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RESENHA POLÍTICA
“Pode sair humilhado nas urnas”: Rubens Coutinho critica cenário do PT em Rondônia e relata espancamento e prisão no exercício do jornalismo

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Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, jornalista relata histórico de violência, questiona pré-candidatos, aponta força do bolsonarismo e afirma que análises eleitorais incomodam por expor fragilidades reais

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 23/04/2026 - 14h41

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Porto Velho, RO – O jornalista Rubens Coutinho, responsável pelo site Tudo Rondônia, fez uma série de declarações incisivas sobre o cenário político estadual durante participação no podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. A entrevista, gravada em estúdio com patrocínio da CES Brasil e distribuída também por plataformas digitais, TV Rema e Rádio Jovem Pan, concentrou críticas diretas a nomes colocados como pré-candidatos, análises sobre o comportamento do eleitorado e relatos pessoais envolvendo episódios de violência no exercício da profissão.

Logo na primeira parte da conversa, o entrevistado resgatou episódios graves de sua trajetória no jornalismo, afirmando já ter sido alvo de agressões físicas e intimidações. Ele declarou que “já fui vítima de violência, já fui espancado por conta do meu trabalho. Já jogaram bomba na minha casa de madrugada. É de longa data isso”. Em outro momento, relembrou que chegou a ser preso dentro do antigo Fórum Rui Barbosa, após se recusar, junto a outro repórter, a entregar material fotográfico a um juiz. “Nós nos recusamos. E ele mandou nos colocar numa cela. Eu achei um ato de arbítrio”, disse.

Mesmo diante desse histórico, Rubens afirmou que mantém postura crítica, mas com limites definidos. Segundo ele, a crítica direcionada a figuras públicas não se confunde com ataques pessoais. Ao citar o governador de Rondônia, deixou clara essa distinção ao afirmar: “Eu não ataquei o ser humano, o homem, o pai de família Marcos Rocha. Eu faço críticas ao governador, ao político”. A mesma linha, segundo ele, vale para outras autoridades, como o presidente da Assembleia Legislativa.

Ao avançar para o campo eleitoral, o jornalista afirmou que análises políticas são frequentemente mal interpretadas como previsões definitivas, quando, na sua visão, são leituras baseadas em dados concretos. Ele afirmou que projeções consideram fatores como estrutura de campanha, distribuição de cargos, emendas parlamentares e capilaridade política, e não suposições. Nesse ponto, criticou a reação de grupos políticos a esse tipo de análise e disse que isso gera desconforto porque expõe fragilidades. Segundo ele, “não é difícil você fazer esse tipo de projeção política. Isso incomoda as pessoas”.

Ao abordar a disputa pelo Senado, Rubens apontou nomes que, segundo ele, devem ser observados com atenção. Ele citou a deputada Sílvia Cristina como uma candidatura consistente, destacando que ela possui atuação reconhecida, especialmente na área da saúde. Ao mesmo tempo, denunciou o que classificou como tentativa de ataque pessoal contra a parlamentar, ao afirmar que adversários teriam levado sua vida privada para o debate político. “Tentaram fazer uma sacanagem aí com ela, trazendo a questão sexual dela para o debate político”, disse.

Outro nome mencionado foi o de Bruno Bolsonaro, tratado pelo jornalista como um fenômeno eleitoral que não pode ser ignorado. Rubens afirmou que o peso do sobrenome Bolsonaro tem impacto direto no comportamento do eleitorado de Rondônia. Segundo ele, há eleitores que declaram apoio automático apenas pela associação política. “Já ouvi pessoas dizendo o seguinte: eu não quero nem saber, ele é do lado do Bolsonaro, eu estou com ele”, relatou, acrescentando que o candidato “pode vir a ganhar a eleição para o Senado”.

Sobre o ex-secretário de Saúde Fernando Máximo, Rubens trouxe uma crítica marcada por experiência pessoal. Ele relembrou um episódio envolvendo um áudio que teria sido divulgado na época em que Máximo ocupava o cargo. “Eu vi e publiquei na época um áudio dele… uma pessoa desesperada pedindo ajuda… e a resposta dele… foi que não podia ficar cuidando de paciente por paciente”, afirmou, acrescentando que o caso terminou com a morte do paciente. O jornalista reconheceu que esse episódio influencia sua percepção política sobre o nome.

Na análise do Governo de Rondônia, Rubens mencionou o senador Marcos Rogério como um dos nomes fortes, mas fez ressalvas quanto à postura política. Ele afirmou observar sinais de comportamento semelhante ao que, segundo ele, ocorreu em 2022. “Eu vejo o Marcos Rogério repetindo alguns erros que ele teve em 2022, a soberba, tipo um sentimento de já ganhou”, disse. Ainda assim, reconheceu que o senador possui preparo para o debate político e forte identificação com o eleitorado conservador.

Sobre Hildon Chaves, o jornalista classificou a candidatura como uma incógnita, mas com grande potencial eleitoral, especialmente pelo peso político da capital. Já em relação a Fúria, identificado como candidato ligado ao atual grupo de governo, apontou fragilidade na estratégia de comunicação. Segundo ele, a ideia de continuidade administrativa pode não ser bem recebida após um ciclo prolongado. “O Fúria é a continuidade do meu governo. Eu não acho isso um bom discurso”, afirmou, referindo-se à associação com a gestão Marcos Rocha.

No campo da esquerda, as declarações foram ainda mais contundentes. Rubens afirmou que o ex-deputado Expedito Netto não teria viabilidade eleitoral para o governo estadual. “Eu posso afirmar com 100% de certeza… o Expedito Netto… corre o risco até de ser humilhado nas urnas”, declarou. Ele também explicou que sua análise leva em conta o histórico eleitoral do estado e a dificuldade da esquerda em consolidar candidaturas competitivas.

Na mesma linha, citou o advogado Samuel Costa como um nome que enfrenta resistência dentro do próprio campo progressista. Segundo Rubens, apesar de atuar na defesa do presidente Lula nos últimos anos, Samuel é alvo de rejeição e deboche. “O povo não gosta dele. Trata ele com deboche, com desdém”, afirmou, destacando, no entanto, que se trata de “um sujeito inteligente” e com formação sólida.

Outro ponto levantado na entrevista foi a força do bolsonarismo em Rondônia e o comportamento do eleitorado. Rubens afirmou que existe uma rejeição consolidada ao PT e ao presidente Lula, classificando o fenômeno como algo pessoal e resistente a mudanças. “Há uma algeriza, há um ódio de boa parte do eleitor contra o PT, contra o Lula. É algo pessoal, é um fenômeno esse ódio”, disse. Ele também destacou que esse cenário favorece candidatos associados ao campo conservador.

O jornalista ainda chamou atenção para um movimento que considera contraditório: o apoio de pessoas economicamente vulneráveis a discursos contrários a políticas assistenciais. Segundo ele, há crescimento de posicionamentos críticos ao Bolsa Família entre beneficiários ou potenciais beneficiários. “Você vai ver muitas pessoas pobres falando contra o Bolsa Família nas redes sociais”, afirmou.

Na parte final da entrevista, o tom da conversa se desloca para aspectos mais analíticos e históricos. Rubens argumentou que Rondônia tem sido governada, ao longo das décadas, por gestores que classificou como “gerentes”, e não por lideranças com projetos estruturantes. Segundo ele, as administrações se diferenciam mais pelo estilo do que por transformações profundas.

Ao comentar a capital, Porto Velho, ele avaliou gestões anteriores e destacou que problemas estruturais, como alagamentos, têm raízes históricas. Citou características geográficas da cidade, construída sobre áreas de igarapés e lagoas aterradas, para afirmar que soluções rápidas seriam inviáveis. Nesse contexto, criticou declarações do atual prefeito sobre resolver enchentes em curto prazo.

Encerrando a entrevista, Robson Oliveira convidou o jornalista para retornar ao programa durante o período eleitoral, com o objetivo de analisar dados mais consolidados e discutir cenários a partir de pesquisas registradas. Rubens aceitou o convite e reforçou a importância de trabalhar com fatos concretos, afirmando que projeções são instrumentos de leitura política, não previsões definitivas.

10 FRASES DE RUBENS COUTINHO AO RESENHA POLÍTICA

01) “Já fui vítima de violência, já fui espancado por conta do meu trabalho. Já jogaram bomba na minha casa de madrugada.”

Relato feito ao responder sobre riscos enfrentados no exercício da profissão, ao longo de sua trajetória no jornalismo.

02) “Nós nos recusamos. E ele mandou nos colocar numa cela. Eu achei um ato de arbítrio.”

Declaração sobre episódio ocorrido no Fórum Rui Barbosa, quando foi preso após se negar a entregar material fotográfico a um juiz.

03) “Eu não ataquei o ser humano, o homem, o pai de família Marcos Rocha. Eu faço críticas ao governador, ao político.”

Explicação sobre o limite que estabelece entre crítica pública e ataques pessoais.

04) “Não é difícil você fazer esse tipo de projeção política. Isso incomoda as pessoas.”

Comentário ao justificar que análises eleitorais são baseadas em dados objetivos e geram reações negativas.

05) “Tentaram fazer uma sacanagem aí com ela, trazendo a questão sexual dela para o debate político.”

Referência ao que classificou como ataques contra a deputada Sílvia Cristina.

06)  “Eu não quero nem saber, ele é do lado do Bolsonaro, eu estou com ele.”

Relato de fala de eleitores para ilustrar o peso do sobrenome Bolsonaro em Rondônia.

07)  “Eu vejo o Marcos Rogério repetindo alguns erros que ele teve em 2022, a soberba, tipo um sentimento de já ganhou.”

Avaliação crítica sobre o comportamento político do senador.

08)  “Eu posso afirmar com 100% de certeza… o Expedito Netto… corre o risco até de ser humilhado nas urnas.”

Projeção feita sobre o desempenho eleitoral do ex-deputado no cenário estadual.

09)  “O povo não gosta dele. Trata ele com deboche, com desdém.”

Comentário sobre a recepção do nome de Samuel Costa entre eleitores e setores políticos.

10) “Há uma algeriza, há um ódio de boa parte do eleitor contra o PT, contra o Lula. É algo pessoal, é um fenômeno esse ódio.”

Análise sobre o comportamento do eleitorado rondoniense em relação ao campo político nacional.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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