Parlamentares do PSOL pedem investigação sobre negociação bilionária em Minaçu e apontam possível risco à soberania econômica
Porto Velho, RO – A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada por deputados federais do PSOL para avaliar a anulação da venda da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (GO), após a negociação bilionária com a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR). O pedido inclui a adoção de medidas imediatas para suspender todos os atos relacionados ao negócio, abrangendo contratos, pagamentos e acordos firmados.
A transação foi anunciada no dia 20 e envolve um valor estimado em cerca de US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde atua na extração de terras raras e opera a mina de Pela Ema, considerada a única de argilas iônicas em atividade no Brasil desde 2024. A empresa também se destaca por produzir fora da Ásia quatro dos elementos mais críticos e valiosos desse mercado: disprósio, térbio e ítrio. Atualmente, mais de 90% da produção global desses materiais está concentrada na China.
Os deputados Sâmia Bomfim (SP), Glauber Braga (RJ) e Fernanda Melchionna (RS), responsáveis pela representação, solicitaram a abertura de investigações nas esferas civil e criminal. Segundo o documento, deve ser apurado se houve ameaça à soberania econômica do país e se procedimentos adotados pelo governo de Goiás favoreceram a exportação de terras raras. Também foi requerida a análise da conduta do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) por possível extrapolação de competências constitucionais.
No mesmo pedido, foi indicado que a PGR avalie a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para declarar a nulidade dos atos relacionados à operação. Os parlamentares apontam que pode ter ocorrido invasão de competência da União em áreas como mineração e relações internacionais.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
Os materiais extraídos pela Serra Verde são considerados estratégicos por sua aplicação em setores industriais e tecnológicos, incluindo a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, drones, sistemas de defesa, semicondutores e equipamentos aeroespaciais e nucleares.
De acordo com a mineradora, a negociação abre caminho para a formação de uma das maiores empresas globais do setor. A operação em Goiás encontra-se na fase inicial, com previsão de ampliação da capacidade produtiva até 2030.
A reportagem não obteve retorno da assessoria de imprensa do governo de Goiás sobre o conteúdo da representação. O espaço permanece disponível para manifestação.
Com informações de: Agência Brasil
