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Veritá: Rondônia rejeita Lula e isola Expedito Netto

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Pesquisa revela rejeição recorde ao candidato do PT, atravessando renda, religião, idade e escolaridade, em um estado majoritariamente à direita e crítico ao governo federal

Por Vinicius Canova - quarta-feira, 25/03/2026 - 08h40

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A fotografia que emerge da pesquisa registrada sob o número RO-05454/2026, realizada pelo Instituto Veritá entre os dias 13 e 19 de março, não tem áreas borradas. São 1.220 entrevistas distribuídas por Rondônia, margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de confiança — números técnicos que sustentam um dado político difícil de suavizar: Expedito Netto carrega, hoje, a maior rejeição da disputa pelo Palácio Rio Madeira.

Quando os eleitores são confrontados com a pergunta direta — em quem não votariam de jeito nenhum — o nome do candidato do PT aparece em 62,9% das respostas válidas. Traduzido para o total da amostra, incluindo indecisos, o índice ainda permanece em 54,3%. É um patamar isolado. O segundo colocado nesse ranking negativo, Marcos Rogério (PL), registra 17,9%, menos de um terço. Adailton Fúria (PSD) e Hildon Chaves (PSDB) somam 15,3%, enquanto Léo Moraes (Podemos) e Samuel Costa (Rede) aparecem com rejeições residuais de 2,6% e 1,3%.

Rejeição a Expedito Netto é três vezes maior do que a do segundo colocado, Marcos Rogério / Reprodução

A rejeição a Expedito não se comporta como fenômeno localizado. Ela atravessa o eleitorado com regularidade. Entre homens, 62,2% afirmam não votar no petista em hipótese alguma; entre mulheres, 46,9% — diferença relevante, mas insuficiente para alterar o quadro geral. Em todas as faixas etárias, o padrão se repete: 61,6% entre jovens de 16 a 34 anos; 54,4% entre 35 e 54 anos; 45,0% entre os eleitores acima de 55 anos. Mesmo no grupo mais velho, onde a rejeição recua, Expedito ainda lidera com folga.

A escolaridade não oferece abrigo. Entre quem tem até ensino médio, 52,9% rejeitam o candidato. Entre os que possuem nível superior, o índice sobe para 57,1%. A renda também não altera o desenho: 60,4% de rejeição entre eleitores com mais de cinco salários mínimos; 59,7% entre aqueles na faixa intermediária; 50,9% entre os de menor renda. Nem mesmo o segmento que historicamente responde melhor ao discurso redistributivo do PT escapa. Apenas entre os que não informaram renda o índice cai para 52,0% — ainda o mais alto entre todos os candidatos.

Apesar da rejeição massiva, Expedito Netto aparece em 4º lugar na sondagem estimulada / Reprodução

O recorte religioso adiciona outra camada. Entre evangélicos, 62,7% rejeitam Expedito Netto; entre espíritas, 63,6%; entre católicos, 52,5%. Até entre eleitores sem religião, grupo que tende a maior permeabilidade a candidaturas de esquerda, o petista lidera a rejeição com 46,8%, seguido por Marcos Rogério com 29,8%.

No recorte por cor ou raça, o padrão persiste. Pardos (58,5%), brancos (53,2%) e amarelos (65,7%) apontam o candidato do PT como o nome mais rejeitado. Entre eleitores negros, a rejeição é de 50,0%, ainda a maior, embora com menor distância para Adailton Fúria, que registra 27,5% nesse grupo.

Esse conjunto de dados ganha outro peso quando colocado ao lado da intenção de voto. Na estimulada, Expedito aparece com 10,6%, em quarto lugar. Marcos Rogério lidera com 38,9%, seguido por Léo Moraes (20,2%) e Adailton Fúria (18,8%). Hildon Chaves marca 10,4%, empatado dentro da margem de erro, enquanto Samuel Costa soma 1,1%. A equação é conhecida: alta rejeição combinada com baixo desempenho eleitoral limita o crescimento. O teto fica mais baixo do que o piso já é.

Lula administra de maneira péssima o Brasil para 54,1% dos ouvidos / Reprodução

Na segunda intenção de voto, o isolamento se confirma. Expedito tem 6,6% — a menor taxa entre os nomes com presença relevante. Adailton Fúria lidera com 26,1%, seguido por Léo Moraes com 24,3%. É o tipo de indicador que revela não apenas quem lidera, mas quem consegue circular entre diferentes preferências do eleitorado. O petista, nesse momento, não consegue.

O ambiente político ajuda a explicar o quadro. Rondônia se apresenta como um estado majoritariamente alinhado à direita: 69,4% dos eleitores que responderam preferem candidatos desse campo para a Presidência. Outros 5,0% se posicionam como centro-direita e 3,6% como centro. Centro-esquerda (8,1%) e esquerda (13,8%) somam pouco mais de um quinto do eleitorado. É uma base estruturalmente desfavorável ao PT.

A avaliação do governo Lula reforça esse cenário. Entre os entrevistados, 54,1% classificam a gestão como péssima e 15,6% como ruim — 69,7% de avaliação negativa. As avaliações positivas (ótimo e bom) somam 20,8%. A aprovação direta do presidente é de 24,2%, contra 75,8% de desaprovação. Em um estado onde três em cada quatro eleitores que opinaram rejeitam o governo federal, a marca partidária pesa.

Rondonienses ouvidos desaprovam Lula em mais de 75% / Reprodução

Há ainda o tema da segurança pública, recorrente nas disputas estaduais. Entre os entrevistados, 45,4% afirmam sentir-se inseguros ou muito inseguros onde vivem. Para 49,0%, a sensação de segurança piorou nos últimos quatro anos. No combate às facções e ao narcotráfico, 47,7% avaliam que a situação também piorou. E 70,5% concordam totalmente que grandes facções deveriam ser tratadas como organizações terroristas. Nesse ambiente, discursos de endurecimento ganham tração — e candidaturas associadas a posições mais flexíveis enfrentam resistência adicional.

A pesquisa Veritá não encerra a eleição. Mas entrega um retrato nítido de um eleitorado que, ao ser perguntado quem não quer ver governando Rondônia, responde sem hesitação. Quase dois terços apontam Expedito Netto. E o dado, distribuído com regularidade por praticamente todos os recortes sociais, sugere menos um acidente estatístico e mais um padrão político consolidado.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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