Pré-candidato do PSB apresentou propostas para tributação das exportações, agricultura familiar e serviços públicos; participação recebeu avaliações de jornalistas e analistas políticos
Porto Velho, RO – A interrupção da transmissão da fala de Samuel Costa (PSB) pela TV Super de Cacoal marcou a participação do pré-candidato ao Governo de Rondônia na 3ª Marcha de Vereadores, realizada pela Associação Brasileira de Câmaras Municipais (ABRACAM), em parceria com a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Cacoal. Segundo Costa, o corte ocorreu no momento em que ele questionava os incentivos fiscais concedidos ao setor da soja no estado.
O encontro reuniu sete pré-candidatos ao Palácio Rio Madeira, além de vereadores, prefeitos, lideranças políticas e representantes da sociedade civil. Durante a exposição, Samuel Costa apresentou propostas relacionadas à administração pública, ao desenvolvimento econômico e à prestação de serviços pelo Estado.
Entre as medidas defendidas pelo pré-candidato está a criação de um fundo soberano financiado por meio de tributação gradual sobre as exportações de soja. Ele também propôs ampliar os investimentos na agricultura familiar, fortalecer a realização de concursos públicos, valorizar as forças de segurança e combater a terceirização das atividades-fim na área da saúde.
Na educação, Costa defendeu a adoção de uma política inspirada no modelo cearense. A apresentação ainda incluiu propostas direcionadas à proteção de mulheres, idosos e pessoas neurodivergentes.
Ao tratar da política tributária aplicada ao agronegócio, o pré-candidato criticou o que chamou de “baronato da soja”. De acordo com Samuel Costa, grandes produtores recebem benefícios fiscais enquanto trabalhadores, pequenos agricultores, comerciantes e empresários permanecem submetidos ao pagamento regular de impostos.
“Chega de manter privilégios de um grupelho enquanto o povo sofre”, declarou. Na sequência, questionou os efeitos do crescimento econômico quando a riqueza, segundo sua avaliação, permanece concentrada em uma parcela reduzida da população.
Costa relacionou a concessão das isenções às dificuldades enfrentadas pelo Estado em setores como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. Também sustentou que a agricultura familiar e os pequenos produtores rurais recebem menos apoio governamental do que os grandes empreendimentos do agronegócio.
Após o evento, o pré-candidato publicou uma manifestação nas redes sociais e classificou a suspensão da transmissão como censura. Ele afirmou que o corte teria ocorrido exatamente quando denunciava a isenção tributária concedida ao setor da soja em Rondônia.
“Censura não vai nos calar”, escreveu. Samuel Costa também declarou que um grupo restrito de sojicultores seria beneficiado por isenções bilionárias há décadas e afirmou que não pretende recuar das críticas ao modelo tributário adotado no estado.
Para o pré-candidato, uma revisão dos incentivos econômicos poderia direcionar recursos para políticas públicas. Ele defendeu que os benefícios priorizem setores capazes de promover desenvolvimento acompanhado de distribuição de renda e fortalecimento da produção familiar.
A participação de Samuel Costa também recebeu avaliações de jornalistas, analistas políticos e representantes de entidades de comunicação. As manifestações destacaram a apresentação de propostas, o uso de dados públicos e a recepção obtida diante de uma plateia descrita como majoritariamente alinhada a pautas conservadoras.
O analista político Herbert Lins afirmou que Costa apresentou as propostas com desenvoltura e conseguiu receber aplausos do público presente. Segundo Lins, o pré-candidato, apesar de ser defensor do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu momentaneamente superar as divergências ideológicas existentes na plateia.
A repercussão também foi abordada pelo jornalista Vinícius Canova, do portal Informa Rondônia, ao comentar a cobertura publicada pelo site Rondônia Dinâmica. A avaliação ressaltou que Samuel Costa apresentou propostas sobre tributação da soja, fortalecimento dos serviços públicos e enfrentamento das desigualdades sociais.
Rubens Coutinho, apontado no material como um dos decanos da imprensa de Rondônia, destacou a objetividade da exposição, o domínio de dados públicos e o conhecimento demonstrado pelo pré-candidato sobre gestão administrativa e orçamento governamental.
O editor-chefe do portal PVH24Horas, João Paulo Prudêncio, avaliou que Costa foi o único participante a apresentar conteúdo programático durante o evento. Para o jornalista, os demais pré-candidatos fizeram discursos genéricos e não apresentaram propostas consideradas factíveis.
“Samuel Costa foi o único pré-candidato que apresentou, efetivamente, um conteúdo programático”, afirmou Prudêncio.
Também houve manifestação do presidente nacional da Federação Nacional dos Comunicadores (FENACOM), Fábio Camilo. Ele destacou a capacidade de articulação de Samuel Costa diante de um público politicamente diverso e afirmou ter presenciado elogios feitos até mesmo por apoiadores mais identificados com o bolsonarismo.
“Não prometeu nada e entregou tudo”, declarou Camilo ao avaliar a apresentação.
Chico Holanda, analista político e presidente estadual da FENACOM em Rondônia, mencionou as informações apresentadas por Costa sobre a previdência do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Rondônia (Iperon) e sobre o orçamento governamental. Segundo Holanda, o pré-candidato demonstrou domínio dos números e disposição para tratar de problemas estruturais da administração pública.
Apesar das avaliações positivas publicadas após o encontro, a principal controvérsia permaneceu relacionada à interrupção da transmissão. Até o momento mencionado nos materiais, a TV Super de Cacoal não havia apresentado manifestação pública sobre a acusação de censura. A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Rondônia (Aprosoja Rondônia) também não havia divulgado posicionamento oficial sobre as declarações feitas por Samuel Costa.
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