Entre alertas sobre a Amazônia, escândalos em Brasília e os bastidores da corrida eleitoral em Rondônia, a semana expõe velhos problemas que continuam moldando o futuro do Estado e do país
O chutômetro
Considerando que as condições climáticas da Amazônia já contam com monitoramento por satélite e todos os meios disponíveis de análise desde 1992 já não se pode mais ironizar que os cientistas estejam usando o “chutômetro” ao prever danos irreversíveis para a floresta se não houver contenção no desmatamento, que permanece elevado.
A melhor qualidade da ciência – duvidar de tudo em busca de novas certezas – é também a sua maior adversária, já que os avisos sobre catástrofes futuras, mesmo vindos de especialistas, são recebidos como a futurologia religiosa, na qual todas as previsões sobre o fim do mundo já furaram desde que o profeta Emanuel Swedenborg profetizou o Juízo Final para o ano de 1757.
Cientistas norte-americanos, chineses e franceses, com base nos dados recolhidos em três décadas e meia, puderam estabelecer gráficos climáticos anuais e fazer observações em cima de dados concretos e não de percepções superficiais. Sabem, por exemplo, que nesse período a Amazônia teve uma grande seca a cada sete anos e a próxima virá em 2030.
Trabalhando com dados concretos, os cientistas ganham muito em credibilidade, mas é intrigante recordar que cientistas, magos e visionários bem antes que o primeiro satélite começasse a coletar dados já supunham que 2030 seria a data limite para o apocalipse. Chutaram, mas pelo visto estão quase acertando.
Abraço dos afogados
De Ciro Nogueira a Jaques Wagner. Congressistas de todas as espécies e credos acabaram investigados pela Policia Federal em vista do envolvimento no maior escândalo financeiro das últimas décadas, que é o do Banco Máster. Não bastasse, proliferam o envolvimento de deputados federais e senadores em outros casos rumorosos, como da rapínagem no INSS, das rachadinhas das emendas parlamentares com prefeitos e empreiteiras. O Congresso Nacional exala podridão. E por isto urge a necessidade de renovação dos quadros atuais do Senado e da Câmara dos Deputados. Até quando teremos tantos casos escabrosos?
Berço da colonização
Desmembrado de Ji-Paraná, localizado a 330 quilômetros de Porto Velho, o município de Ouro Preto do Oeste, é um dos principais berços da colonização rondoniense. A cidade comemorou no início da semana mais um aniversário de emancipação política e administrativa. Mesmo pioneiro nos projetos de colonização, Ouro Preto, com o passar do tempo enfrentou problemas de despovoamento, com muitos migrantes se deslocando para novos municípios criados nas décadas seguintes, como Machadinho do Oeste, Buritis e mais recentemente para a Ponta do Abunã. Temos lideranças históricas com bases por lá, Assis Canuto que foi vice-governador, o ex-prefeito Carlos Magno e o atual deputado federal Lucio Mosquini.
Área congestionada
Um dos segmentos mais congestionados nas disputas para as eleições 2026 é o da segurança pública, com militares e delegados nas disputas as cadeiras para Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Atualmente, na Câmara Federal, pela bancada rondoniense, já existem o coronel Chrisostomo (Porto Velho) e o delegado Thiago Flores (Ariquemes) e agora entra na disputa também o Coronel Vital, que já foi secretário da segurança pública. Na Assembleia Legislativa, policiais e delegados protagonizam grandes disputas, alguns buscando se manter nos cargos, outros funcionando como predadores. Sem contar, que no próprio governo do estado, temos um coronel, o mandatário Marcos Rocha.
A criminalidade
Com certeza a enorme violência e os elevados índices de criminalidade levaram o eleitorado rondoniense optar por delegados, policiais, cabos, sargentos e coronéis aos cargos eletivos. No entanto, passados quatro anos, não se constataram melhoras, principalmente em Porto Velho, apinhada de meliantes. Chama atenção o aumento de pontos de drogas, os avanços das facções criminosas, mesmo com tantas ações que aprenderam toneladas de drogas pelas rodovias e pelos rios rondonienses. Não bastasse o PCC e o Comando Vermelho ainda temos os piratas do Madeira armando escritórios do crime em conjuntos habitacionais populosos. É coisa de louco!
Eleições 2026
Aberta a contagem regressiva para as convenções partidárias do mês que vem, temos alguns candidatos fraquejando e passiveis de serem substituídos pelas alianças. Estão ameaçados desde o professor universitário Pedro Abib (MDB), o ex-deputado Expedito Neto (PT), e Samuel Costa (PSB). Todos com índices irrisórios nas primeiras pesquisas e alvo de alguns punhais da traição. Alguns partidos aliás, tem tradição de rachar na escolha dos seus candidatos e até com seus convencionais entrando em pancadaria, como já ocorreram em confrontos do MDB, dividido em várias correntes.
A confirmação
Ao participar do Programa a Voz do Povo, na quinta-feira, apresentado pelo radialista Arimar Sá, na Rádio Caiari, o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) confirmou sua candidatura ao Senado e que já está no trecho, visitando os municípios e falando das suas propostas para sua volta ao Congresso Nacional. O pedetista criticou o cochilo da bancada federal na questão do pedágio, preconizando que agora o fundamental é baixar os valores, enfatizou que Rondônia precisa entrar no ciclo da industrialização com urgência. Campeão de audiência no horário, a Voz do Povo tem a tradição de mais de três décadas no radialismo em rede estadual.
Em ação
Com a Copa do Mundo andando e atraindo todas as atenções, temos uma redução das atividades dos candidatos aos cargos eletivos nas eleições de outubro. Mas os marqueteiros dos candidatos ao governo estadual e ao Senado estão ativando suas próprias pesquisas para auscultar perante o eleitorado suas principais necessidades. Um consenso, de Guajará Mirim a Ji-Paraná, de Colorado do Oeste a Ouro Preto do Oeste, são os problemas relacionados à segurança pública e a saúde, áreas que foram verdadeiros calcanhar de Aquiles também dos últimos governadores.
Via Direta
*** Num clima tenso em vista da cassação dos mandatos do governador Antônio Denariun e seu vice que assumiu, Roraima terá eleições suplementares neste domingo, dia 21 *** Será um mandato tampão dos mais curtos, para o governador eleito, pouco mais de seis meses *** Em Rondônia, o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, candidato a governador pela federação União Brasil/ Partido Progressista eleva o tom contra a administração do governador Marcos Rocha, também se colocando na oposição ao governo que aí está *** Caberá como candidato da situação, o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria defender as causas e o legado do atual govenador Marcos Rocha.

[Saiba como o Informa Rondônia seleciona seus colunistas e especialistas convidados]





COMENTÁRIOS:



