Entre terapias, desafios diários e pequenas conquistas, Luana Oliveira relata a resistência vivida na maternidade atípica ao lado do filho Isaque, de 9 anos
Porto Velho, RO – A rotina de Luana Oliveira é marcada por deslocamentos, terapias e cuidados constantes com o filho Isaque Oliveira, de 9 anos, diagnosticado com autismo. Em Porto Velho, a mãe atípica divide os dias entre o acompanhamento do menino e a necessidade de enfrentar dificuldades para garantir atendimento e direitos básicos à criança.
Segundo Luana, as manhãs começam cedo e seguem até o meio-dia entre consultas e atividades terapêuticas. Ela afirma que o acesso aos atendimentos ainda exige insistência frequente das famílias.
“Normalmente a gente não consegue atendimento sem precisar lutar pelos direitos da criança”, relatou.
Mesmo em meio ao desgaste emocional e físico, os avanços do filho se transformam em motivo de comemoração dentro de casa. Isaque é não verbal, mas recentemente passou a pronunciar algumas palavras, o que trouxe emoção à mãe.
Ela contou que cada tentativa de comunicação do menino representa uma conquista importante para a família. “Quando ele solta algumas palavrinhas, isso me deixa muito feliz”, afirmou.
A maternidade, segundo Luana, provocou mudanças profundas em sua vida. Além do diagnóstico do filho, ela também recebeu, em 2021, o diagnóstico de autismo, iniciando um processo de adaptação pessoal e de compreensão sobre a própria condição.
Ao falar sobre a trajetória, definiu a caminhada como um exercício permanente de resistência. Luana explicou que, após descobrir o próprio diagnóstico, passou por um período de luto interno, mas destacou que a prioridade sempre foi o bem-estar do filho.
Prematuro, Isaque iniciou terapias ainda nos primeiros anos de vida. Desde então, a mãe passou a estudar sobre o transtorno para compreender melhor as necessidades da criança e aprimorar os cuidados dentro de casa.
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“Não é só viver a prática. A gente precisa entender, estudar, conhecer para conseguir cuidar melhor”, disse.
A convivência diária também exige controle emocional constante. Como ambos são autistas, Luana afirma que precisa manter equilíbrio durante as crises do filho para conseguir acolhê-lo adequadamente.
“Ser mãe atípica é um turbilhão”, resumiu.
O vínculo construído ao longo da rotina aparece nos detalhes do cotidiano, como o acompanhamento às terapias, a atenção permanente e o cuidado contínuo dedicado ao menino.
Durante homenagem ao Dia das Mães, o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, afirmou que políticas públicas voltadas às famílias atípicas precisam ser fortalecidas no município. Segundo ele, o objetivo é ampliar o acolhimento e garantir maior acesso aos serviços para mães e crianças que necessitam de acompanhamento contínuo.
A secretária adjunta da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), Tércia Marília, destacou que muitas mães atípicas acabam invisibilizadas devido à dedicação integral aos filhos. Ela afirmou que a rede de apoio busca acolher essas famílias e reforçar que elas não estão sozinhas.
Neste Dia das Mães, histórias como a de Luana refletem a realidade enfrentada por milhares de mulheres que vivem uma maternidade marcada por desafios permanentes, dedicação integral e resistência diária.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
