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SÉTIMA ARTE
Curta “Destino da Pele” estreia em Porto Velho e leva debate sobre racismo e memória para festivais nacionais

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Produção dirigida por Marcela Bonfim foi lançada na Mostra Amazônia Negra e retrata reencontro marcado por violência racial e reconstrução pessoal

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 30/04/2026 - 16h12

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Porto Velho, RO – O curta-metragem “Destino da Pele”, filmado no Vale do Guaporé, começou sua circulação por festivais de cinema em todo o país após ser apresentado na Mostra Amazônia Negra, em Porto Velho. A obra, com cerca de 15 minutos de duração e inspirada em fatos reais, utiliza o território amazônico e suas referências históricas para construir uma narrativa centrada na memória, na violência racial e nos processos de reconstrução.

Ambientado em Guajará-Mirim, município de fronteira marcado pelo encontro de culturas e tradições, o filme acompanha a trajetória de Tereza, mulher negra retinta que atua como benzedeira e liderança espiritual em sua comunidade. Conhecida por acolher moradores em busca de proteção, cura e orientação, a personagem tem sua rotina alterada ao se deparar com um visitante inesperado.

Durante um atendimento, Tereza reencontra um antigo colega de infância, responsável por episódios de racismo que marcaram sua trajetória escolar. A situação faz emergir lembranças associadas à exclusão e ao preconceito vividos na infância, rompendo um silêncio mantido por décadas. O reencontro conduz a narrativa para o confronto direto com essas experiências, sem oferecer resolução imediata.

Interpretada por Agrael de Jesus, a protagonista divide cena com Haroldo Saraiva, que interpreta Joaquim. A dinâmica entre os personagens estrutura uma narrativa que se desenvolve a partir da revisitação do passado, colocando em evidência marcas deixadas pelo racismo estrutural e pelo preconceito fenotípico.

A produção também incorpora elementos culturais da região, como práticas de fé, uso de ervas e rituais tradicionais, integrando esses aspectos à construção da personagem e ao ambiente em que a história se desenvolve. Moradores de Guajará-Mirim participaram como figurantes, reforçando a relação entre a obra e o território onde foi filmada.

O Vale do Guaporé, cenário das gravações, é historicamente associado à presença de populações negras desde o período do Forte Príncipe da Beira, além dos ciclos econômicos da borracha e do ouro. Esses elementos compõem o pano de fundo que sustenta a narrativa.

A diretora e idealizadora do projeto, Marcela Bonfim, afirma que o filme propõe o cinema como instrumento de escuta e transformação. Segundo ela, trata-se de “um filme que não apenas conta uma história”, mas que percorre memórias e sentimentos, buscando apresentar caminhos de reconstrução a partir da experiência vivida.

Mais do que registrar um reencontro, “Destino da Pele” estrutura sua narrativa em torno da exposição de cicatrizes e da possibilidade de ressignificação, utilizando a memória como eixo central para abordar experiências compartilhadas por mulheres negras em diferentes contextos.

Com informações de: Assessoria / Camila Lima

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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