Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

CONDENAÇÃO
Homem é condenado a mais de 111 anos por chacina de quatro pessoas da mesma família em Guajará-Mirim

🛠️ Acessibilidade:

Julgamento realizado pelo Tribunal do Júri de Guajará-Mirim ocorreu à revelia, já que o réu está foragido desde 2016; crime aconteceu em 2013 e teve grande repercussão em Rondônia

Por Yan Simon - quarta-feira, 06/05/2026 - 09h35

Compartilhe
16 compartilhamentos
Facebook Instagram WhatsApp X

Porto Velho, RO – Após mais de 10 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Guajará-Mirim condenou Tanus dos Santos a 111 anos e dois meses de prisão pelo assassinato de quatro integrantes da mesma família. O julgamento ocorreu na segunda-feira (4) e foi realizado à revelia, já que o condenado permanece foragido desde abril de 2016, quando escapou do presídio Pandinha, em Porto Velho.

A sessão foi presidida pelo juiz Renan Kirihata. Na acusação atuaram os promotores de Justiça Luciano Aquino Rodrigues e Marcus Alexandre de Oliveira Rodrigues. A defesa foi conduzida pelos defensores públicos Pedro Graziel Filgueira Peixoto e Gabriel Rabi Mendes Chaves. Ao final dos debates, o Conselho de Sentença reconheceu a autoria dos crimes e definiu a pena superior a 111 anos de reclusão.

A chacina ocorreu em 30 de dezembro de 2013, no bairro Santa Luzia, em Guajará-Mirim. As vítimas foram Luciene de Almeida, de 28 anos; os filhos dela, Renato Almeida Paiva, de 5 anos, e Elizandro Almeida Lima Tavares, de 15 anos; além do irmão da mulher, Jokley Lima Brito, de 20 anos, que chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois.

Segundo as investigações, todas as vítimas foram atingidas por tiros na cabeça. Na época, Tanus mantinha relacionamento com Luciene e, conforme apontou o inquérito, já havia episódios anteriores de agressão. De acordo com a denúncia, o acusado estava sob efeito de bebida alcoólica e cocaína no dia do crime.

Ainda conforme as apurações, Luciene e o filho mais novo foram mortos dentro da residência. Antes dos assassinatos, a mulher teria sido obrigada pelo acusado a telefonar para a mãe pedindo que o irmão e o outro filho fossem até o imóvel. Quando chegaram ao local, ambos foram surpreendidos e baleados.

Durante o julgamento, o promotor Marcus Alexandre de Oliveira explicou que o crime ocorreu antes da criação da tipificação de feminicídio na legislação brasileira. Os jurados reconheceram homicídio qualificado, além de circunstâncias agravantes, como motivo fútil e o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. Também houve aumento de pena pela presença de criança entre os mortos.

Pelas mortes de Luciene e Renato, a condenação foi fixada em 29 anos e seis meses de prisão para cada vítima. Já pelos assassinatos de Jokley e Elizandro, a pena aplicada foi de 25 anos e seis meses em cada caso. A Justiça também considerou que a morte de Jokley ocorreu para ocultar os demais homicídios.

O caso provocou forte repercussão em Rondônia na época dos fatos. Após a prisão do acusado, houve tentativa de invasão à delegacia da cidade. Posteriormente, ele foi transferido para unidades prisionais de Nova Mamoré e Porto Velho, até fugir em 2016. Atualmente, o nome dele consta na lista de difusão vermelha da Interpol.

Familiares das vítimas acompanharam o julgamento e demonstraram emoção após a leitura da sentença. Segundo relatos apresentados no processo, a motivação do crime teria sido ciúmes.

Com informações de: Ministério Público de Rondônia, Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





COMENTÁRIOS: