja ser avaliado por suas próprias decisões e não pela trajetória política do irmão, reconhecendo que a associação entre ambos foi reforçada desde sua entrada na política, quando substituiu a candidatura de Edwilson. Segundo ele, a atual crise reflete um momento de reorganização interna da Câmara, marcado por ajustes fiscais e tentativa de adequação às exigências legais.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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