Pré-candidata ao Senado pelo PT afirmou no Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, que não recua em suas posições, defendeu o STF, apontou omissão de Marcos Rocha sobre feminicídio e disse que candidatura de Expedito Netto é “fundamental” para defender Lula em Rondônia
Porto Velho, RO – A jornalista Luciana Oliveira, pré-candidata ao Senado pelo PT em Rondônia, afirmou durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, que não se sentiu confortável ao gravar vídeo ao lado de Expedito Netto, ex-deputado federal e atual pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo partido. A declaração foi feita após Robson perguntar se havia sido difícil aparecer ao lado de um político oriundo de partido de direita, recém-integrado ao PT e escolhido para disputar o governo estadual.
Luciana respondeu que a situação não foi difícil, mas admitiu desconforto. “Difícil não, não fui confortável. Eu sou franca, eu não estava confortável”, declarou. Em seguida, afirmou que passou a compreender o movimento da direção nacional do partido na eleição e classificou a disputa como mais dura do que outras enfrentadas por Lula. Segundo ela, a eleição “não é mais uma eleição qualquer” e “é uma guerra”.
A pré-candidata disse que, apesar da estranheza inicial com Expedito Netto, considera a candidatura dele importante para a estratégia petista em Rondônia. Ela mencionou que o ex-deputado não é militante histórico do PT, mas afirmou ter observado pontos positivos na atuação dele. Ao tratar do voto de Expedito Netto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Luciana não negou o episódio, mas relativizou a possibilidade de transformar esse fato em impedimento absoluto para alianças políticas. “Mas se a gente for crucificar todo mundo que votou no impeachment… a minha casa inteira cairia. Minha família eu teria que mandar fuzilar. Meus amigos… Então, assim, a história é cíclica, sabe? Ela não é reta, em linha reta. As coisas mudam, a compreensão muda”, afirmou.
A entrevistada declarou ainda que Expedito Netto tem “coragem” por entrar em uma legenda cuja militância, segundo ela, ainda demonstra estranhamento e desconfiança em relação ao seu nome. Na avaliação apresentada por Luciana durante a entrevista, o pré-candidato ao governo tem feito a defesa do governo Lula em Rondônia. “Eu diria que o Neto, a candidatura dele é fundamental nessa disputa. Eu acho que ele é um jovem articulado, corajoso, para fazer a defesa do governo Lula aqui”, disse.
Outro ponto de forte confronto político ocorreu quando Luciana falou sobre o agronegócio em Rondônia. Questionada por Robson Oliveira sobre como lidaria com um setor que, segundo o apresentador, critica políticas governamentais, especialmente na área ambiental, a pré-candidata afirmou não entender a reclamação do agro rondoniense contra o governo Lula. Ela citou Plano Safra, crédito, custeio, investimento e regularização fundiária como exemplos de ações federais.
“É curioso, né? Eu não sei do que o agro reclama do governo Lula. Eu não entendo porque o agro de Rondônia reclama do governo Lula. Gente, nós saímos de um Plano Safra de 250 bilhões para crédito, de investimento e custeio para vários agricultores, para o dobro disso com o governo Lula”, declarou Luciana, acrescentando que o governo estaria entregando mais de mil títulos de regularização fundiária em Rondônia nos próximos meses e que participou da entrega de 290 em Paraná.
Na sequência, a pré-candidata fez uma acusação direta ao bolsonarismo na relação com o agronegócio. Segundo ela, políticos ligados a esse campo estariam usando o setor como instrumento eleitoral. “O que o bolsonarismo está fazendo com o agronegócio de Rondônia é danoso, é nocivo. Ele está mentindo para o agronegócio. Ele está vendendo uma mentira”, afirmou. Luciana também declarou que políticos que fazem do tema uma alavanca eleitoral estariam interessados em permanecer no mandato, não no produtor rural, no meio ambiente ou no futuro do planeta.
Ao tratar de meio ambiente, Luciana afirmou que Rondônia terá de discutir desenvolvimento sustentável, economia verde, descarbonização, justiça climática e adaptação energética. A pré-candidata disse ter participado da cobertura da COP30 e ouvido, durante 20 dias, mais de 190 líderes de nações. Segundo ela, o mundo inteiro discute a crise climática, inclusive países petroleiros.
A entrevista também teve críticas à bancada de Rondônia no Senado. Luciana afirmou que, com exceção do senador Confúcio Moura, os senadores rondonienses teriam seguido um padrão de votação em temas ambientais. Ela acusou a bancada de votar sem postura crítica e com o objetivo de agradar um eleitorado que, segundo sua fala, seria manipulado. “Eles votaram igual, sem nenhuma postura crítica, sem nenhuma responsabilidade, unicamente com o intuito de agradar um eleitorado que por eles é manipulado”, disse.
Robson Oliveira confrontou Luciana com a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio durante governos do PT, apontando possível contradição entre a defesa ambiental e empreendimentos de grande impacto. A pré-candidata respondeu que o governo deve responder por suas decisões, mas afirmou manter críticas a determinados projetos. Ela citou as hidrelétricas em Rondônia e a exploração da Foz do Amazonas como temas sensíveis sobre os quais mantém postura crítica.
“Se há incoerência do governo, há o governo que responda por isso. De onde eu me encontro, pela minha coerência, eu sou crítica e mantenho as críticas com relação a alguns empreendimentos. Eu, Luciana. Esse aí é um deles. A exploração da Foz do Amazonas, por exemplo”, afirmou. Ao mesmo tempo, ela disse que o debate precisa considerar soberania energética e que o Brasil busca proteger sua matriz energética.
A pré-candidata também fez críticas a Marcos Rocha. Ao falar sobre polarização, disse que pretende trabalhar com fatos durante a campanha e citou obras e investimentos federais atribuídos ao governo Lula em Rondônia. Entre os exemplos mencionados, citou o novo PAC, hospital, IFRO, teatro universitário, primeiro hospital universitário, ponte binacional e obras de pontes em Guajará-Mirim. Ela também mencionou uma crítica ao governador por suposta recusa em aderir a um plano para reduzir o preço do diesel.
Em outro momento, Luciana afirmou que Rondônia registrou 128 feminicídios entre 2016 e 2025. A pré-candidata vinculou o tema à postura do governador Marcos Rocha e disse que o Plano Nacional de Prevenção ao Feminicídio de 2023 só teria sido assinado pelo governador em março, após o assassinato da professora Juliana, que gerou clamor social. Ela também afirmou que o governador ainda não teria aderido a um pacto entre os Poderes contra o feminicídio, mencionado por ela como uma iniciativa proposta por Lula, e disse que a deputada Cláudia de Jesus estaria cobrando a adesão por requerimento.
A relação com o Supremo Tribunal Federal também foi abordada na entrevista. Robson Oliveira perguntou qual seria a posição de Luciana diante dos ataques ao STF feitos por pré-candidatos de direita ao Senado, que, segundo ele, defendem cassar ministros ou alterar a composição da Corte. A pré-candidata respondeu que os ataques de senadores bolsonaristas ao Supremo seriam “puramente politiqueiros” e “eleitoreiros”.
Luciana afirmou que, do ponto de vista dela, o STF teve papel importante ao impedir a tentativa de golpe relacionada ao 8 de janeiro. Também lembrou episódios envolvendo Lula, Dilma Rousseff, a OAB e o ex-juiz Sergio Moro. Segundo ela, setores que hoje criticam abusos do Supremo não teriam demonstrado a mesma preocupação em momentos anteriores que atingiram o PT. “Do meu ponto de vista, o STF fez um bem por impedir o golpe, a tentativa de golpe desse exército do 8 de janeiro”, declarou.
Ao tratar do antipetismo, Luciana reconheceu que o PT e o presidente Lula cometeram erros. Ela disse que negar falhas seria uma forma de alienação semelhante à de quem chama Jair Bolsonaro de “mito”. “Se eu disser que o PT e que o presidente Lula não cometem nenhum erro, eu sou completamente alienada, como as pessoas que chamam um sujeito como o Bolsonaro de mito. Não, eu reconheço que o presidente Lula errou em vários momentos. Inclusive, quando ele se anima muito, ele fala muita besteira, eu reconheço isso”, afirmou.
Apesar disso, ela sustentou que tais erros não anulam o significado político de Lula. Em seguida, disse que, se a direção nacional, a direção estadual ou o próprio Lula pedissem sua retirada da disputa ao Senado em nome de uma estratégia maior, ela sairia imediatamente. “Se o Lula falar pra mim… se a direção nacional ou a direção estadual chegar pra mim, Luciana, a sua candidatura é maravilhosa, mas para o presidente Lula, para o governo, pra proteger a democracia, pra gente não perder essa eleição, você tem que sair? Eu saio na hora”, declarou.
A pré-candidata também foi questionada sobre sua disposição para enfrentar uma campanha em um estado que Robson descreveu como hostil a discursos diretos de esquerda. Luciana respondeu que está preparada e disse ter “couro de jacaré”. Ela afirmou que não pretende investir em polarização ideológica, mas em fatos sobre entregas do governo Lula em Rondônia. “Eu não vou investir em polarização ideológica. Eu quero fatos”, disse.
No campo ideológico, Luciana respondeu a uma coluna de Robson Oliveira em que foi descrita como pouco flexível e a mais ideológica entre pré-candidaturas. Ela disse ter sido provocada pelo texto e afirmou que, sob a ótica de Paulo Freire, todos têm uma base ideológica. A pré-candidata afirmou ser ideológica, mas de uma base que classificou como inclusiva. Disse conviver com pessoas de bases diferentes, mas não com o extremismo que, em sua avaliação, causa dano à sociedade e à humanidade.
A entrevistada citou a vereadora Sofia Andrade como exemplo de atuação legislativa que, segundo ela, seria prejudicada por extremismo ideológico. Luciana afirmou que Sofia teria um projeto a ser apreciado em breve, descrito por ela como uma proposta para “ajudar os pobres a vazarem daqui, sair da cidade”. A pré-candidata disse que esse seria um exemplo de extremismo prejudicial.
No mesmo trecho, Luciana afirmou que está aberta ao diálogo com diferentes setores, mas estabeleceu limites. Citou o ex-prefeito Hildon Chaves, a quem disse ter criticado intensamente em campanha, mas com quem convive e conversa. Em contraste, mencionou o coronel Crisóstomo ao dizer que não vê diálogo possível com propostas que classifica como maldade, desumanidade ou estupidez.
Na parte final da entrevista, Robson Oliveira abordou temas ligados à trajetória pessoal e profissional de Luciana. A pré-candidata mencionou sua atuação como jornalista em mídia alternativa, seu trabalho em territórios de difícil acesso, povos não ouvidos, invisibilizados ou perseguidos, além de sua participação na cultura popular. Ela citou o bloco Pirar o Cu do Madeira, com 32 anos de existência e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Porto Velho.
Luciana também relatou uma ação ambiental ligada ao bloco, com plantio de 6 mil mudas em parceria com a Ecoporé. Segundo ela, a ação transformou a quantidade de foliões em mudas plantadas. Ao falar de sua trajetória, disse que tudo em sua vida é luta, incluindo jornalismo, cultura popular, defesa das mulheres e meio ambiente.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
A pré-candidata afirmou que sua entrada na disputa ao Senado rompeu uma “bolha interna” no PT, por se tratar de uma militante de base, sem poder econômico ou mandato. Disse que o movimento teria dado ânimo à militância e relatou ter recebido mensagens de apoio de várias regiões do estado. Também afirmou ter ganhado mais de 1.200 seguidores em uma semana após a repercussão da pré-candidatura.
Luciana contou ainda que já foi censurada ao vivo em uma rádio ao defender a tese de golpe contra Dilma Rousseff. Segundo ela, após esse episódio, passou a atuar no Brasil 247, depois na EBC, onde disse ter sido a mais votada do país para assumir um comitê de participação pela diversidade e inclusão. A pré-candidata também afirmou que poderá ir à China durante a pré-campanha e disse não ver prejuízo na viagem, pois a China é o maior parceiro comercial de Rondônia.
Robson Oliveira encerrou a entrevista agradecendo a presença da pré-candidata e antecipando convite para nova participação, possivelmente após as convenções, com temas como cultura, questão da mulher, questão indígena, mineração e garimpo. Luciana afirmou ter se sentido à vontade e agradeceu o espaço.
10 FRASES DE LUCIANA OLIVEIRA AO RESENHA POLÍTICA
01) “Difícil não, não fui confortável. Eu sou franca, eu não estava confortável.”
Luciana Oliveira respondeu assim ao ser questionada por Robson Oliveira sobre a gravação de vídeo ao lado de Expedito Netto, ex-deputado de origem política fora da militância petista e pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PT.
02) “Eu diria que o Neto, a candidatura dele é fundamental nessa disputa.”
A pré-candidata afirmou que, apesar da estranheza interna no PT, considera Expedito Netto importante para a defesa do governo Lula em Rondônia.
03) “Se o Lula falar pra mim… você tem que sair? Eu saio na hora.”
Luciana disse que retiraria sua pré-candidatura ao Senado caso Lula, a direção nacional ou a direção estadual do PT entendessem que a saída seria necessária para proteger a estratégia eleitoral.
04) “Eu não entendo porque o agro de Rondônia reclama do governo Lula.”
A fala foi feita durante discussão sobre agronegócio, meio ambiente e políticas federais para crédito, custeio, investimento e regularização fundiária.
05) “O que o bolsonarismo está fazendo com o agronegócio de Rondônia é danoso, é nocivo.”
Luciana acusou o bolsonarismo de vender uma narrativa falsa ao setor rural e de usar o agronegócio como alavanca eleitoral.
06) “Eles votaram igual, sem nenhuma postura crítica, sem nenhuma responsabilidade.”
A declaração foi dirigida à bancada de Rondônia no Senado, em trecho no qual Luciana criticou votos relacionados a temas ambientais e povos originários, ressalvando Confúcio Moura.
07) “Se há incoerência do governo, há o governo que responda por isso.”
A frase foi usada quando Robson Oliveira perguntou sobre possíveis contradições entre a defesa ambiental do PT e a construção das usinas de Jirau e Santo Antônio em Rondônia.
08) “Do meu ponto de vista, o STF fez um bem por impedir o golpe.”
Luciana respondeu assim ao falar sobre ataques bolsonaristas ao Supremo Tribunal Federal e sobre os atos de 8 de janeiro.
09) “Se eu disser que o PT e que o presidente Lula não cometem nenhum erro, eu sou completamente alienada.”
A pré-candidata reconheceu erros do PT e de Lula ao responder sobre antipetismo e críticas ao partido.
10) “Eu tenho um couro de jacaré. Pode vir para cima.”
A declaração foi feita quando Robson perguntou se Luciana estava preparada para enfrentar uma campanha em Rondônia mantendo posições políticas diretas e sem recuo.
