Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, pré-candidato ao Senado pelo PL defende redução da maioridade penal, relativiza alarmes sobre mercúrio no rio Madeira, critica órgãos ambientais e sustenta que disputa eleitoral não deve ser baseada em ataques
Porto Velho, RO – O deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo PL, Fernando Máximo, afirmou que não pretende disputar uma vaga na Câmara Alta pautado exclusivamente por temas ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou às chamadas pautas de costumes, embora tenha reafirmado posições conservadoras e alinhadas à direita política. Durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, Máximo procurou se diferenciar do que chamou de “briga” e “guerra” política, ao mesmo tempo em que entrou em discussões diretas sobre garimpo, legislação ambiental, embargo de propriedades rurais, atuação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e atuação do Senado na defesa de Rondônia.
Logo nos primeiros blocos da conversa, o parlamentar rejeitou a narrativa de que a eleição de 2026 em Rondônia será marcada por confrontos agressivos entre candidatos do mesmo espectro ideológico. Questionado sobre a disputa dentro da direita, já que nomes conservadores devem dividir o eleitorado, Fernando Máximo afirmou que não enxerga o cenário como uma “guerra”, apesar do ambiente político já sinalizar acirramento.
“Eu não vejo disputa, eu não vejo briga, eu não vejo guerra. Eu vejo que todo pleito eleitoral tem sim momentos tensos, etc. Mas eu procuro fazer o meu trabalho. Eu ando muito, eu trabalho muito, eu corro, levo emendas, falo de projetos”, declarou, acrescentando que prefere mostrar resultados práticos em vez de responder ataques em redes sociais ou entrar em confrontos públicos com adversários.
Ao ser provocado sobre a chamada “guerra de narrativas”, especialmente entre candidatos da direita e da extrema-direita, Máximo insistiu que sua preparação política passa pela demonstração de trabalho realizado no mandato. Como exemplos, citou emendas para aquisição de 200 fuzis destinados às polícias Militar e Civil, recursos para a Polícia Penal, financiamento de instituições ligadas ao autismo e apoio às APAEs de Rondônia, além de investimentos em saúde e regularização fundiária. Segundo ele, esse histórico serviria como principal resposta em uma eventual campanha marcada por críticas.
A entrevista ganhou tom mais controverso quando Robson Oliveira questionou o parlamentar sobre o papel do Senado diante de pautas frequentemente associadas à direita, especialmente a relação com o STF. O jornalista citou a existência de senadores focados prioritariamente em confrontos com ministros da Corte e perguntou se Fernando Máximo pretendia limitar sua atuação a esse tipo de agenda. O deputado respondeu afirmando que o Senado precisa atuar em múltiplas frentes e listou temas que considera prioritários para Rondônia, entre eles infraestrutura, segurança, desenvolvimento econômico e redução da maioridade penal para 16 anos.
Sobre segurança pública, Fernando Máximo defendeu publicamente a redução da idade penal, sustentando que adolescentes de 16 e 17 anos, em determinadas circunstâncias, deveriam responder criminalmente como adultos.
“Eu acho que tem que reduzir a maioridade penal, 16 anos eu acho que o Brasil já tem. A gente vai passando o tempo e as gerações vão ficando mais modernas, vão ficando mais inteligentes, vão ficando mais sábias”, afirmou, sugerindo ainda que jovens envolvidos em crimes fossem submetidos a avaliações psicológicas e psiquiátricas para definição da responsabilização penal.
Um dos momentos mais tensos da entrevista ocorreu quando o debate migrou para o garimpo em Rondônia e os impactos ambientais da atividade. Ao defender o potencial econômico do setor, Fernando Máximo afirmou que o garimpo legal pode gerar emprego e renda ao estado, sustentando que a atividade precisa ser observada a partir de diferentes perspectivas.
“O garimpo gera muito emprego e renda em Porto Velho, no estado de Rondônia. O garimpo de ouro em Porto Velho gera. Movimenta a economia”, afirmou, ao defender que a exploração mineral seja feita dentro da legalidade.
Robson Oliveira contrapôs o argumento lembrando operações policiais recentes envolvendo saída ilegal de ouro e criticando o histórico do garimpo amazônico, apontando problemas ligados à violência, tráfico, prostituição e contaminação ambiental. Fernando Máximo respondeu afirmando não defender garimpo ilegal, mas ponderou que a discussão sobre mercúrio nos rios precisa considerar diferentes interpretações técnicas.
“O mercúrio faz mal, o mercúrio é maléfico, sem dúvida. Eu não sou negacionista de nada”, declarou. Em seguida, relativizou o que chamou de “alarme” em torno da contaminação dos rios, argumentando que, embora haja presença de mercúrio detectada em pesquisas, não observa uma crise sanitária em larga escala associada ao tema em Rondônia. Também sustentou que parte do mercúrio encontrado em rios amazônicos seria de origem natural, associada às rochas da região.
O embate avançou para a legislação ambiental e os embargos de propriedades rurais. Fernando Máximo criticou o que classificou como excesso de burocracia e punições impostas a produtores rurais, especialmente em casos de queimadas detectadas por satélite. Segundo ele, proprietários acabam sofrendo sanções amplas sem direito célere à defesa administrativa.
“Ele fica embargado por quatro, cinco anos sem ter o direito de se defender. Ele foi punido, foi condenado sem ter o direito de se defender”, afirmou, referindo-se a propriedades rurais autuadas por queimadas.
No mesmo eixo, Máximo saiu em defesa de madeireiros e garimpeiros legalizados, afirmando que Rondônia precisa compatibilizar produção econômica e preservação ambiental. Disse ser contrário a novos desmatamentos, mas favorável à utilização produtiva das áreas já abertas.
“Sou contra mais desmatamento na Amazônia. Mas nesses 19% de floresta amazônica que está desmatada, acho que tem que produzir em cada centímetro”, declarou, ao criticar regras ambientais que, segundo ele, acabam atendendo mais às exigências de mercados internacionais do que às necessidades econômicas da Amazônia.
Outro tema sensível abordado foi o conflito fundiário envolvendo áreas indígenas em Rondônia. Fernando Máximo criticou ações da Funai e alegou que produtores rurais receberam títulos do próprio Estado antes de mudanças posteriores em demarcações territoriais. Segundo ele, houve reconhecimento de falhas em marcos territoriais utilizados pelo órgão federal. O parlamentar afirmou ainda que uma decisão recente da Funai teria indicado perda de interesse em uma disputa territorial envolvendo produtores e indígenas, informação apresentada por ele durante a entrevista.
Embora a maior parte da entrevista tenha sido dominada por debates sobre conflitos políticos, segurança, meio ambiente e economia, o trecho final foi dedicado a aspectos mais pessoais da trajetória política de Fernando Máximo. Questionado sobre a relação com o governador de Rondônia, Marcos Rocha, de quem hoje está politicamente afastado após mudança partidária, o deputado afirmou manter gratidão pelo convite que recebeu para assumir a Secretaria Estadual de Saúde, cargo que o projetou durante a pandemia da Covid-19.
“Gratidão é eterna. Eu tenho gratidão pelo governador e não abro mão disso. Você nunca vai me ver falando mal do governador”, declarou, acrescentando que o distanciamento atual decorre apenas de caminhos partidários distintos e do fato de Marcos Rocha não disputar cargo eletivo no momento.
Durante os minutos finais, Fernando Máximo também mencionou conhecer praticamente todos os municípios e distritos de Rondônia, relatando experiências como médico em regiões remotas, entre elas Surpresa e Forte Príncipe da Beira. O deputado ainda defendeu potencial turístico de municípios como Costa Marques, mencionando pesca, patrimônio histórico e turismo rural como possibilidades econômicas regionais. A entrevista foi encerrada com um apelo religioso do parlamentar, pedindo orações de apoiadores e afirmando travar “guerras espirituais” em Brasília ligadas a pautas como aborto, drogas e ideologia de gênero nas escolas.
10 FRASES DE FERNANDO MÁXIMO NO RESENHA POLÍTICA
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
01) “Eu não vejo disputa, eu não vejo briga, eu não vejo guerra.”
Ao ser provocado sobre o clima de enfrentamento entre candidatos da direita em Rondônia, Fernando Máximo afirmou que pretende evitar confrontos políticos e focar na demonstração do trabalho realizado como deputado federal.
02) “Eu acho que tem que reduzir a maioridade penal, 16 anos eu acho que o Brasil já tem.”
A declaração ocorreu quando discutia segurança pública e pautas que pretende defender no Senado, argumentando que jovens de 16 e 17 anos já teriam discernimento suficiente para responder criminalmente em determinados casos.
03) “Eu não sou negacionista de nada.”
A frase surgiu durante o debate sobre garimpo e mercúrio, após Robson Oliveira questionar os efeitos ambientais da atividade e pesquisas envolvendo contaminação.
04) “O mercúrio faz mal, o mercúrio é maléfico, sem dúvida.”
Fernando Máximo reconheceu os riscos do metal, mas afirmou considerar exagerados os alertas sobre impactos generalizados do mercúrio nos rios de Rondônia.
05) “Não há esse alarme todo de que o garimpo está jogando tanta quantidade de mercúrio nos rios.”
O deputado relativizou narrativas sobre contaminação em larga escala, sustentando que a situação exigiria análise mais ampla e observação prática dos efeitos.
06) “Sou contra mais desmatamento na Amazônia.”
A afirmação ocorreu quando o entrevistado buscava equilibrar defesa do agronegócio, produção madeireira e preservação ambiental.
07) “Nesses 19% de floresta amazônica que está desmatada, acho que tem que produzir em cada centímetro.”
Fernando Máximo defendeu aproveitamento econômico de áreas já abertas, relacionando a produção agrícola à geração de emprego e renda.
08) “Você nunca vai me ver falando mal do governador.”
A fala veio ao comentar a relação com Marcos Rocha, reforçando gratidão política e pessoal apesar do distanciamento partidário.
09) “Gratidão é eterna.”
O parlamentar explicou que considera permanente o reconhecimento ao governador por tê-lo convidado para a Secretaria de Saúde durante a pandemia.
10) “Nós travamos guerras espirituais muito importantes em Brasília.”
Na despedida do programa, Fernando Máximo pediu orações e citou pautas conservadoras como aborto, drogas e ideologia de gênero como parte de sua atuação política.
